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Companhia reporta lucro de R$ 125 milhões no ano passado após prejuízo bilionário em 2024, enquanto resultado ajustado aponta perda de R$ 4,3 bilhões; veja os números

Após finalizar a recuperação judicial nos EUA (Chapter 11) em fevereiro, a Azul (AZUL53) divulgou os resultados do quarto trimestre de 2025. A aérea teve um prejuízo líquido quase 60% menor no quarto trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano retrasado, de R$ 1,657 bilhão. No acumulado do ano, a companhia reportou R$ 125 milhões de lucro, revertendo o prejuízo de R$ 9,1 bilhões em 2024.
No entanto, em base ajustada, que exclui eventos não recorrentes, a Azul reverteu lucro de R$ 62,4 milhões nos três últimos meses de 2024 em um prejuízo de R$ 425 milhões no mesmo intervalo de 2025. No acumulado entre janeiro e dezembro do ano passado, o rombo foi 330% maior, de R$ 4,3 bilhões.
No caso da Azul, essa distorção é especialmente relevante porque o Chapter 11 gerou impactos contábeis expressivos, como os ganhos com cancelamento de dívidas, revisões de contratos de arrendamento de aeronaves e uma série de custos extraordinários com assessores e renegociações.
Esses efeitos entram no resultado oficial e ajudam a melhorar o número reportado em alguns momentos — como no lucro acumulado de 2025 —, mas são excluídos do resultado ajustado por não refletirem a operação recorrente da companhia.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em R$ 2,138 bilhões no quarto trimestre, aumento de 9,6% ante o apurado um ano antes, nível recorde. No ano, o indicador também subiu 9,6%, para R$ 6,64 bilhões. Já a margem Ebitda ficou em 36,9%, ante 35,2% do quarto trimestre de 2024.
A receita líquida da empresa cresceu 4,6% anualmente, para R$ 5,8 bilhões no quarto trimestre. Em 2025, somou R$ 21,9 bilhões, expansão de 12%.
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O crescimento, segundo a Azul, reflete um “ambiente de demanda consistentemente forte e ajustes estratégicos de malha”, entre outros fatores. No trimestre, a Azul transportou 8 milhões de passageiros, em linha com o mesmo período de 2024.
A alavancagem da companhia, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, caiu 0,1 vez ante o quarto trimestre de 2024, para 4,8 vezes.
Segundo a Azul, esse número ainda não considera alguns efeitos importantes da reestruturação. Entre eles, está a conversão de parte das dívidas em ações — um movimento que reduz o endividamento da empresa — e o pagamento de um financiamento emergencial usado durante o processo.
Com essas medidas já concluídas após a saída do Chapter 11, a companhia afirma que sua alavancagem caiu para menos de 2,5 vezes, indicando um nível de endividamento mais controlado a partir de fevereiro de 2026.
A dívida líquida total ficou em R$ 32 bilhões, aumento de 8,3% na base anual.
Entre outubro e dezembro, a Azul ampliou sua capacidade total (ASK) em 1,1% ante um ano antes, fechando o trimestre com o indicador em 12,460 milhões, impulsionada principalmente por um crescimento de 11,8% nas operações internacionais da companhia aérea.
A receita por assento-quilômetro disponível (Rask) aumentou em 3,5%, e ficou em 46,55 centavos de real.
O custo operacional por assento disponível por quilômetro (Cask) da aérea foi de 35,15 centavos de real no quarto trimestre de 2025, ampliação de 0,6% ante igual intervalo de 2024. Já o preço médio combustível por litro ficou em R$ 3,93, alta anual de 1,5%.
Olhando para frente, a Azul apresentou perspectivas que reforçam uma mudança de postura após a reestruturação. Em vez de priorizar crescimento acelerado, a companhia sinaliza um ano mais focado em eficiência, geração de caixa e preservação de margens.
Um dos principais pontos é a expectativa de redução relevante de custos estruturais. A empresa projeta cortar mais de 50% das despesas com juros e cerca de um terço dos gastos com arrendamento de aeronaves, o que deve resultar em uma economia recorrente estimada em aproximadamente R$ 2,2 bilhões por ano a partir de 2026.
Esse alívio financeiro é visto como o principal pilar para sustentar a desalavancagem e melhorar a rentabilidade ao longo do tempo.
Do lado operacional, o tom também é mais cauteloso. A Azul indicou que deve adotar uma abordagem disciplinada na expansão da capacidade, com previsão de queda de cerca de 1% na oferta doméstica já no segundo trimestre de 2026, na comparação anual.
A combinação de menor alavancagem, redução de despesas e crescimento mais contido aponta para um novo momento da empresa, mais orientado à sustentabilidade financeira do que à expansão agressiva.
Ainda assim, a Azul reconhece que as projeções dependem de fatores externos, como cenário macroeconômico, câmbio, preço do combustível e nível de concorrência, o que mantém o grau de incerteza elevado para a execução desse plano ao longo de 2026.
*Com informações Estadão Conteúdo
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