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Ações da Natura (NATU3) lideram os ganhos do Ibovespa após anúncio de nova estrutura de governança e sinalização de investimento relevante da Advent, que pode redefinir o valuation e sustentar o interesse pelo papel.

Dois anúncios da Natura (NATU3) na noite da última segunda-feira (30) estão por trás do salto de dois dígitos da ação no pregão de hoje (31). Os papéis da companhia lideram os ganhos do Ibovespa, com avanço de mais de 10% por volta das 14h, a R$ 10,17,
O movimento veio acompanhado de forte volume de negociações: NATU3 figurava entre os papéis mais transacionados na bolsa, com 15,4 mil negócios e giro financeiro de R$ 148,9 milhões. A companhia anunciou um novo acordo de acionistas de dez anos e a migração dos fundadores para um conselho consultivo.
Além disso, empresa de cosméticos comunicou um compromisso da Advent International, uma das maiores e mais experientes gestoras globais de private equity, para comprar entre 8% e 10% das ações no mercado por um preço‑alvo médio de R$ 9,75, em até seis meses.
O investimento da Advent será feito no mercado secundário e equivale entre 109,964 milhões de ações, no mínimo (8%), e 137,456 milhões no máximo (10%).
Segundo os analistas Pedro Pinto e Flávia Meirelles, do Bradesco BBI, os anúncios podem estabelecer um novo piso de avaliação para as ações nos próximos meses. O BBI tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 17 no final de 2026, o que representa um potencial de valorização de 84% sobre o preço de fechamento nos próximos três meses.
Já o BTG Pactual mantém a posição neutra para NATU3 e projeta a ação a R$ 12 em dezembro, o que implica em um potencial salto de 29,9% até o final do ano.
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Para o Safra, a expectativa de pressão compradora por parte de um investidor institucional grande e reconhecido, ingressando na base acionária, tende a sustentar o sentimento de mercado e a liquidez do papel.
O banco tem recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 9, com potencial de desvalorização de 2,6% sobre o preço de fechamento da véspera.
A visão, de um papel mais atrativo com a entrada da Advent, também é compartilhada pelo Citi. O banco tem recomendação neutra/alto risco para NATU3.
O Santander, por sua vez, mantém a recomendação neutra devido às incertezas sobre a retomada de ganho de participação de mercado e de números de vendas mais fortes entre as divisões. O banco tem preço-alvo de R$ 9,70, um potencial de valorização de 5% sobre o preço de fechamento anterior.
Os analistas consideraram os anúncios da Natura como positivos, com destaque para o compromisso de investimento da Advent.
A Ágora/Bradesco BBI, por exemplo, já esperava uma reação positiva do mercado, com potencial da ação convergir em direção ao preço médio da oferta proposta de R$ 9,75 por papel, o que equivale a alta de 5,5% em relação ao último fechamento. Ontem (30), NATU3 encerrou cotada a R$ 9,24.
Para os analistas, a possível entrada da Advent como acionista de referência pode “remodelar e aprimorar” o senso de responsabilidade e propriedade na Natura, o que pode se traduzir em melhor execução, eficiência operacional e retornos.
No entanto, o time de análise pondera que a gestora ainda não possui participação em NATU3 e que a intenção de construir uma fatia entre 8% e 10% por meio de compras no mercado secundário, a um preço e volume previamente definidos, tende a reduzir a probabilidade de execução integral do plano de adesão ao conselho de administração e ao acordo de acionistas.
O Citi também avalia que não há um acordo formal com a Advent além da intenção declarada da Natura. Contudo, os analistas não descartam um papel mais ativo com quando atingir o preço proposta pela Advent de R$ 9,75 por ação.
Para o BTG Pactual, a nova organização da governança representa “um novo ciclo” para a companhia, com uma estrutura de liderança mais moderna. A expectativa é que isso melhore a agilidade na tomada de decisões e a execução estratégica.
“A medida foi bem recebida pelos investidores, pois reforça a transição para uma estrutura de governança mais moderna, o que pode aumentar a agilidade na tomada de decisões e na execução estratégica. Trata-se de uma mudança simbólica importante após um período de complexidade e transformação”, afirma o banco em relatório.
Já na avaliação do Bradesco BBI, a participação contínua dos fundadores e principais visionários da Natura deve ajudar a salvaguardar a cultura e o DNA estratégico de longo prazo da empresa – ativos que têm sido fundamentais para a construção de uma das marcas mais fortes do Brasil e da América Latina.
O Safra avalia as mudanças como ‘neutras’. “Embora diversos fundadores devam deixar o conselho, eles não devem se desligar completamente da companhia, uma vez que devem migrar para um conselho consultivo estatutário com mandato de longo prazo”, diz o banco em relatório.
“Essa estrutura deve permitir à Natura preservar o conhecimento institucional, o propósito e a cultura, mitigando preocupações com perda de expertise ou de continuidade estratégica”, acrescentaram.
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