IRB (IRBR3) tenta virar a página cinco anos após escândalo e queda de 96% na B3 — o que pensa o mercado
Após fraude bilionária e quase desaparecer da B3, o IRB tenta se reconstruir e começa a voltar ao radar dos analistas

Já se passaram mais de cinco anos desde a descoberta de fraudes nos balanços do grupo ressegurador IRB(Re) (IRBR3), em um dos episódios mais comentados do mercado de capitais brasileiro.
O estopim veio em fevereiro de 2020, quando a gestora Squadra divulgou uma carta questionando os resultados da companhia. A repercussão ganhou escala internacional ao envolver Warren Buffett.
O bilionário e lendário investidor da Berkshire Hathaway tratou de desmentir publicamente os executivos do IRB, em uma frase que entrou para os anais do mercado:
“Não tenho [ações do IRB], nunca tive e nem quero ter.”
Após uma devassa nos números, a nova administração identificou um conluio entre altos executivos e funcionários, que omitiram mais de R$ 1,3 bilhão em sinistros pagos, além de outras inconsistências contábeis.
No mês passado, o IRB(Re) informou que venceu a arbitragem contra os antigos executivos e deverá receber uma indenização. A empresa cobra cerca de R$ 650 milhões, segundo reportagem do Valor Econômico.
O IRB que sobrou: uma empresa “normal”
Desde então, o IRB tenta virar a página, num processo de reorganização sob o comando de Marcos Falcão, presidente há três anos.
Leia Também
A faxina nos números começa a dar resultado. A ação voltou a entrar no radar — e até nas recomendações — de alguns gestores e analistas. Mas com um consenso: o novo IRB não será nem sombra da potência que dizia ser antes do “efeito Squadra”.
Na carta de 2020, a Squadra apontava que a rentabilidade do IRB era fora da curva. Enquanto a mediana de ROE das resseguradoras globais era de 5% em 2018, o IRB reportava 34% — com projeções de até 45% para 2020.
Agora, com os números “limpos”, o mercado começa a enxergar os resultados reais da companhia. “O IRB vai ser um negócio de resseguros como outro qualquer”, resume um gestor.
O preço das ações, aliás, reflete a desconfiança: os papéis acumulam queda de 96% desde a revelação das fraudes e seguem próximos das mínimas históricas. A empresa vale hoje R$ 3,8 bilhões na B3.

Dividendos à vista? O que pode destravar valor na ação
No segundo trimestre deste ano, os prêmios emitidos pelo IRB caíram 6% em relação ao mesmo período de 2024 — uma melhora frente ao primeiro trimestre, quando o recuo foi de 13%.
A empresa encerrou ou deixou expirar contratos não lucrativos e vem repetindo o mantra: só crescerá se encontrar contratos rentáveis. Também espera retomar participação no segmento de seguros de vida.
O maior gatilho para a ação, porém, pode estar nos dividendos. Suspensos desde o escândalo, eles devem voltar em 2026. Na teleconferência do 2º trimestre, Falcão afirmou que o IRB pretende ser novamente um pagador relevante, e uma nova política de dividendos pode ser apresentada já no próximo trimestre.
A reportagem do Seu Dinheiro procurou o IRB, mas a companhia não quis dar entrevista.
Voltar ao exterior: solução ou novo risco para o IRB (IRBR3)?
A estratégia de 2024 foi concentrar operações no Brasil — “um mercado onde somos líderes e que conhecemos profundamente”, segundo a companhia.
Agora, o IRB volta a mirar o mercado internacional, em busca de margens semelhantes às conquistadas localmente. Para isso, investe em treinamento de equipes, melhoria de processos e práticas de governança globais.
Mas o movimento não é consenso no mercado. Isso porque o escândalo encolheu a operação e o quadro de pessoal, e ainda há dúvidas sobre a capacidade de execução.
A empresa diminuiu de tamanho, perdeu pessoas. Agora ainda está em processo de normalização. Quanto a investir, depende do valuation. Hoje temos uma posição pequena nos portfólios, mas isso pode mudar de um dia para o outro”, disse um gestor.
