🔴 5 TÍTULOS DA RENDA FIXA ‘PREMIUM’ PARA INVESTIR AGORA –  CONHEÇA AQUI

Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

Perdeu a atratividade?

O que será dos fundos imobiliários com o fim da isenção de IR sobre os rendimentos?

Mercado de FII reagiu mal à proposta do governo que tributa rendimentos distribuídos por estes fundos; será que este investimento perde a atratividade se for tributado?

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
30 de junho de 2021
5:30 - atualizado às 11:53
Fundos Imobiliários

Investir em imóveis sem ter que lidar com inquilino e receber aluguel isento de imposto de renda é tudo que o investidor brasileiro pediu a Deus. Mas esse sonho está prestes a ficar menos cor de rosa caso a proposta da equipe econômica do governo Bolsonaro para a tributação de fundos imobiliários saia do papel.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No seu projeto de reforma do imposto de renda, segunda etapa da reforma tributária enviada ao Congresso, o governo instituiu a tributação de 15% sobre os rendimentos distribuídos pelos fundos imobiliários em todos os casos, incluindo aqueles em que os cotistas ficam hoje isentos de IR.

Atualmente, os rendimentos distribuídos pelos fundos imobiliários ficam isentos de imposto de renda para as pessoas físicas, desde que tenham, no mínimo, 50 cotistas e cotas negociadas em bolsa. Além disso, o cotista beneficiado pela isenção não pode ser dono de mais de 10% das cotas do fundo.

Apesar de essa história de tributação já rondar o mercado de FII há um bom tempo, a notícia de que ela foi de fato incluída na proposta de reforma do governo caiu mal. No dia do anúncio, o Índice de Fundos Imobiliários (IFIX) fechou em queda de 2%, mas chegou a cair mais de 3% no pior momento do dia.

Depois de mais um pregão de queda na segunda-feira, ontem o mercado teve uma recuperação parcial das perdas. Mesmo assim, desde sexta o IFIX ainda acumula baixa de 1,26%.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Não dá para negar que a isenção de imposto de renda era um dos principais - se não o principal - chamariz deste mercado para a pessoa física.

Leia Também

Com a queda estrutural da taxa de juros, mais e mais pessoas físicas passaram a procurar investimentos com maior potencial de retorno que a renda fixa tradicional, e sem dúvida a isenção de IR era um fator que contribuía para a rentabilidade dos FII se manter interessante, tanto em relação à taxa básica de juros quanto em relação ao retorno dos títulos públicos atrelados à inflação.

Mas e aí? A tributação dos rendimentos dos fundos imobiliários, comumente chamados também de dividendos, deve prosperar? Devemos de fato ver o fim da isenção a partir de janeiro de 2022, como quer o governo? E se realmente a proposta passar, os FII perdem a sua atratividade? O que será dessa classe de ativos afinal?

Proposta pode sofrer mudanças ou sequer ser aprovada

A tributação de rendimentos distribuídos por fundos imobiliários não é unanimidade no mundo; há isenção em países como Cingapura e Hong Kong, e mesmo nos EUA, onde os dividendos são tributados, há hipóteses de isenção ou possibilidades de abatimento dos ganhos para redução do IR a pagar.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Assim, cobrar IR sobre esses dividendos não é nenhuma prática alienígena, mas mantê-los isentos também não é.

As propostas do governo ainda passarão por uma série de discussões no Congresso, e é possível que ainda sejam bastante modificadas. Não há, portanto, qualquer certeza de que a tributação sobre os rendimentos de FII será aprovada.

É bom lembrar, inclusive, que o potencial arrecadatório com essa tributação é relativamente baixo. “Pelas nossas contas, ficaria em torno de R$ 1,5 bilhão por ano”, diz Caio Araujo, analista de fundos imobiliários da Empiricus.

