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A operação pode levar a uma diluição de até 15,3440% para os acionistas da 3R Petroleum que não colocarem mais dinheiro no aumento de capital
O receio de parte do mercado de que a 3R Petroleum (RRRP3) precisaria de mais dinheiro para fazer frente ao plano de investimentos e aquisições de campos de petróleo se concretizou.
A companhia anunciou no domingo à noite a intenção de captar entre R$ 600 milhões e R$ 900 milhões em um aumento de capital privado — ou seja, destinado inicialmente aos acionistas.
A 3R Petroleum definiu o preço por ação em R$ 24,45. O valor representa um desconto de 25,6% em relação à cotação de fechamento de sexta-feira na B3 (R$ 32,87).
A adesão não é obrigatória, mas quem não colocar mais dinheiro no aumento de capital pode sofrer uma diluição de até 15,3440%.
A primeira reação do mercado ao anúncio é bem negativa. Logo após a abertura, as ações RRRP3 despencavam 15,55%, cotadas a R$ 27,76. “O anúncio nos pegou desprevenidos, não previmos que a 3R teria necessidade de capital extra no curto prazo”, escreveram os analistas do Itaú BBA, em relatório.
Mas por que a 3R Petroleum decidiu pedir mais dinheiro aos acionistas? A companhia justifica o aumento de capital para aumentar a posição de caixa, otimizar a estrutura de capital e reduzir alavancagem e fazer frente às despesas e aos investimentos.
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No mercado, havia a expectativa de que a companhia precisasse de mais recursos após a aquisição do Polo Potiguar da Petrobras. A 3R fechou a compra do ativo no início do ano passado por US$ 1,3 bilhão (R$ 6,38 bilhões).
Mas como a companhia conseguiu viabilizar o negócio via financiamento e emissão de debêntures, esse receio diminuiu. Ainda assim, na última teleconferência de resultados, o CEO da 3R, Matheus Dias, já havia sinalizado que a companhia estava "atenta a alternativas que venham a otimizar nossa estrutura de capital".
No fim do ano passado, a 3R Petroleum contava com US$ 159 milhões no caixa, uma redução US$ 86 milhões em relação ao terceiro trimestre.
Vale lembrar que a compra do Polo Potiguar chegou a ser suspensa pela Petrobras. Mas a estatal posteriormente decidiu levar adiante as vendas de ativos com contratos assinados.
O direito de preferência para os acionistas da 3R Petroleum aderirem ao aumento de capital vai do dia 20 de abril a 22 de maio. Para ter direito a participar da operação, é preciso ter ações da 3R nesta quarta-feira, dia 19. Ou seja, os papéis ficam "ex" a partir do dia 20.
Em conferência com analistas e investidores para explicar o aumento de capital, o diretor financeiro e de relações com investidores, Rodrigo Pizarro, avaliou que a expectativa é de grande participação dos acionistas.
Aliás, a definição do desconto no preço por ação em relação às cotações na B3 foi justamente para estimular a adesão, de acordo com o diretor. Ou seja, a empresa não espera que o aumento de capital conte com sobras.
A opção pelo aumento de capital privado se deu em consequência do momento atual de mercado, segundo Pizarro. A ideia foi evitar o mercado de crédito, que sofre com os desdobramentos do caso Americanas, e não depender de bancos e dos custos envolvidos no caso de uma oferta pública de ações.
A alternativa pela dívida também seria mais arriscada em um eventual cenário de queda do preço do petróleo, segundo o diretor.
A expectativa é que a conclusão do aumento de capital coincida com o fechamento da aquisição do Polo Potiguar, ainda de acordo com o diretor da 3R.
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