O calvário chegou ao fim? IRB Brasil (IRBR3) escapa de rebaixamento por agência de rating especializada em resseguros
O papel da resseguradora foi o grande destaque de agosto no Ibovespa, ocupando o primeiro lugar no pódio de maiores altas da bolsa com disparada de 64%

Grande destaque de agosto no Ibovespa, o IRB (IRBR3) parece finalmente ter saído do calvário após a fraude revelada em 2020 que levou a uma derrocada das ações.
Nesta sexta-feira (06), a agência de classificação de risco AM Best revisou a perspectiva da companhia de “negativa” para “estável”, mantendo a nota de força financeira em A- (excelente) e a classificação de crédito de emissor de longo prazo em “a-” (excelente).
Em comunicado sobre a revisão, a AM Best afirmou que a decisão foi motivada pela expectativa de que o balanço patrimonial da empresa permanecerá em níveis mais fortes, apoiada por uma tendência de melhoria no seu desempenho operacional.
Além disso, a agência especializada em seguros e resseguros considerou os benefícios das iniciativas implementadas pela administração da IRB. Segundo a AM Best, as preocupações com a adequação de capital foram mitigadas “até certo ponto” após a conclusão de uma oferta de capitalização e a melhoria dos níveis de capital ajustado ao risco.
“Ao longo de 2024, a empresa melhorou seu desempenho operacional por meio do refinamento de seu portfólio, o que auxiliou na recuperação de seu desempenho em anos anteriores, apoiado por uma mudança na cultura da empresa”, afirmou a agência.
“A AM Best reconhece que o IRB tomou muitas medidas para reforçar sua estrutura de governança e ERM [gestão de riscos empresariais] e essas melhorias ajudaram a estabilizar suas operações.”
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O IRB manteve uma participação de quase 33% no mercado de resseguros no Brasil até dezembro de 2023, ocupando a 11ª posição no ranking global de resseguros da AM Best.
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Ações do IRB saltaram 64% em agosto
No mês passado, as ações do IRB Brasil (IRBR3) foram o grande destaque no Ibovespa, saltando 64% no mês. A alta nos papéis foi influenciada pelo balanço da resseguradora, que agradou analistas e investidores ao demonstrar resiliência na operação.
Apesar de um aumento de R$ 257 milhões nos custos decorrentes de sinistros adicionais das enchentes do Rio Grande do Sul, além de R$ 107 milhões provisionados para futuros sinistros, a companhia reportou lucro líquido de R$ 65 milhões.
Em um relatório divulgado no mês passado após o balanço, o BTG Pactual avaliou que o segundo trimestre representou uma “redução de risco massiva” para o case de IRB.
Nesta lógica, o banco elevou sua recomendação de “neutra” para “compra”, mirando o preço-alvo de R$ 40 por ação, valor que já foi superado com a cotação atual de R$ 49,76.
A fraude no IRB Brasil (IRBR3)
A empresa manteve sua trajetória de recuperação após a fraude contábil revelada nos resultados financeiros da empresa em 2020 que derrubou as ações da companhia.
Naquele ano, a gestora Squadra Investimentos publicou uma carta com uma análise sobre o balanço da empresa do 3T19 e calculou que, sem a ajuda de itens considerados extraordinários, a companhia na verdade teve um prejuízo de R$ 112 milhões no período.
Meses após a divulgação da carta, o IRB confirmou a existência de inconsistências contábeis e precisou passar por duas capitalizações. Como resultado, as ações da resseguradora desabaram e ainda acumulam perdas de mais de 90% desde então na B3.
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