Considerando que há empresas na bolsa capazes de pagar bilhões em dividendos num ano, a tributação dos proventos de apenas uma delas já seria capaz de superar esta cifra.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Resta saber se o governo e o Congresso estariam dispostos a pôr em prática uma medida que atinge diretamente a classe média em um mercado que é basicamente composto por pessoas físicas.

Distorções

Além disso, a proposta do governo traz uma inconsistência: enquanto que os dividendos de FII seriam tributados, outras fontes de financiamento para o mercado imobiliário, como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Letras de Crédito Imobiliário (LCI), seguiriam isentas.

“Realmente há uma distorção neste ponto. Até porque, se o governo quer incentivar o financiamento imobiliário, a partir do momento em que ele tributa os FII, ele está afetando o mercado de CRI indiretamente, pois os fundos imobiliários são os maiores compradores desses papéis”, pondera Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter.

Ela se diz a favor de uma tributação mais isonômica entre os ativos, mas diz que, no caso do financiamento imobiliário, o mercado ainda é incipiente e necessitaria de estímulo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“A implementação de uma tributação assim de forma repentina, sem escalonamento e sem faixa de isenção, pode ser prejudicial ao mercado. Os juros tendem a cair quando se tiram incentivos tributários do sistema, mas hoje ainda temos um déficit muito grande no setor imobiliário, e este incentivo pode acabar fazendo falta”, avalia.

Perdeu a graça?

Mesmo com a ameaça de tributação rondando o mercado há anos - ou seja, essa possibilidade já era considerada e vinha sendo incorporada nos preços das cotas dos FII na bolsa -, o IFIX ainda registrou um tombo no dia do anúncio da proposta de reforma do governo.

E as quedas podem não ter parado por aí: segundo Caio Araujo, da Empiricus, seria razoável esperar por uma queda de 5% a 10% nos preços dos fundos, dependendo de como a proposta avançar no Congresso.

Afinal, se os rendimentos forem tributados, os preços teriam que “se ajustar para baixo” de modo que os retornos percentuais dos FII, os chamados dividend yields, ainda se mantivessem atrativos ante a remuneração dos títulos públicos de longo prazo atrelados à inflação, notadamente a NTN-B com vencimento em 2035, que servem de referência para o mercado de FII.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mas segundo os especialistas com quem eu conversei, esta desvalorização tende ser um movimento de curto prazo e deve atingir de forma mais dura aqueles segmentos que já estavam com o dividend yield mais achatado.

Afinal, a isenção dos rendimentos não é o único atrativo dos fundos imobiliários para o investidor pessoa física.

“Os fundos contam também com as vantagens da alta liquidez, da profissionalização da gestão do imóvel com custos otimizados, da possibilidade de diversificar o investimento com poucos recursos e de não ter que lidar com os inquilinos ou a burocracia de pôr um imóvel para alugar”, diz Caio Araujo, que julga que o investimento se mantém atrativo para o longo prazo, mesmo sem a isenção.

Rafaela Vitória, do Inter, também ressalta esses pontos, e diz que, mesmo com a tributação, o retorno dos fundos imobiliários, no geral, ainda é maior que o da renda fixa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ela lembra também que, passado esse primeiro momento de decepção dos investidores com o fim do benefício tributário, os FII passarão a ser comparados com outras classes de ativos que também serão, em sua maioria, tributadas. Não é como se os FII tivessem sido prejudicados em relação a outras classes de ativos.

“Uma tributação mais simplificada e transparente pode ser até benéfica no longo prazo”, diz a economista. Ela explica que essa isonomia tributária tende a ser positiva para a economia, permitindo, por exemplo, uma taxa básica de juros estruturalmente mais baixa, o que consequentemente é bom para os investimentos de risco.

Nem tudo é ruim

Além disso, lembra Rafaela Vitória, há um outro detalhe na proposta do governo que tem passado batido nas análises, mas que não deve ser ignorado. Cotistas de fundos que não se enquadram nas regras de isenção atuais têm seus rendimentos de FII tributados em 20% hoje. Com a proposta do governo, este percentual cai para 15%.

