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Com pouco mais de um ano desde a abertura de capital, a GetNinjas registra uma queda de 60,27% nos últimos 12 meses. Contudo, a empresa planeja se tornar uma empresa pagadora de dividendos em breve
A GetNinjas (NINJ3) tem provado o mesmo sabor amargo que as grandes empresas de tecnologia estão sentindo. Com a alta dos juros, a plataforma — que funciona como um intermediária para a prestação de serviços —, tem acumulado baixas na bolsa de valores.
Com pouco mais de um ano desde a abertura de capital, a GetNinjas registra uma queda de 60,27% nos últimos 12 meses. Contudo, a empresa planeja se tornar uma empresa pagadora de dividendos em breve.
“Estamos investindo, prejuízo da empresa neste ano até agora já é menor que 2021 e estamos próximos de atingir o breakeven (equilíbrio de contas, ou seja, quando a empresa passa a ter lucro)”, disse Eduardo L’Hotellier, CEO da GetNinjas, em entrevista ao Seu Dinheiro.
Segundo ele, a empresa projeta obter lucro em 2023 e, possivelmente, começar a pagar dividendos aos acionistas a partir de 2024. “A companhia tem composição financeira sólida e a gente está preparado para enfrentar o cenário econômico adverso, que pode durar mais um ou dois anos”, afirmou o executivo, ao assegurar que a GetNinjas tem um caixa na ordem dos R$ 200 milhões.
Nos últimos anos, o Brasil vivenciou um ‘boom’ de startups, mas esse movimento teve a força reduzida com o surgimento da pandemia e o agravamento da crise econômica mundial.
A fonte da abertura de capital na bolsa de valores também fechou: desde setembro de 2021, nenhuma empresa brasileira abriu capital na bolsa.
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E foi justamente em 2021, no mês de maio — quando a taxa de juros ainda estava em torno dos 2% ao ano —, a GetNinjas, fez o seu IPO. E L’Hotellier diz que a oferta pública, de R$ 550 milhões, foi um passo acertado.
“Ainda havia um cenário de muito fluxo de capital, tinha demanda por esse tipo de investimento. Então, se não fosse em maio de 2021, não teríamos feito [o IPO] um ano antes e nem poderíamos fazer um ano depois. Acertamos o timing”, disse o executivo, que palestrou na Conferência Anual de Startups e Empreendedorismo.
O cenário macroeconômico, favorável até então, fez com que a companhia ajustasse as contas nos últimos meses. A GetNinjas encerrou o terceiro trimestre deste ano com uma queda de 13% na receita líquida na comparação anual, a R$ 14,3 milhões.
Por outro lado, o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, amortizações e depreciação) ajustado foi negativo em R$ 9,1 milhões, uma melhora em R$ 4,7 milhões em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o relatório de resultados do terceiro trimestre.
Nos últimos 12 meses, as ações da GetNinjas, sob o ticker NINJ3, acumulam queda de 60,27%. No pregão desta sexta-feira (18), os papéis da companhia encerraram o dia em alta de 5,20%, a R$ 2,63, favorecidos pela queda na curva dos juros futuros (DIs).
Assim como a maioria das startups e empresas de tecnologia, a GetNinjas também passou por uma reestruturação interna nos últimos meses. Os investimentos em marketing foram reduzidos e houve corte na folha de pagamentos para a contenção de custos.
No terceiro trimestre deste ano, por exemplo, a área de marketing sofreu uma redução de 26% de recursos em relação ao mesmo período de 2021. O número de desligamentos no quadro de funcionários não foi informado.
“Estamos fazendo ajustes em algumas áreas e priorizando projetos que trarão mais retorno, como a melhoria da usabilidade e segurança”, disse o CEO da GetNinjas.
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