Balanço do quarto trimestre da Ultrapar não agrada e ações caem quase 8%
Embora o lucro tenha vindo acima da expectativa do mercado, a margem do Ebitda foi pressionada por um desempenho mais fraco de uma das principais subsidiárias da companhia, o Ipiranga.

Embora o grupo Ultrapar (UGPA3), dono de marcas como Oxiteno, Ipiranga, Extrafarma e Ultracargo, tenha conseguido reverter o prejuízo registrado em 2019, fechando o quarto trimestre de 2020 com um lucro líquido de R$ 431,5 milhões, as ações da companhia tiveram o segundo pior desempenho do Ibovespa em um dia fortemente negativo para o índice.
Os analistas estão olhando para além do lucro e preocupados com o desempenho dos principais braços de atuação do grupo. No resultado, divulgado na noite de ontem, a empresa também registrou uma receita líquida de R$ 23,2 bilhões e um EBITDA ajustado de 874,3 bilhões. As ações da companhia fecharam hoje em queda de 7,52%, a R$ 19,68.
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O que diz o mercado
Os analistas Gabriel Francisco e Maira Maldonado, da XP Investimentos, destacam como principal ponto negativo o desempenho abaixo do esperado nas subsidiárias Ipiranga e Ultragaz. Os resultados desses braços foram parcialmente cobertos pelos resultados da Oxiteno e da Extrafarma.
A corretora mantém a recomendação neutra para os papéis, com um preço-alvo de R$ 22, destacando principalmente a deterioração das margens EBITDA/m³ da distribuidora de combustíveis Ipiranga que veio em R$ 75,7/m³ comparado a R$ 100,0/m³ do semestre anterior.
A estimativa da casa era de R$ 90,9/m³ para o período. “Na nossa visão, tal performance ilustra os níveis ainda elevados de competição do setor de distribuição de combustíveis, que acabaram por levar a uma redução estrutural de margens no segmento”.
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Thiago Duarte e Pedro Soares, do BTG Pactual, também destacam que os números ficaram abaixo do que se esperava, principalmente no setor que mais importava: o de distribuição de combustíveis. O Ebitda apresentado pela companhia veio 5% abaixo do esperado pelo banco, que ressalta que já trabalhava com um número mais baixo que o mercado.
O fraco desempenho levou o BTG Pactual a rebaixar a sua recomendação de Compra para Neutra, com um preço-alvo de R$ 24. No relatório divulgado hoje, os analistas destacam que a Ipiranga segue sendo o principal driver de valor para a Ultrapar, mas o crescimento fica limitado sem uma estratégia mais definida.
Mesmo diante dos resultados mistos apresentados pela Ultrapar, o analista Frank McGann, do Bank of America, mantém a recomendação de compra para a companhia, com uma visão positiva para a melhora dos números e um preço-alvo de R$ 26,35. "Esperamos que a companhia continue mostrando uma melhora em todos os seus negócios nos próximos trimestres, o que deve contribuir para uma geração de receitas mais sólida".
O banco destaca a importância do investimento em refinaria proposto pelo grupo, mas lembra que a geração de valor decorrente dele depende do preço do produto final no país, o nível de competição do setor e o grau de investimento da Ultrapar.
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