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O fato relevante com a informação foi divulgado após o fechamento do mercado ontem, quando as ações operaram em forte alta de cerca de 10%, liderando os ganhos do Ibovespa na ocasião
Desde que o Grupo pão de Açúcar (PCAR3) concluiu com sucesso a cisão do seu braço de atacarejo Assaí (ASAI3) na bolsa, os analistas e investidores mais atentos estão na expectativa de que o GPA repita a dose para outros ativos que estão escondidos dentro do seu carrinho.
Além da rede de supermercados que dá nome ao grupo, empresas como o CompreBem, James Delivery, Stix, Cnova e Grupo Éxito também dentro do guarda-chuva, mas ainda são mal precificados pelo mercado, o que alimenta as expectativas de muitos sobre o potencial de valorização dos papéis de PCAR3.
Depois da saída o Assaí, a marca Extra também deixou o portfólio de ativos do GPA, com as operações mais esperadas pelos investidores passando a ser a venda da operação da Cnova, listada na EuroNext, e a do Grupo Éxito, rede de varejo alimentar adquirido em 2019 por R$ 9,5 bilhões e com forte presença na América Latina.
Não é raro que a especulação em torno desses dois aguardados eventos ganhem as manchetes dos cadernos de economia e negócios e movimentem as ações na bolsa de valores, mas na noite de ontem (05), as coisas ganharam ares mais oficiais.
Em fato relevante divulgado após o fechamento do mercado, o GPA (PCAR3) anunciou que pretende realizar a cisão do Grupo Éxito, dando sequência aos estudos já realizados pela companhia. A operação irá disponibilizar quatro ações ou recibos de ações do grupo colombiano para cada ação PCAR3 detida pelos acionistas.
Com isso, o GPA irá reduzir a sua participação de pouco mais de 96% para cerca de 13% até o primeiro semestre de 2023. Agora, a empresa precisa da aprovação dos credores e listagem dos ADRs e BDRs até o fim de 2022 e aguarda as aprovações necessárias até o primeiro trimestre do próximo ano.
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O Grupo Casino, controlador do Pão de Açúcar, terá 34% das ações do grupo colombiano. O fim da cisão será marcado pelo pagamento extraordinário dos dividendos do Grupo Éxito. Segundo os analistas do UBS BB, hoje o GPA tem uma dependência menor dos dividendos herdados do Éxito, já que a venda da marca Extra para o Assaí gerou caixa e ajudou a empresa a melhorar o seu foco no braço de negócios brasileiro.
As ações de desinvestimento não devem parar por aí. O GPA mencionou que deve vender os 13% restantes de sua participação quando as condições de mercado estiverem favoráveis e o interesse em vender os 34% de sua participação na Cnova.
De forma geral, os analistas apontam que o GPA tem potencial de destravar valor aos seus acionistas e veem a cisão de forma positiva.
Para o UBS BB, o aumento de liquidez das ações do Éxito, listadas na Colômbia, deve favorecer a precificação do ativo. De acordo com cálculos do Bradesco BBI, a conclusão da cisão pode gerar até R$ 4,1 bilhões em ganho de valor de mercado para os acionistas do GPA — algo ao redor de R$ 15 por ação — e melhorar os múltiplos atuais da companhia.
Mas ainda existem dúvidas sobre a operação. A primeira, é se existirá um bom momento de mercado para realizar a oferta. As demais envolvem a capacidade de se precificar de forma justa os ativos.
Os analistas da XP Investimentos concordam que a operação deve destravar valor ao acionista, mas estão preocupados com a liquidez do papel na Colômbia, uma preocupação que só deve ser resolvido no médio prazo e que é compartilhada com o Goldman Sachs.
“Acreditamos que as ADRs/BDRs de Éxito devem ter um desconto de liquidez, uma vez que o total de ações em circulação seria basicamente composto por acionistas de GPA [...]. Apesar disso, vemos o Grupo Éxito como um ativo defensivo para se ter, com sólido posicionamento de mercado, com crescimento e rentabilidade”. — XP Investimentos
Os múltiplos descontados do Éxito na bolsa colombiana, no entanto, tendem a reduzir os riscos de queda, segundo o BBI.
Para o Bank of America, outra preocupação a ser levada em conta é a percepção de risco político na Colômbia, já que os esforços para restringir a participação estrangeira em empresas locais pode depreciar o valor do Éxito após a operação. A precificação justa do papel, aliás, é citado pelo Credit Suisse como um risco.
Apesar da tão aguardada operação ser bem vista pelo mercado, as ações do Grupo Pão de Açúcar operaram em forte queda nesta terça-feira (06).
Por volta das 15h, os papéis recuavam 3,21%, aos R$ 22,94. Na mínima do dia, os ativos chegaram a valer R$ 22,96. As ações acabaram fechando em baixa de 4,73%, cotadas a R$ 22,58.
As incertezas que ainda rondam o modelo proposto para cisão pode ser uma das razões . Mas não dá para deixar de citar o comportamento visto nos papéis nos últimos dias — principalmente o pregão da última segunda-feira (05), dia em que o GPA anunciou que irá seguir com a transação.
O fato relevante com a informação foi divulgado após o fechamento do mercado, mas ao longo de todo o dia as ações operaram em forte alta de cerca de 10%, liderando os ganhos do Ibovespa. Questionada sobre as movimentações atípicas com os papéis, o Grupo Pão de Açúcar disse não ter conhecimento de dados que não tenham sido divulgados.
Os analistas do Bradesco BBI, no entanto, lembram que o anúncio da cisão entre GPA e Assaí também não foi recebido positivamente de forma imediata, mas foi o gatilho que fez a companhia se valorizar mais de 30% em pouco mais de um mês.
Vale destacar que a cisão das empresas que hoje existem dentro do guarda-chuva do GPA não foi a única especulação alimentada nos últimos dias nos corredores do mercado.
Na semana passada, uma publicação do Broadcast disse que o empresário Abílio Diniz poderia estar interessado na compra dos ativos detidos pelo grupo francês Casino, controlador do GPA. A empresa negou as negociações. Nos últimos 30 dias, os papéis de PCAR3 acumulam ganhos de 40%. No ano, as perdas ainda ultrapassam chegam a quase 20%.
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