Casamento cancelado: Após três ofertas rejeitadas, BHP desiste de comprar rival Anglo American
União das duas gigantes criaria a maior mineradora do mundo, controlando 10% do mercado global de minério de ferro

A BHP bem que tentou conquistar a rival, mas a Anglo American não deu o braço a torcer e a possível fusão entre as gigantes do setor de mineração fracassou. A companhia australiana informou nesta quarta-feira (29) que desistiu de fazer uma nova proposta para comprar a Anglo.
Após negar as três propostas feitas pela BHP nas últimas semanas, a Anglo havia rejeitado hoje um novo pedido da australiana para prorrogar o prazo de negociação para uma nova oferta de compra. Com isso, a australiana teria que desistir do negócio ou esperar seis meses para fazer outra tentativa.
Ao pedir um novo prazo, a BHP, maior mineradora do mundo, divulgou uma série de medidas para tentar amenizar as preocupações da Anglo sobre os termos do acordo e, quem sabe, amolecer o coração da rival, que agiu de forma relutante nas negociações.
Em resposta, a Anglo disse que a oferta de US$ 49 bilhões da BHP “não aborda suficientemente o fato de que os acionistas da Anglo arcariam com os riscos de execução e valor desproporcionais e incertezas durante um período prolongado”.
Em comunicado, Mike Henry, presidente da BHP, disse que “embora acreditássemos que a nossa proposta para a Anglo American era uma oportunidade convincente para efetivamente aumentar o valor para ambos os grupos de acionistas, não conseguimos chegar a um acordo”.
O que dizia o acordo
O acordo abrangia uma oferta por todas as ações da Anglo, avaliadas em US$ 49,87 bilhões. Além disso, exige que a mineradora com sede em Londres conclua as cisões de toda a sua participação acionária nas subsidiárias Anglo American Platinum e Kumba Iron One — uma condição que a Anglo disse ter riscos de execução significativos. Além da proposta financeira, havia ainda questões sobre a regulação no mercado na África do Sul.
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Fundada em Joanesburgo, em 1917, a Anglo emprega mais de 40 mil sul-africanos. Em abril, o presidente do conselho da mineradora, Stuart Chambers, disse que a estrutura de proposta de megafusão cria “incerteza substancial e risco de execução suportado quase inteiramente pela Anglo American e seus acionistas”.
Antes do novo anúncio, a BHP havia informado que estava pronta para oferecer uma taxa de rescisão à Anglo caso o negócio fosse bloqueado por questões regulatórias. Também se comprometeu a construir um centro de formação na África do Sul e a promover o país como um destino minerador, bem como a apoiar as compras locais.
Troca de farpas
Na semana passada, a Anglo rejeitou a terceira proposta feita pela australiana. A nova tentativa ocorreu menos de duas semanas após a segunda oferta, que foi de US$ 42,6 bilhões. O CEO da BHP, Mike Henry, disse que a empresa ficou “desapontada” por ter sua segunda proposta rejeitada.
A companhia fundada em Joanesburgo, no entanto, estendeu por sete dias o prazo para que a BHP fizesse uma nova proposta. Com o prazo terminado nesta quarta-feira, a BHP pediu um novo prazo para as negociações, que foi negado pela rival.
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A primeira proposta feita pela BHP aconteceu no final de abril. À época, a mineradora australiana ofereceu quase US$ 39 bilhões. O conselho de administração da companhia recusou por unanimidade a proposta da BHP por entender que o acordo “subestima significativamente a Anglo American e suas perspectivas futuras”, segundo comunicado ao mercado. Além disso, o acordo seria “extremamente pouco atraente” para os acionistas.
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