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Monique Lima

Monique Lima

Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.

PERSPECTIVAS 2026

A virada dos fundos de ações e multimercados vem aí: Fitch projeta retomada do apetite por renda variável no próximo ano

Após anos de volatilidade e resgates, a agência de risco projeta retomada gradual, impulsionada por juros mais favorável e ajustes regulatórios

Monique Lima
Monique Lima
2 de dezembro de 2025
12:46
Ações do varejo na bolsa brasileira. Varejistas, Supermercado, Mercado, Loja
Imagem: iStock

Depois de anos marcados por resgates expressivos, os fundos de ações e multimercado podem ver a luz no fim do túnel. De acordo com a Fitch, a provável redução da taxa Selic (juros básicos do Brasil, que atualmente está em 15% ao ano) deve começar a beneficiar os fundos de maior risco a partir de 2026. 

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Desde 2022, a combinação de juros elevados, incertezas fiscais e instabilidade política levou os investidores a optarem por estratégias mais conservadoras. Os produtos de renda fixa ganharam mais espaço nas carteiras, já que ofereciam retornos acima de 1% ao mês e baixo risco.   

Esse movimento reduziu a atratividade de fundos multimercados e de ações, que sofreram com baixa rentabilidade e aversão ao risco. 

Em 2025, o volume de ativos sob gestão (AUM) do Brasil cresceu 13,5% até outubro, alcançando R$ 10,6 trilhões. Segundo a Fitch, o impulso veio principalmente da captação e da remuneração proporcionada pelos juros altos, via renda fixa.  

Apesar disso, a captação líquida de R$166 bilhões no período indica um ritmo moderado. O relatório aponta para uma tendência de desaceleração no fim do ano, reflexo do histórico de resgates em períodos de maior incerteza. 

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Agora, as atenções se voltam para 2026. A expectativa é de que a redução gradual dos juros abra espaço para estratégias mais arrojadas.  

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Tradicionalmente, fundos multimercados conseguem navegar bem em momentos de virada de política monetária, pelo mandato flexível de alocação. Esses fundos conseguem se posicionar na virada de juros, de inflação e captar bons ganhos.  

Já os fundos de ações ganham espaço junto com a bolsa, que costuma receber o fluxo de dinheiro que sai da renda fixa para a renda variável.  

A virada de página 

Segundo a Fitch Ratings, a visão para o cenário da indústria de fundos em 2026 é neutra, mas com viés positivo diante da provável queda dos juros.  

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A indústria deve se beneficiar não apenas da redução da Selic, mas também do crescimento econômico do país e da entrada de investidores internacionais, segundo relatório de 1º de dezembro.  

Em 2025, os fundos de renda fixa lideraram a captação da indústria, com aplicações líquidas de R$ 181 bilhões. Multimercados e ações registraram resgates de R$ 56 bilhões e R$ 53 bilhões, respectivamente.  

A expectativa, entretanto, é que esse cenário comece a virar no próximo ano, e de forma gradual, segundo a Fitch.  

Apesar dos juros altos neste ano, a rentabilidade dos fundos de ações foi destaque no acumulado até outubro, superando até mesmo o retorno da renda fixa. Até o dia 31, os fundos de ações livres retornaram 26% no ano, enquanto ações índice ativo subiram um pouco mais, próximo de 27%.  

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Já os fundos de renda fixa simples e renda fixa duração livre crédito chegaram a 11% e 12%, respectivamente.  

Os juros altos seguem gerando bons ganhos para os fundos de renda fixa, com baixo risco. Para a Fitch, essa tendência deve se manter em 2026, mesmo com alguma redução das taxas.  

Dados da indústria de fundos* 

  • AUM total: R$ 10,6 trilhões (+13,5%). 
  • Captação líquida no ano: R$ 166 bilhões (+1,78% sobre AUM inicial). 
  • Fundos de renda fixa: R$ 181 bilhões em aplicações líquidas (+4,83%). 
  • Multimercados: resgates de R$ 56 bilhões (-3,68%). 
  • Ações: resgates de R$ 53 bilhões (-9,13%). 

*Até 31 de outubro de 2025 

Selic, inflação e eleições  

O pano de fundo para essa virada de mão nos ativos de risco é um ambiente econômico mais favorável.  

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As projeções apontam para uma Selic caindo de 15% para 12,25% ao ano em 2026. A inflação deve recuar para patamares próximos a 4,2% no próximo ano. Já a atividade econômica estima-se menor, com crescimento em torno de 1,8% no ano — menor que o crescimento de 2,2% em 2025.  

Embora esses números apontem para uma estabilidade positiva para os investimentos, o relatório da Fitch diz que ainda há risco político no radar.  

2026 será um ano de eleições presidenciais, o que por si só já aumenta as incertezas. O mercado também segue atento a falta de compromisso do governo federal com as metas fiscais, devido a tendência a mais gastos.  

Além disso, questões domésticas, tensões geopolíticas e disputas comerciais continuam a influenciar os mercados globais.  

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Para os fundos, esse contexto significa que a renda fixa seguirá atraente, mas a redução dos juros deve abrir espaço para maior diversificação, especialmente em ações. 

Projeções econômicas da Fitch 

Indicadores econômicos  2025 2026 
Selic (juros) 15% 12,25% 
IPCA (inflação) 4,40% 4,20% 
PIB (atividade econômica) 2,20% 1,80% 

Mudanças com a Resolução CVM 175 

A Fitch também pondera que o setor de fundos passa por transformações estruturais. A consolidação das regras da Resolução CVM 175, que mudou a regulamentação dos fundos e trouxe maior transparência e alinhamento às práticas internacionais, reforça a solidez do setor.  

“A indústria local obteve sucesso na transição, apesar da complexidade e da abrangência das regras. O novo arcabouço regulatório da indústria de fundos brasileira tem sólidos processos operacionais, transparência e controle de risco, o que se reflete positivamente nos ratings internacionais de qualidade de gestão”, diz o relatório.

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