Ibovespa sobe e ultrapassa os 103 mil pontos, enquanto dólar passa por forte alívio global
IPCA vem acima do esperado, mas mercado só quis saber da fala do presidente do Fed ao Congresso americano

A expectativa em torno da fala do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, enfim teve fim no início da tarde desta terça-feira (11). A sabatina do responsável pela política monetária americana no Congresso terminou sem surpresas, o que abriu espaço para os mercados engatarem num ritmo mais positivo.
As bolsas americanas, que abriram em baixa e depois passaram a operar com indicadores mistos, viraram para alta; as bolsas europeias fecharam no azul, e o Ibovespa, que já operava no campo positivo desde a abertura, ampliou os ganhos.
Há pouco, o Dow Jones subia 0,39%, o S&P 500 tinha alta de 0,68%, e o Nasdaq avançava 1,22%. Por volta das 17h, o Ibovespa tinha ganhos de 1,66%, a 103.642, impulsionado sobretudo pelas commodities. Já o dólar à vista fechou em baixa de 1,67%, a R$ 5,5798, no contexto de um amplo enfraquecimento global da moeda americana.
Ao Congresso americano, Powell se mostrou duro contra a inflação, mas sem novidades em relação à ata da última reunião do Fed, que mexeu com os mercados na semana passada.
Assim, não houve pressão extra sobre os juros dos Treasuries, os títulos do Tesouro americano, cujos retornos vêm subindo nos últimos dias, diante da expectativa de um aperto monetário acima do esperado inicialmente.
A surpresa negativa com o IPCA, divulgado pela manhã, também não chegou a pressionar os juros, ratificando o consenso do mercado de que o Banco Central deve aumentar a Selic em 1,5 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom, conforme sinalizado no último encontro.
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Veja o fechamento dos principais vencimentos dos contratos de DI:
- Janeiro/23: queda de 12,082% para 12,025%;
- Janeiro/25: alta de 11,508% para 11,525%;
- Janeiro/27: alta de 11,392% para 11,45%.
[captacao]
Powell em foco
O presidente do Fed, Jerome Powell, testemunhou no Congresso americano após ser reconduzido ao cargo de chefia do Federal Reserve.
Seu discurso foi duro contra a inflação, mas sem novidades em relação à ata da última reunião da autoridade monetária, que mexeu com os mercados na semana passada.
Mais cedo, mais dois dirigentes do Fed se mostraram favoráveis ao aperto monetário mais rígido que vem sendo promovido pelo banco central americano.
A presidente da distrital do Fed em Cleveland, Loretta Mester, reconheceu que a inflação nos EUA está muito alta e que ações devem ser tomadas para reduzi-la.
Já o presidente da regional de Atlanta, Raphael Bostic, se disse aberto à possibilidade de elevar juros já em março.
IPCA de pior qualidade
A bolsa brasileira consegue manter o fôlego apesar dos números de inflação negativos divulgados mais cedo pelo IBGE. O IPCA de dezembro foi de 0,73%, abaixo dos 0,95% de novembro, mas acima dos 0,65% da mediana das estimativas colhidas pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Estadão.
Assim, a inflação oficial fechou 2021 em 10,06%, maior taxa desde o crítico ano de 2015, e acima da mediana das estimativas do mercado colhidas pelo Broadcast, de 10,00%. Vale lembrar que a meta de inflação no ano passado era de 3,75%, com tolerância máxima de 5,25%.
Os dados do IPCA divulgados mais cedo pelo IBGE não apenas surpreenderam negativamente, como também mostraram ser de "pior qualidade".
A inflação de serviços passou de uma alta de 0,27% em novembro para 0,79% em dezembro, mostrando uma aceleração das pressões sobre a demanda.
"Além do nível elevado, continuamos assistindo a um processo de disseminação das pressões inflacionárias, particularmente forte nos preços dos bens industriais (1,41%). Como resultado, os núcleos de inflação registraram novas altas, com a média das medidas de núcleo atingindo 0,97% (7,37% em 12 meses)", disse Marcelo Fonseca, economista-chefe do Opportunity Total, em nota.
Entre os destaques que impulsionaram o avanço dos preços estão a alta dos combustíveis, da energia elétrica e da moeda americana. O dólar encerrou 2021 em alta de 7,46% no ano, aos R$ 5,5759.
Minério e petróleo puxam a alta do Ibovespa
A alta das commodities nesta terça-feira continua puxando os preços das ações das empresas exportadoras desses produtos e impulsionando o Ibovespa.
O petróleo WTI para fevereiro subiu 3,85% hoje, a US$ 81,22 o barril, e o Brent para março, referência de preço para a Petrobras, avançou 3,52%, a US$ 83,72. A estatal, além disso, anunciou um aumento nos preços da gasolina e do diesel nesta terça, o que contribui para a alta das ações.
Perto das 17h, as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) subiam 4,04%, a R$ 31,96, e as preferenciais (PETR4) avançavam 3,25%, a R$ 28,92.
No lado do minério de ferro, as ações da Vale e das siderúrgicas também sobem forte hoje, apesar da onda de paralisação da produção do minério de ferro devido às chuvas em Minas Gerais.
O preço da commodity subiu 2,74%, a US$ 129,17 a tonelada, no porto chinês de Qingdao, nesta terça-feira. Perto das 17h, as ações da Vale (VALE3) tinham alta de 2,27%, a R$ 84,88, enquanto as da Usiminas (USIM5) subiam 5,98%, a R$ 16,30, as da Gerdau (GGBR4) tinham ganhos de 2,32%, a R$ 28,22, e as da Metalúrgica Gerdau (GOAU4) avançavam 2,27%, a R$ 11,69.
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