A guerra no Oriente Médio vai mexer no preço da gasolina? Petrobras (PETR4) diz ter estratégia capaz de mitigar impacto
De acordo com o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, a estratégia da empresa compensa a volatilidade dos preços do petróleo
A atual estratégia comercial da Petrobras (PETR4) vai ajudar a mitigar uma eventual disparada no valor dos derivados petróleo, principalmente do diesel.
A afirmação foi feita pelo presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, ao comentar a volatilidade nas cotações do barril de petróleo com a eclosão de um conflito no Oriente Médio.
No governo Luiz Inácio Lula da Silva, a Petrobras abandonou a política de paridade de preço internacional (PPI), criada no governo de Michel Temer e que considerava as cotações do petróleo no mercado externo.
Diesel preocupa mais que a gasolina
"Provavelmente vamos ter mais volatilidade no preço, o que vai salientar de novo a utilidade da política de preços que a gente tem colocado em prática com o governo federal", disse, ao chegar a evento promovido pelo consulado da Noruega no Copacabana Palace, no Rio.
Prates destacou especialmente uma possível aceleração no preço do diesel, mas disse que ainda é preciso acompanhar o desenrolar dos acontecimentos.
"Não tem de fazer muito mais do que a gente está fazendo, tem de ir acompanhando os preços, principalmente do diesel, e ir se organizando", explicou. "Isso não quer dizer que vamos fazer ajuste o tempo todo."
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O conflito atual em Israel se soma à recente decisão dos governos de Rússia e Arábia Saudita de reduzirem a produção de petróleo, numa tentativa de forçar a subida dos preços.
Juntos, os dois países respondem por uma redução de 1,3 milhão de barris por dia.
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Combinação perversa
O atual cenário global resulta em uma combinação perversa: queda na produção com aumento da demanda, sobretudo vinda da China.
"A ficha do mercado caiu", afirma Walter de Vitto, economista e sócio da Tendências Consultoria.
"O mercado ficou deficitário. Está se consumindo mais do que produzindo. Isso vai levar a um enxugamento de estoques neste segundo semestre, e os preços estão refletindo esse cenário."
"Depois da pandemia, a Opep fez cortes para ajustar o mercado. Houve um descasamento muito grande entre demanda e oferta naquele momento, e acumulou-se muito estoque", lembra o economista.
"Quando os estoques recuaram e estavam num nível de maior equilíbrio, (os países) começaram a aumentar a produção."
Por ora, a expectativa é de que os preços do petróleo fiquem mais pressionados no curto prazo, mas há uma tendência de arrefecimento na cotação.
Especialista não vê Petrobras segurando preços como nos tempos de Dilma
Em dezembro, a consultoria estima um relaxamento do corte de produção e também trabalha com uma expectativa da queda da demanda diante da esperada desaceleração da economia mundial em 2024.
"Os estoques devem refletir um cenário de maior equilíbrio do mercado", afirma de Vitto.
O analista não acredita que a atual administração da Petrobras adote uma política parecida com a do governo Dilma Rousseff, de segurar repasses de preços e que provoca um descasamento muito grande com o cenário internacional.
O último reajuste da companhia foi em 16 de agosto.
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