Exercendo o poder: Marfrig (MRFG3) confirma que pretende influenciar na administração da BRF (BRFS3); entenda o caso
Conselho de Administração decidiu que a empresa deverá exercer seus direitos de acionista na BRF, fazendo valer seus interesses no dia a dia da rival

Nunca diga dessa água não beberei. Essa expressão popular passa a ideia de que não devemos desprezar algo, pois podemos mudar de ideia amanhã. Ao que parece, esse é o caso da Marfrig (MRFG3) e da BRF (BRFS3).
A Marfrig, afinal, vem aumentando sua participação no capital da BRF desde o ano passado; atualmente, ela é dona de 33% da rival. Mas, até hoje, a companhia dizia não ter interesse em interferir nos rumos da dona da Sadia e da Perdigão — ao menos, não oficialmente.
Mas, ao que tudo indica, a Marfrig mudou de ideia nesta segunda-feira (21) e irá, sim, beber dessa água. Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa de Marcos Molina informou que passará a exercer seus direitos de acionista na BRF, influenciando a gestão.
Isso significa que a Marfrig apresentará uma chapa de candidatos a serem indicados para o Conselho de Administração na próxima Assembleia Geral da BRF.
A mudança de ideia da Marfrig já era esperada
Embora tenha sinalizado lá atrás que não pretendia influenciar na gestão da BRF, a mudança de postura da Marfrig não pegou todo mundo de surpresa.
Segundo o time de research da Ativa, a Marfrig dificilmente continuaria a ter uma postura passiva na BRF à medida que se aproximasse a Assembleia Geral de Acionistas de 2022.
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“Recentemente, a Marfrig enfrentou oposição de outros acionistas da BRF em decisão relativa ao recente follow on da companhia, o que pode continuar a se repetir com a mudança de postura da Marfrig de acionista passivo para influenciador da gestão”, diz a nota da Ativa.
Relembrar é viver
A Marfrig é a maior acionista da BRF, seguida pelos fundos de pensão do Banco do Brasil e da Petrobras, com 6,13% e 5,26% do capital total, respectivamente. A Kapitalo Investimentos também tem uma participação relevante, de 5,34%, na empresa.
No início do mês, uma oferta subsequente de ações ou follow on da BRF movimentou R$ 5,4 bilhões, em operação voltada apenas para grandes investidores.
A ação teve um desconto de 7,5%, saindo a R$ 20. A oferta principal foi de 270 milhões ações com a opção de venda de um lote extra de 54 milhões de papéis, que não foi exercida.
A Marfrig participou do follow on no valor que já possuía, para não ser diluída nem ampliar fatia. A operação permitia ainda que a Marfrig comprasse mais ações da BRF sem acionar o poison pill - mecanismo que protege os sócios minoritários e exigiria a realização de uma Oferta Pública de Ações (OPA) para a compra dos papéis restantes.
Marfrig, BRF e a reação do mercado
As ações da Marfrig fecharam o dia em queda de 4,57% na B3, cotadas a R$ 21,31. Já os papéis da BRF recuaram 2,55%, cotados a R$ 18,34.
As perdas também foram acompanhadas por outras empresas do setor. A Minerva (BEEF3) baixou 3,04%, cotada a R$ 9,58, enquanto a JBS (JBSS3) teve queda de 1,21%, cotada a R$ 35,86.
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