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O XADREZ DA GUERRA

Cessar-fogo e libertação de reféns: o que está por trás da mudança de posição de Israel ao aceitar a trégua

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, vinha assumindo uma postura implacável desde os ataques do Hamas, em 7 de outubro; saiba o que pode ter feito ele ceder

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel. - Imagem: Alexandros Michailidis/Shutterstock

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que só pararia com a guerra contra o Hamas quando o grupo fosse desmantelado — e o que se viu foi uma contraofensiva impiedosa em resposta aos ataques de 7 de outubro. Só que o que parecia impossível aconteceu na noite de terça-feira (21): um cessar-fogo em Gaza. Seria esse o primeiro sinal do fim do conflito?

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Embora tenha firmado acordo que prevê uma trégua temporária na Faixa de Gaza, o governo de Israel reforçou o compromisso em continuar a guerra na região para completar a "eliminação do Hamas e evitar a existência de ameaças” ao país.

O cessar-fogo temporário se dará assim: na primeira fase, o Hamas libertará 50 mulheres e crianças nos próximos quatro dias — período no qual haverá uma pausa nos combates. 

"A soltura de cada dez novos reféns resultará em um dia adicional de pausa", disse o governo israelense, em comunicado.

Além disso, espera-se que cerca de 150 mulheres e crianças palestinas sejam libertadas das prisões em Israel — que também teria concordado, segundo fontes, em interromper a vigilância com drones no norte de Gaza durante seis horas por dia

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Os estrangeiros mantidos como reféns, no entanto, não estão inclusos no acordo principal, mas ainda podem fazer parte de pactos separados que garantam sua liberação durante o período de trégua. 

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Israel: algo mudou?

Provavelmente seria equivocado sugerir que o cessar-fogo temporário representa um abrandamento da posição de Netanyahu. 

O primeiro-ministro de Israel tem sido inflexível na missão de eliminar o Hamas como força militar e política em Gaza — e parece apegado a essa abordagem, de cujo sucesso depende o seu próprio futuro político.

Mas não dá para ignorar o fato de que Netanyahu e o gabinete de guerra — que inclui o ministro da Defesa linha dura, Yoav Gallant — têm estado sob intensa pressão para fazer mais por parte das famílias dos reféns, que organizaram uma enorme marcha de cinco dias até Jerusalém na semana passada.

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Imagem publicada nas redes sociais mostra a marcha das famílias dos reféns e apoiadores até Jerusalém

Os analistas israelenses atribuem a aparente mudança de atitude de Netanyahu à movimentação desses familiares e também a uma compreensão tardia de que as Forças de Defesa de Israel (IDF) e o sistema de segurança têm um dever com os cidadãos de Israel que vai além da destruição do Hamas.

“O sistema de defesa, sendo responsável pelo terrível fracasso que permitiu o massacre de 7 de outubro, deve ser retificado. E a retificação não termina com a conquista de território e a morte de terroristas. Em primeiro lugar, envolve um esforço para trazer pelo menos as mães e crianças entre os reféns de volta para casa”, escreveu o colunista do Haaretz, Amos Harel.

Especula-se também que a mudança de Netanyahu pode ter sido influenciada de forma crítica pelo seu encontro com famílias dos reféns, após semanas durante as quais se recusou a encontrá-las. 

O premiê e o seu partido Likud perderam a confiança da maioria dos eleitores, que os culpam pelos lapsos e pela complacência com o 7 de Outubro. As pesquisas sugerem que perderiam uma eleição se esta fosse realizada agora. 

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Fato é que o gabinete de guerra está dividido, com a linha dura, incluindo Netanyahu, convencida de que a pressão militar implacável é a melhor forma de enfraquecer o Hamas e convencer o seu líder em Gaza, Yahya Sinwar, a libertar os cativos, enquanto outros argumentam que Israel deve conseguir o que pode agora antes que a pressão internacional para recuar em Gaza se torne ainda maior.

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A reação internacional

Os líderes internacionais saudaram o acordo entre Israel e o Hamas para uma trégua, que deverá entrar em vigor na manhã de quinta-feira (23). 

O Catar e o Egipto foram negociadores-chave no acordo, com ambos os países indicando que esperam que seja um passo em direcção a um cessar-fogo e a uma solução a longo prazo. 

Os EUA foram outro negociador principal, com o secretário de Estado Antony Blinken afirmando que o acordo marcava “um progresso significativo”, mas prometendo que os EUA “não descansarão enquanto o Hamas continuar a manter reféns em Gaza”.

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https://twitter.com/SecBlinken/status/1727193865877156175

O presidente da França, Emmanuel Macron, também deu as boas vindas aos cessar-fogo e disse que segue trabalhando pela libertação de todos os reféns.

https://twitter.com/EmmanuelMacron/status/1727269494832484854

*Com informações da CNN Internacional e do The Guardian

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