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Na rodada mais recente de dados financeiros, a resseguradora tirou uma carta especial da manga e voltou a exibir resultados positivos
No jogo de tabuleiro da bolsa de valores, o IRB Brasil (IRBR3), teve de voltar muitas casas para trás quando foi exposta uma série de fraudes contábeis bilionárias no financeiro da empresa. Mais de um ano e meio após a descoberta, a resseguradora ainda luta para, pouco a pouco, reconquistar o terreno perdido.
Na rodada mais recente dos dados, a empresa tirou uma carta especial da manga e voltou a exibir resultados positivos. É o que indica o relatório mensal enviado à Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Após a vitória em uma ação judicial de R$ 129,4 milhões ligada ao PIS/PASEP, a companhia registrou lucro líquido de R$ 84,8 milhões em agosto.
Com o desempenho, o IRB também avança algumas casas no resultado anual. Até agora, a resseguradora acumula prejuízo de R$ 168,9 milhões em 2021. A redução de perdas é de 77% na comparação com os R$ 734 milhões negativos observados no mesmo período do ano passado.
Em um dia normal nos mercados, a notícia poderia garantir um gás para impulsionar as ações da empresa na B3. E elas até começaram o dia no azul, mas, com o Ibovespa ainda sentindo os efeitos da ameaça ao teto de gastos, o lucro animou apenas o suficiente para evitar uma queda ainda maior do que a do principal índice acionário brasileiro.
Entretanto, até o final do pregão, IRBR3 aprofundou as perdas e fechou com queda superior à do Ibovespa, com desempenho negativo de 3,26%, a R$ 5,05.
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Além do lucro, o relatório mensal também traz indicadores do desempenho operacional da resseguradora. Os prêmios emitidos em agosto chegaram a R$ 750,5 milhões, alta de 7,6% em relação a um ano atrás. Do total, R$ 454,7 milhões foram registrados no Brasil e R$ 295,8 milhões no exterior.
Já no acumulado anual, o resultado é 11,4% menor que o de 2020. Foram emitidos R$ 6 bilhões entre janeiro e agosto desse ano - com R$ 3,6 bilhões no Brasil e R$ 2,334 bilhões no exterior.
Caiu também a despesa com sinistros, como são chamados os acidentes que causam danos a um bem segurado. O indicador marcou R$ 533,7 milhões no mês, queda 10,1% na comparação anual.
Por fim, a despesa de sinistro chegou a R$ 3,7 bilhões em 2021, e a companhia acumula índice de sinistralidade de 87,2% no ano. O resultado é 16,5 pontos percentuais menor na comparação com os oito primeiros meses do ano passado.
Antes de divulgar o resultado mensal, e em outro esforço para reconquistar os investidores, o IRB já havia anunciado a chegada de um novo diretor Vice-Presidente Financeiro e de Relações com Investidores.
Willy Otto Jordan Neto - que já tem mais de 20 anos de experiência na gestão de empresas financeiras e não financeiras - assumirá a posição de CFO assim que a posse for autorizada pela Susep.
Um pouco antes, em setembro, a resseguradora também elegeu seu primeiro diretor-presidente efetivo em seis meses. O executivo escolhido foi Raphael Afonso Godinho de Carvalho, que ostenta um currículo com mais de 30 anos em instituições de grande porte e ampla experiência nos setores financeiro e de seguros.
Vale lembrar que os problemas do IRB Brasil tem origem em uma carta da corretora Squadra que, em fevereiro de 2020, abriu o caminho para a descoberta de fraudes contábeis bilionárias. Desde então, os papéis IRBR3 acumulam perda de mais de 80%, quando eram cotados acima dos R$ 40 por ação.
Para piorar a situação, no mês seguinte os diretores da empresa alegaram que a Berkshire Hathaway, do megainvestidor Warren Buffett, teria aproveitado a queda após o escândalo para comprar ações da resseguradora. A declaração foi desmentida pela holding de investimento poucos dias depois.
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