Virada de jogo? Brasil se destaca entre emergentes e investidor local volta à B3, diz Itaú BBA
Segundo o banco de investimentos, o cenário macro mais favorável coloca o Brasil em evidência

Em meio ao aumento da aversão ao risco global e à volatilidade que tem dominado os mercados, o Brasil começa a chamar atenção por estar melhor posicionado do que parece. Na visão do Itaú BBA, a bolsa brasileira (B3) surge como uma das principais apostas dentro desse universo.
Em relatório, o banco destaca três pilares para esse otimismo: a perspectiva de cortes na taxa de juros, o fato de o país ser exportador líquido de petróleo — o que ajuda a amortecer choques externos — e o retorno gradual do investidor local à B3.
Nesse contexto, a preferência recai sobre nomes mais “caseiros”.
O BBA tem inclinação por ações domésticas de grande capitalização, com destaque para as chamadas bond proxies — empresas com fluxo de caixa previsível e histórico consistente de dividendos, que tendem a se beneficiar de um ciclo de queda de juros — além de companhias cíclicas ligadas à economia doméstica.
“Favorecemos exposição a empresas mais sensíveis aos juros do que ao ciclo econômico, especialmente nos segmentos de shoppings, incorporadoras voltadas à baixa renda e financeiras (bancos tradicionais e mercado de capitais), em detrimento dos setores de consumo”, afirma o BBA.
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Além disso, o banco de investimentos mantém a posição neutra em petróleo e gás e tem uma fatia relevante de “compra” no segmento de energia e saneamento.
O BBA segue com recomendação de compra em Prio (PRIO3) e levemente abaixo do benchmark em Petrobras (PETR3;PETR4) no segmento de petróleo e gás.
Já em energia e saneamento, o banco tem posição em empresas que são beneficiadas pelos preços elevados de energia, como Axia (AXIA6), Eneva (ENEV3) e Copel (CPLE3).
Estrangeiros de olho em cortes na Selic
Para o BBA, o ciclo de afrouxamento monetário segue como um “gatilho relevante” para o Brasil, por ser um dos poucos países do mundo em processo de corte de juros.
Contudo, o início mais lento da flexibilização do que o esperado por parte do Banco Central levantou questionamentos.
“Acreditamos que parte dos investidores tenha reduzido ou rotacionado sua exposição ao país, influenciado pelo cenário geopolítico global e por preocupações de que os preços elevados de energia e seus impactos sobre as expectativas de inflação possam comprometer a magnitude e a previsibilidade do ciclo de cortes”, observa.
Na avaliação dos analistas, caso os juros permaneçam “altos por mais tempo”, a preferência é por ações mais sensíveis a juros do que ao ciclo econômico.
- Leia também: Após a disparada do petróleo, as commodities agrícolas são o próximo front da guerra — saiba como surfar o novo ciclo
Cenário global é volátil
Por ser um exportador líquido de petróleo, o Brasil é, portanto, um vencedor relativo no movimento de aversão ao risco, aponta o BBA.
“Desde o início dos conflitos, a bolsa brasileira tem queda de 5%, contra recuo de 11,3% dos mercados emergentes, em dólares”, ressalta o banco.
Com a manutenção da volatilidade dos mercados em função dos conflitos geopolíticos, o BBA aponta que as discussões se voltaram para duas questões macroeconômicas: quanto tempo o conflito deve durar e até que patamar os preços de energia e do petróleo podem chegar.
Segundo estimativas macro, cada aumento de 10% no preço da gasolina eleva o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em cerca de 0,2 ponto percentual.
Diante desse cenário, o BBA aponta que os gringos acompanham a alta dos preços de energia e aumentam a exposição aos setores de óleo e gás e energia/saneamento na B3.
Já os investidores locais, que normalmente mantêm exposição abaixo do índice a commodities, reduziram as posições em produtores de petróleo com a alta dos preços.
“Alguns investidores locais também mencionaram a possibilidade de montar posições vendidas em petróleo caso ganhem confiança de que os riscos vão arrefecer e os preços recuar”, observa o BBA.
Investidores locais voltam à B3
Nos últimos 10 dias, o BBA observou uma realocação gradual do caixa de investidores domésticos para ações da B3, posições que vinham sendo construídas desde o início do ano.
“Um argumento recorrente é que os valuations voltaram aos níveis atrativos para companhias domésticas de qualidade”, diz.
Adicionalmente, o banco de investimentos pontua que ainda há pouco interesse em aprofundar posições em small caps, visto que o Ibovespa sobe 13,4% ao ano, contra 2,9% do Índice Small Cap (SMLL), já que a liquidez é um ponto crucial em um ambiente de elevada volatilidade, sem mencionar o risco-retorno mais atrativo de large caps aos preços atuais.
Para o BBA, o interesse dos investidores domésticos segue limitado em adicionar commodities, embora alguns tenham destacado a Vale (VALE3) como atrativa nos níveis atuais, após o papel ter sofrido e os preços do minério de ferro subirem desde o início do mês.
Enquanto isso, Petrobras e Prio seguem como apostas em cenário de disparada do petróleo, afirma o BBA.
*Com informações do Money Times
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