“Isso torna o investimento em FII mais atrativo para grandes investidores institucionais, e abre o mercado para não ficar mais tão restrito às pessoas físicas”, diz. Esse tipo de investidor, que movimenta grandes somas, é capaz de dar um impulso ao mercado de FII.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Finalmente, a tributação sobre o ganho de capital com a venda das cotas na bolsa, que hoje é de 20% para todos os investidores, cai para 15% segundo a proposta do governo. Apesar de a pessoa física não comprar e vender cotas de fundos com frequência, não deixa de ser um ponto positivo.

“Agora, o Congresso deveria discutir alternativas para diminuir os impactos da nova tributação para a pessoa física”, diz a economista do Inter.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
DIRETO DA GRINGA

É renda fixa, mas é dos EUA: ETF inédito para investir no Tesouro americano com proteção da variação do dólar chega à B3

28 de agosto de 2025 - 17:44

O T10R11 oferece acesso aos Treasurys de 10 anos dos EUA em reais, com o bônus do diferencial de juros recorde entre Brasil e EUA

FECHAMENTO DOS MERCADOS

Ibovespa sobe 1,32% e crava a 2ª maior pontuação da história; Dow e S&P 500 batem recorde

28 de agosto de 2025 - 12:18

No mercado de câmbio, o dólar à vista terminou o dia com queda de 0,20%, cotado a R$ 5,4064, após dois pregões consecutivos de baixa

INÍCIO DE COBERTURA

FIIs fora do radar? Santander amplia cobertura e recomenda compra de três fundos com potencial de dividendos de até 17%; veja quais são

27 de agosto de 2025 - 16:57

Analistas veem oportunidade nos segmentos de recebíveis imobiliários, híbridos e hedge funds

CORRIDA LOGÍSTICA

Batalha pelo galpão da Renault: duas gestoras disputam o único ativo deste FII, que pode sair do mapa nos dois cenários

26 de agosto de 2025 - 16:34

Zagros Capital e Tellus Investimentos apresentam propostas milionárias para adquirir galpão logístico do VTLT11, locado pela Renault

POTENCIAL DE ALTA

Para o BTG, esta ação já apanhou demais na bolsa e agora revela oportunidade para investidores ‘corajosos’

26 de agosto de 2025 - 15:43

Os analistas já avisam: trata-se de uma tese para aqueles mais tolerantes a riscos; descubra qual é o papel

TOUROS E URSOS #236

Não é uma guerra comercial, é uma guerra geopolítica: CEO da AZ Quest diz o que a estratégia de Trump significa para o Brasil e seus ativos

26 de agosto de 2025 - 11:53

Walter Maciel avalia que as medidas do presidente norte-americano vão além da disputa tarifária — e explica como os brasileiros devem se posicionar diante do novo cenário

ROTAÇÃO DE CARTEIRA

É hora de voltar para as ações brasileiras: expectativa de queda dos juros leva BTG a recomendar saída gradual da renda fixa

25 de agosto de 2025 - 12:50

Cenário se alinha a favor do aumento de risco, com queda da atividade, melhora da inflação e enfraquecimento do dólar

MERCADOS 

Dólar e bolsa sobem no acumulado de uma semana agitada; veja as maiores altas e baixas entre as ações

23 de agosto de 2025 - 13:04

Últimos dias foram marcados pela tensão entre EUA e Brasil e também pela fala de Jerome Powell, do BC norte-americano, sobre a tendência para os juros por lá

PASSOU

Rumo ao Novo Mercado: Acionistas da Copel (CPLE6) aprovam a migração para nível elevado de governança na B3 e a unificação de ações

22 de agosto de 2025 - 19:14

Em fato relevante enviado à CVM, a companhia dará prosseguimento às etapas necessárias para a efetivação da mudança

