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IPCA acima do esperado e Bolsa Família fora do teto de gastos pressionam juros e elevam remuneração de títulos prefixados e atrelados à inflação

A pressão sobre os juros futuros de um mercado assustado com a possível queda na responsabilidade fiscal do governo recém-eleito jogou as taxas dos títulos públicos, negociados via Tesouro Direto, lá para cima, nesta quinta-feira (10).
Com isso, os títulos Tesouro IPCA+, que pagam uma remuneração acima da inflação, voltaram a pagar mais de 6% ao ano mais IPCA em todos os vencimentos, um patamar historicamente convidativo para a compra desses papéis.
Esses títulos, por sinal, vinham sendo um pouco deixados de lado pelo investidor, uma vez que o índice de inflação oficial vinha apresentando queda nos últimos meses. Mas o IPCA de outubro mostrou que o dragão inflacionário está bem vivo, exibindo variação positiva de 0,59%, acima da expectativa do mercado de 0,49%.
Ou seja, hoje o investidor pessoa física voltou a ter a oportunidade de se proteger contra a inflação e ainda garantir um retorno real de mais de 6% ao ano por prazos bastante longos, se assim desejar - o vencimento mais curto de Tesouro IPCA+ negociado no Tesouro Direto é em 2026, e o mais longo é em 2055.
Lembre-se apenas de que o retorno contratado na hora da compra desses títulos só é garantido para quem ficar com os papéis até o vencimento; vendas antes do fim do prazo são feitas pelos preços de mercado, e estes variam conforme as expectativas para as taxas de juros, podendo ser superiores ou inferiores aos preços de compra do título. Assim, é possível ter ganhos ou perdas com a venda antecipada.
A alta dos juros futuros também puxou para cima a remuneração dos títulos prefixados, os chamados Tesouro Prefixado, que agora voltaram a pagar acima de 12% ao ano em todos os vencimentos - aquele 1% ao mês que o brasileiro tanto gosta. A rentabilidade desses papéis havia chegado a cair para a faixa de 11% ao ano recentemente.
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Além do IPCA de outubro, que surpreendeu para cima e pressiona os juros futuros de prazos mais curtos, os juros longos avançam com uma sinalização negativa dada pelo governo de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva: a possível retirada permanente dos gastos com o Bolsa Família do teto de gastos, elevando o risco fiscal do país.
Mais cedo, a alta volatilidade no mercado de juros chegou a levar a uma paralisação nas negociações dos títulos prefixados e atrelados à inflação no Tesouro Direto, como é praxe acontecer quando a oscilação do mercado fica muito forte.
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