Em um relatório recente, os analistas do J.P. Morgan também se mostraram cautelosos com o IRB:
“Estamos vendo o mercado interno encolher (-15%) versus uma expansão internacional (+36%), uma combinação mais arriscada. Na nossa visão, o potencial de lucro dos negócios no exterior ainda não está claro.”
HORA DE COMPRAR?
Gerdau (GGBR4) no radar: Itaú BBA recomenda compra e UBS BB vê ação a R$ 35; o que está por trás do otimismo?
29 de outubro de 2026 - 16:50AQUECIMENTO PARA O BALANÇO
Dividendos de até US$ 4,2 bilhões: com operacional tinindo, Petrobras (PETR4) deve ‘blindar’ os proventos da queda do petróleo
29 de outubro de 2026 - 14:49RESULTADOS DO 3T26
Microsoft (MSFT) mostra que é possível crescer com IA gastando menos e com balanço sólido; veja números
29 de outubro de 2026 - 11:53CILADA NA BOLSA?
E agora, Nubank? Itaú BBA corta preço-alvo e alerta: o pior ainda pode estar por vir
29 de outubro de 2026 - 11:22NA MIRA DO BC
Mais uma liquidação: Banco Central tira do ar empresa que operava nos bastidores do Pix após encontrar “graves violações”
29 de outubro de 2026 - 9:34AQUECIMENTO PARA O BALANÇO
Vale (VALE3): lucro deve cair quase 50% no 3T26 com inimigo persistente roubando a cena. O que esperar do balanço de hoje?
29 de outubro de 2026 - 6:30RENEGOCIAÇÃO
Raízen (RAIZ4) consegue desconto de R$ 8,5 bilhões em dívidas tributárias; veja quanto a empresa terá de pagar
28 de outubro de 2026 - 18:26PERDEU O ENCANTO?
Itaú BBA deixa de recomendar compra de Bradesco (BBDC4), e ação cai forte; o que levou o bancão a perder o brilho?
28 de outubro de 2026 - 16:27O DILEMA DO BANCÃO
“O preço a pagar” para reduzir riscos: CEO do Santander revela plano para atingir ROE acima de 20%
28 de outubro de 2026 - 14:32BALANÇO AGRADOU
Caneta emagrecedora e dívida menor: os dois motores que fazem da Hypera (HYPE3) uma das poucas altas do Ibovespa hoje
28 de outubro de 2026 - 13:31REAÇÃO AO RESULTADO
Santander (SANB11) afunda mais de 5% após resultado fraco, mas analistas revelam ‘trunfo’ que pode salvar as ações da queda
28 de outubro de 2026 - 11:54OS BASTIDORES DA OPERAÇÃO
Por dentro da Shopee: 150 mil tipos de produtos, muitas mãos e uma corrida para fazer cada pedido chegar à sua casa
28 de outubro de 2026 - 10:46BALANÇO
Santander Brasil (SANB11) frustra no 3T26: lucro tomba 28% e ROE cai a 11,9%; veja os destaques do balanço
28 de outubro de 2026 - 6:16POTENCIAL DE ALTA
Maré favorável? Citi inicia cobertura da OceanPact (OPCT3) e vê espaço para alta de 48%
27 de outubro de 2026 - 17:06PRÉVIA DO BALANÇO
Lucro menor, calotes no radar e recuperação adiada: o que esperar do balanço do Santander Brasil (SANB11) no 3T26
27 de outubro de 2026 - 13:28FACA AFIADA
Citi manda vender Banco do Brasil (BBAS3) após eleições; veja o que colocar no lugar
27 de outubro de 2026 - 13:09SD ENTREVISTA
Agência com cara de hotel? A aposta do Bradesco (BBDC4) para atrair clientes endinheirados
27 de outubro de 2026 - 12:03APOSTA NO LUXO
Massagem, hotéis Fasano e descontos: a nova cartada do Itaú (ITUB4) e da JHSF (JHSF3) para conquistar os clientes ricos
27 de outubro de 2026 - 8:33VAI DE BOLSA
Após SpaceX (SPCX), Anthropic quer entrar no grupo do ‘IPO do trilhão’ com documento enviado à SEC
26 de outubro de 2026 - 14:45AQUISIÇÃO BILIONÁRIA