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Em tom mais duro do que o usual, chefe do principal banco central do mundo vai à caça de uma inflação galopante em um movimento que afetará bolsas e empresas globais

Segurem-se em suas cadeiras: um aperto monetário mais agressivo nos Estados Unidos vem aí. Se alguém ainda tinha alguma dúvida disso, ela acabou hoje com o depoimento do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, ao comitê bancário do Senado norte-americano.
O chefe do principal banco central do mundo foi claro em seu recado aos investidores: se a inflação seguir em nível mais elevado do que o tolerável por mais tempo, o Fed não só vai elevar os juros, hoje perto de zero, como aumentará a taxa básica mais vezes do que o previsto.
Ele foi além: com o fim das compras de ativos da era pandêmica, os juros vão subir o quanto for necessário para conter a inflação, e o balanço patrimonial do Fed - atualmente perto de US$ 9 trilhões - vai ser enxugado.
Ao investidor, a mensagem é uma só: ninguém estará livre dos efeitos de um aperto monetário mais agressivo do que o esperado a considerar a menor a atratividade de mercados mais arriscados como Brasil, o aumento de custos para empresas e o impacto sobre as ações.
As declarações de Powell desta terça-feira (11) estão em linha com a divulgação na semana passada da ata da reunião de dezembro. O documento, que pegou todo mundo de surpresa, indicou que a era de dinheiro farto promovido pelo Fed desde março de 2020, no auge da pandemia, está mais perto do fim do que se esperava.
“Se tudo acontecer como previsto, as compras de ativos vão acabar em março, vamos elevar a taxa de juros e, na sequência, perto do final do ano, vamos equilibrar nosso balanço patrimonial”, disse Powell hoje aos senadores.
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“Esse é o cenário geral que vejo acontecer, mas o comitê não tem nenhuma decisão predeterminada”, acrescentou ele em um sinal de que se for preciso, o aperto monetário nos Estados Unidos pode ser maior e mais rápido do que o projetado para conter a inflação galopante.
As últimas projeções dos participantes do comitê de política monetária do Fed - representadas pelo famoso gráfico de pontos ou dot plot - indicam que a taxa de juros, hoje na faixa entre zero e 0,25% ao ano - deve subir três vezes em 2022.
Essa é a média das projeções, mas alguns dirigentes do Fed já veem mais aumentos dos juros neste ano. E não só eles enxergam essa possibilidade. O Goldman Sachs, por exemplo, passou a prever quatro aumentos na taxa básica em 2022, adicionando um aumento em dezembro à sua previsão anterior de elevação em março, junho e setembro.
“A economia norte-americana não precisa mais do nível de acomodação oferecido no auge da crise pandêmica. A recuperação do mercado de trabalho e a disparada de preços são sinais disso, mas ainda estamos longe do nível da política monetária considerada normalizada”, afirmou Powell.
O que o Fed, a ata e Powell estão dizendo é que os mercados financeiros terão, a partir de agora, que andar com as próprias pernas.
Quando anunciou, em novembro do ano passado, que acabaria com as aquisições de ativos até março deste ano, o banco central norte-americano estava soltando as mãos dos investidores ao deixar de injetar mensalmente bilhões de dólares na forma de compras de títulos lastreados em hipotecas ou mbs e títulos do Tesouro.
Como alguém que está aprendendo a pedalar, uma das rodinhas da bicicleta será retirada com o aumento da taxa de juros e a outra rodinha, quando o balanço patrimonial for enxugado.
Na prática, a redução do balanço patrimonial significa que o Fed passará a vender títulos no mercado e não mais comprar, retirando mais bilhões de dólares que são usados para fornecer liquidez e condições financeiras extremamente favoráveis.
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