VISÃO DO GESTOR

“Não acreditamos que seremos bem-sucedidos investindo em Nvidia”, diz Squadra, que aposta nestas ações brasileiras

22 de agosto de 2025 - 18:51

Em carta semestral, a gestora explica as principais teses de investimento e também relata alguns erros pelo caminho

MERCADOS HOJE

Bolsas disparam com Powell e Ibovespa sobe 2,57%; saiba o que agradou tanto os investidores

22 de agosto de 2025 - 12:03

O presidente do Fed deu a declaração mais contundente até agora com relação ao corte de juros e levou o dólar à vista a cair 1% por aqui

VISÃO DO GESTOR

Rogério Xavier revela o ponto decisivo que pode destravar potencial para as ações no Brasil — e conta qual é a aposta da SPX para ‘fugir’ do dólar

20 de agosto de 2025 - 16:10

Na avaliação do sócio da SPX, se o Brasil tomar as decisões certas, o jogo pode virar para o mercado de ações local

FIIS HOJE

Sequóia III Renda Imobiliária (SEQR11) consegue inquilino para imóvel vago há mais de um ano, mas cotas caem

20 de agosto de 2025 - 13:23

O galpão presente no portfólio do FII está localizado na Penha, no Rio de Janeiro, e foi construído sob medida para a operação da Atento, empresa de atendimento ao cliente

VISÃO DO GESTOR

Bolsa brasileira pode saltar 30% até o fim de 2025, mas sem rali de fim de ano, afirma André Lion. Essas são as 5 ações favoritas da Ibiuna para investir agora 

20 de agosto de 2025 - 6:12

Em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro, o sócio da Ibiuna abriu quais são as grandes apostas da gestora para o segundo semestre e revelou o que poderia atrapalhar a boa toada da bolsa

O VALOR DE UMA CAIXA SEGURADORA

Cinco bancos perdem juntos R$ 42 bilhões em valor de mercado — e estrela da bolsa puxa a fila

19 de agosto de 2025 - 20:17

A terça-feira (19) foi marcada por fortes perdas na bolsa brasileira diante do aumento das tensões entre Estados Unidos e o Brasil

TOP PICK

As cinco ações do Itaú BBA para lucrar: de Sabesp (SBSP3) a Eletrobras (ELET3), confira as escolhidas após a temporada de resultados

19 de agosto de 2025 - 18:23

Banco destaca empresas que superaram as expectativas no segundo trimestre em meio a um cenário desafiador para o Ibovespa

TOUROS E URSOS #235

Dólar abaixo de R$ 5? Como a vitória de Trump na guerra comercial pode ser positiva para o Brasil

19 de agosto de 2025 - 12:20

Guilherme Abbud, CEO e CIO da Persevera Asset, fala sobre os motivos para ter otimismo com os ativos de risco no Touros e Ursos desta semana

VISÃO DO GESTOR

Exclusivo: A nova aposta da Kinea para os próximos 100 anos — e como investir como a gestora

18 de agosto de 2025 - 18:18

A Kinea Investimentos acaba de revelar sua nova aposta para o próximo século: o urânio e a energia nuclear. Entenda a tese de investimento

NA CARTEIRA

Entra Cury (CURY3), sai São Martinho (SMTO3): bolsa divulga segunda prévia do Ibovespa

18 de agosto de 2025 - 11:03

Na segunda prévia, a Cury fez sua estreia com 0,210% de peso para o período de setembro a dezembro de 2025, enquanto a São Martinho se despede do índice

DINHEIRO NA MÃO

Petrobras (PETR4), Gerdau (GGBR4) e outras 3 empresas pagam dividendos nesta semana; saiba quem recebe

18 de agosto de 2025 - 8:54

Cinco companhias listadas no Ibovespa (IBOV) entregam dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) aos acionistas na terceira semana de agosto

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar