Moura Dubeux (MDNE3) sobe 4% hoje e o Santander diz que a incorporadora líder no Nordeste pode se valorizar muito mais; entenda
A divisão de investimentos do banco iniciou hoje a cobertura dos papéis da empresa com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 9,50

A solidão, apesar de normalmente ser encarada como algo ruim, também tem suas vantagens. Para os introvertidos, por exemplo, traz paz. Já para a Moura Dubeux (MDNE3), ela representa a dominância em um mercado sem competidores de grande porte.
A exposição da incorporadora a regiões pouco disputadas e a liderança no mercado imobiliário nordestino são dois pontos centrais na tese de investimento do Santander, que iniciou nesta segunda-feira (1) a cobertura da companhia com recomendação de compra.
Os analistas da divisão de investimento destacam que, com um valuation de 0.4x P/VPA, a Moura Dubeux está “barata” — o indicador mostra o desconto que um ativo oferece quando confrontado com seu valor patrimonial. Para o Santander, a ação pode chegar a R$ 9,50 neste ano.
O preço-alvo ainda está longe da cotação que a empresa exibia quando chegou à bolsa, valendo R$ 19 por ação, em fevereiro de 2020. Ainda assim, implica em um potencial de alta de 72,1% em relação à cotação atual dos papéis, que saltam 4,15% hoje, a R$ 5,52. Ao longo da tarde, as ações perderam um pouco do fôlego e fecharam com alta de 2,08%, a R$ 5,41.
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Moura Dubeux (MDNE3): a estrela solitária
A Moura Dubeux (MDNE3) nem sempre foi uma estrela solitária brilhando no mercado imobiliário nordestino. Conforme já te contamos aqui, no passado, nomes famosos do sudeste marcaram presença na região.
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Cyrela, Rossi, Tecnisa e outras companhias de porte desembarcaram por lá após levantarem recursos com aberturas de capital, mas encontraram dificuldades para atuar em um mercado desconhecido.
Já outras empresas como Odebrecht, Queiroz Galvão e OAS deixaram o Nordeste ou restringiram a atuação, na esteira das recuperações judiciais provocadas pelos escândalos de corrupção.
Nesse cenário, o Santander aponta que a Moura consolidou-se como a maior incorporadora de média e alta renda da região, com a capacidade de lançar até R$ 2,5 milhões em VGV (Valor Geral de Vendas) por ano.
Modelo de negócio diferenciado
Além da liderança regional, outra característica da Moura Dubeux (MDNE3) que atrai os analistas é a operação com dois modelos de negócios: a incorporação tradicional e o condomínio.
Enquanto o primeiro entrega margens brutas de 30%, na média, no segundo modelo — no qual os recursos para as obras vêm direto do bolso dos compradores — esse percentual sobe para até 60%, de acordo com informações da empresa.
“O modelo de condomínio é mais resiliente durante a crise econômica, pois é menos propenso a cancelamentos e se beneficia da menor exposição de caixa a nível do projeto”, destaca o Santander.
Veja também: 'Saldão' dos FIIs: os fundos imobiliários mais baratos para investir no 2° semestre de 2022
Tudo em casa
Por falar em diferenciais operacionais, a verticalização dos negócios da Moura Dubeux também rende elogios do time de análises do Santander.
A companhia treina suas equipes de construção e vendas, por exemplo. Segundo o banco, a iniciativa contribui para a eficiência na alocação de custos e despesas.
A mão de obra própria ajuda ainda a reduzir o impacto de um dos vilões das margens de outras companhias do setor: o repasse potencial da alta dos preços ao longo de cadeias terceirizadas.
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