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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

PEGOU MAL

Balanço do quarto trimestre da Ultrapar não agrada e ações caem quase 8%

Embora o lucro tenha vindo acima da expectativa do mercado, a margem do Ebitda foi pressionada por um desempenho mais fraco de uma das principais subsidiárias da companhia, o Ipiranga.

Jasmine Olga
Jasmine Olga
25 de fevereiro de 2021
15:53 - atualizado às 9:20
Foto de um posto de combustíveis da rede Ipiranga, pertencente ao Grupo Ultra - Ultrapar (UGPA3)
Vista parcial do Posto Ipiranga, localizado na Avenida Sapopemba. - Imagem: Estadão Conteúdo/Vivi Zanatta

Embora o grupo Ultrapar (UGPA3), dono de marcas como Oxiteno, Ipiranga, Extrafarma e Ultracargo, tenha conseguido reverter o prejuízo registrado em 2019, fechando o quarto trimestre de 2020 com um lucro líquido de R$ 431,5 milhões, as ações da companhia tiveram o segundo pior desempenho do Ibovespa em um dia fortemente negativo para o índice. 

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Os analistas estão olhando para além do lucro e preocupados com o desempenho dos principais braços de atuação do grupo. No resultado, divulgado na noite de ontem, a empresa também registrou uma receita líquida de R$ 23,2 bilhões e um EBITDA ajustado de 874,3 bilhões. As ações da companhia fecharam hoje em queda de 7,52%, a R$ 19,68.

O que diz o mercado

Os analistas Gabriel Francisco e Maira Maldonado, da XP Investimentos, destacam como principal ponto negativo o desempenho abaixo do esperado nas subsidiárias Ipiranga e Ultragaz. Os resultados desses braços foram parcialmente cobertos pelos resultados da Oxiteno e da Extrafarma. 

A corretora mantém a recomendação neutra para os papéis, com um preço-alvo de R$ 22, destacando principalmente a deterioração das margens EBITDA/m³ da distribuidora de combustíveis Ipiranga que veio em R$ 75,7/m³ comparado a R$ 100,0/m³ do semestre anterior.

A estimativa da casa era de R$ 90,9/m³ para o período. “Na nossa visão, tal performance ilustra os níveis ainda elevados de competição do setor de distribuição de combustíveis, que acabaram por levar a uma redução estrutural de margens no segmento”. 

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Thiago Duarte e Pedro Soares, do BTG Pactual, também destacam que os números ficaram abaixo do que se esperava, principalmente no setor que mais importava: o de distribuição de combustíveis. O Ebitda apresentado pela companhia veio 5% abaixo do esperado pelo banco, que ressalta que já trabalhava com um número mais baixo que o mercado. 

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O fraco desempenho levou o BTG Pactual a rebaixar a sua recomendação de Compra para Neutra, com um preço-alvo de R$ 24.  No relatório divulgado hoje, os analistas destacam que a Ipiranga segue sendo o principal driver de valor para a Ultrapar, mas o crescimento fica limitado sem uma estratégia mais definida. 

Mesmo diante dos resultados mistos apresentados pela Ultrapar, o analista Frank McGann, do Bank of America, mantém a recomendação de compra para a companhia, com uma visão positiva para a melhora dos números e um preço-alvo de R$ 26,35. "Esperamos que a companhia continue mostrando uma melhora em todos os seus negócios nos próximos trimestres, o que deve contribuir para uma geração de receitas mais sólida". 

O banco destaca a importância do investimento em refinaria proposto pelo grupo, mas lembra que a geração de valor decorrente dele depende do preço do produto final no país, o nível de competição do setor e o grau de investimento da Ultrapar. 

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