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Entenda por que EUA, Austrália, Canadá, Reino Unido, Itália e Finlândia resolveram parar de enviar verba para os refugiados e por que essa lista de países ainda pode aumentar
Depois de muitas mortes e muita negociação, a ajuda aos refugiados na Faixa de Gaza estava sendo entregue. Mais que isso: também estava sendo costurado um acordo para interromper os ataques entre o Hamas e Israel no enclave, mas tudo isso pode ir por água abaixo após um escândalo.
Vários de funcionários da UNRWA, como é conhecida a agência das Nações Unidas (ONU) para os refugiados palestinos, estão sendo acusados de envolvimento no ataque do Hamas a Israel que desencadeou a guerra há quatro meses.
A situação está sendo investigada, mas não impediu que uma série de países — até agora, EUA, Austrália, Canadá, Reino Unido, Itália e Finlândia — interrompessem o envio de verbas à região até que a situação seja esclarecida.
Neste domingo (28), o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou para que esses países continuem a financiar a principal agência que fornece ajuda em Gaza.
"Os atos desprezíveis desses funcionários devem ter consequências", disse Guterres em um comunicado.
"Mas as dezenas de milhares de homens e mulheres que trabalham para a UNRWA, muitos deles nas situações mais perigosas para os trabalhadores humanitários, não devem ser penalizados. As enormes necessidades das populações desesperadas que eles atendem devem ser satisfeitas", acrescentou.
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O escândalo acontece depois que, na sexta-feira (26), o mais alto tribunal da ONU ordenou que Israel tomasse todas as medidas para evitar atos de genocídio contra o povo palestino.
Sem a suspensão das verbas se mantiver, Guterres advertiu que a agência da ONU para os refugiados palestinos seria forçada a cortar a ajuda a mais de dois milhões de palestinos a partir de fevereiro.
O enclave costeiro está passando por uma grave crise humanitária, na qual um quarto da população corre o risco de passar fome.
Ficar sem ajuda humanitária não é o único risco que quem mora na Faixa de Gaza corre com a suspeita de envolvimento de funcionários da ONU no ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro do ano passado.
A suspensão da ajuda vital para os palestinos ocorre no momento em que as autoridades dos EUA disseram que estavam perto de um acordo de cessar-fogo.
De acordo com as autoridades norte-americanas, a ideia era de que o acordo trouxesse uma pausa de dois meses para o episódio de violência entre israelenses e palestinos que desestabilizou todo o Oriente Médio.
A UNRWA tem 13 mil funcionários em Gaza, quase todos palestinos. A agência fornece serviços básicos, como atendimento médico e educação, para famílias palestinas que fugiram ou foram expulsas do que hoje é Israel durante a guerra de 1948.
A agência expandiu as operações durante a guerra e administra abrigos que recebem centenas de milhares de pessoas recém-deslocadas.
“Mais de 2 milhões dos 2,3 milhões de habitantes do território dependem da agência para sobrevivência básica, incluindo alimentos e abrigo”, disse o diretor da UNRWA, Philippe Lazzarini, acrescentando que a estrutura da agência "pode entrar em colapso a qualquer momento".
Os EUA são o maior doador da agência e foram os primeiros a suspender imediatamente o financiamento neste final de semana.
*Com informações da AFP e da Reuters
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