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A empresa calcula que, sem novos investimentos relevantes no curto prazo após a venda de parte do portfólio para a Brookfield, seu capital social se tornará excessivo e optou restituir os investidores
A BR Properties (BRPR3) está prestes a encher o caixa após a venda de cerca de 80% de seu portfólio para a Brookfield. Enquanto aguarda a conclusão da operação — e a chegada do pagamento — a companhia já sabe o que fará com o dinheiro.
A prioridade será amortizar todas as emissões de dívidas, transformando a posição de dívida líquida em uma de caixa líquido. Mas a empresa calcula que, sem novos investimentos relevantes no curto prazo, o capital
social se tornará excessivo. Na prática, o caixa estará gordo demais.
Considerando o cenário, o conselho de administração da BR Properties decidiu que o melhor a se fazer é restituir aos acionistas parte dessa quantia por meio de uma redução de capital de R$ 1,125 bilhão sem o cancelamento de ações.
Segundo fato relevante divulgado nesta terça-feira (6), a companhia do setor imobiliário convocará uma assembleia geral ordinária, marcada para 28 de julho, para que os investidores possam deliberar a proposta da operação.
A empresa estima que pagará o equivalente a R$ 2,423298 por papel, considerando pouco mais de 464,2 milhões de ações (sem contar as mantidas em tesouraria), aos acionistas.
Se a proposta for aprovada, a BR Properties informará o procedimento adotado para a restituição posteriormente, assim como o montante exato, data de pagamento e quando as ações começarão a ser negociadas "ex-restituição".
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Vale destacar que a operação só será possível caso a venda de parte do portfólio para o fundo canadense seja aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e concluída.
A Brookfield pagará cerca de R$ 5,9 bilhões por 12 imóveis comerciais da empresa em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília — incluindo a Torre B do JK Iguatemi, o mais famoso deles.
De acordo com os termos da negociação, a companhia receberá 70% da soma total no fechamento da aquisição de cada um dos imóveis. Os 30% restantes serão pagos 12 meses após essa data.
Além de representar um movimento importante no atual cenário macroeconômico brasileiro, a transação marca a saída de boa parte do capital do fundo soberano de Abu Dhabi (ADIA) da empresa.
O ADIA investiu no ativo há seis anos por meio do GP Capital Partners VI — que detém 60% da empresa —, mas já vinha dando indícios de que pretendia se desfazer de seu portfólio no país.
Segundo informações do Brazil Journal, o fundo árabe zerou posições em quase 30 empresas da B3 e encerrou as operações do time de análise dedicado à América Latina.
Antes de receber a proposta da Brookfield, os gestores consideraram duas opções: fechar o capital da BR Properties ou vender os ativos separadamente.
A primeira alternativa foi descartada porque exigiria a injeção de capital na empresa. Já a segunda demandaria um grande esforço de negociação e poderia terminar com ofertas apenas para os principais imóveis da carteira.
É importante destacar que, durante o primeiro trimestre, as ações da companhia operaram com um desconto de 41% em relação ao Valor Patrimonial Líquido (NAV). Ou seja, as cotações ficaram bem abaixo do valor intrínseco do negócio.
Por isso, a transação com o fundo canadense chegou na hora certa para arrematar, de uma só vez, boa parte do portfólio.
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