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2020-03-17T16:25:21-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Leve alívio

Ibovespa acompanha o tom ameno visto no exterior e sobe perto de 7%; dólar cai e fica abaixo de R$ 5,00

O Ibovespa e as bolsas globais mostram uma certa tranquilidade nesta terça, repercutindo as medidas de estímulo anunciadas no Brasil e no mundo, embora a situação ainda seja de forte preocupação por causa do coronavírus. O dólar opera em leve baixa

17 de março de 2020
10:33 - atualizado às 16:25
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O Ibovespa passou por um momento de turbulência no meio da manhã desta terça-feira (17), em meio à confirmação da primeira morte por coronavírus no Brasil. No entanto, o clima menos negativo visto no exterior prevaleceu, dando força ao índice brasileiro.

O Ibovespa abriu em alta de mais de 3%, mas, em meio à confirmação da primeira morte causa por coronavírus no país, enfrentou instabilidade e chegou a aparecer no campo negativo. Às 15h45, contudo, o índice já subia 6,94%, aos 76.106,07 pontos.

Lá fora, os investidores tentam colocar os nervos no lugar e controlar o pânico: na Europa, as principais praças fecharam em alta; nos Estados Unidos, o Dow Jones avança 5,45%, o S&P 500 sobe 6,19% e o Nasdaq tem ganho de 5,99%.

Os investidores recebem bem as últimas iniciativas dos governos mundiais para tentar conter o avanço do coronavírus. Nos Estados Unidos, por exemplo, o governo Trump tem anunciado desde ontem pacotes de estímulo econômico e iniciativas para fortalecer o sistema de saúde do país.

  • Eu gravei um vídeo para comentar esse movimento de recuperação visto nas bolsas globais. Veja abaixo:

Obviamente, a percepção de que a economia global será afetada fortemente não se dissipou com essas medidas, mas a postura diferente dos EUA — até agora, o alto escalão da Casa Branca mostrava certo desdém com o coronavírus — foi bem recebida pelo mercado.

Nesta terça-feira, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deu mais um passo em direção ao auxílio da economia, anunciando um programa de US$ 10 bilhões para reforçar a disponibilidade de crédito para famílias e empresas.

No Brasil, também tivemos o lançamento de medidas de estímulo econômico. Ontem, o ministro Paulo Guedes anunciou um pacote de até R$ 147,3 bilhões para conter os impactos da doença, dos quais R$ 83,4 bilhões serão destinados à população mais vulnerável aos efeitos da crise.

Vale ressaltar que, dadas as fortes quedas vistas nas bolsas globais desde a semana passada, os níveis de preços de muitas ações caíram muito, o que naturalmente atrai investidores. E, considerando o noticiário mais animador, há quem opte por aumentar ligeiramente a posição em bolsa, apostando numa recuperação mais adiante.

No entanto, o bom desempenho visto nas bolsas globais nesta terça-feira não neutraliza as perdas relevantes contabilizadas ontem e na semana passada. Apenas no pregão de segunda-feira (16), o Ibovespa despencou quase 14%.

Mesmo com esse viés mais otimista visto hoje, a pandemia de coronavírus continua em primeiro plano para os mercados globais e ainda gera enorme preocupação. No mundo todo, já são mais de 7,3 mil mortos e cerca de 185 mil contaminados.

No câmbio, a reação foi a mesma. O dólar à vista abriu em queda, virou para alta após a confirmação da primeira morte no Brasil e, agora, volta a cair: no momento, recua 1,47% a R$ 4,9782.

Indecisão

Ainda por aqui, os investidores seguem apreensivos quanto ao futuro da Selic, em meio à postura agressiva do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Desde o início do mês, a autoridade dos EUA cortou os juros do país de maneira extraordinária em duas ocasiões, derrubando as taxas ao nível entre 0% e 0,25% ao ano.

Dada a influência do BC americano e de movimentos recentes por parte de outras autoridades monetárias do mundo, há a expectativa quanto a um corte semelhante por parte do Copom — a reunião que decidirá o futuro da Selic ocorrerá amanhã (18).

Muitos, inclusive, apostavam que o Copom também mexeria na Selic de forma extraordinária, o que não se concretizou. O argumento global para esse novo ciclo de alívio nos juros é o fornecimento de estímulo à economia, num esforço para reduzir os impactos do surto da doença.

No entanto, há quem acredite que mais cortes de juros não surtirão o efeito desejado, uma vez que a crise do coronavírus cria um gargalo na oferta, e não na demanda. Além disso, há a questão da cotação do dólar: mais reduções na Selic fatalmente trarão ainda mais pressão ao câmbio.

Por mais que o dólar à vista esteja recuando nesta manhã, vale lembrar que o BC promoveu um leilão de linha de até US$ 2 bilhões mais cedo, de modo a trazer algum alívio à moeda americana — iniciativa que, no entanto, teve efeito limitado.

No front das curvas de juros, os vencimentos mais curtos seguem em baixa, evidenciando que o mercado está convencido de que o BC irá sim cortar a Selic. Veja abaixo como estão os principais DIs:

  • Janeiro/2021: de 3,84% para 3,62%;
  • Janeiro/2022: de 4,92% para 4,43%;
  • Janeiro/2023: de 5,93% para 5,33%;
  • Janeiro/2025: de 7,08% para 6,50%.

Top 5

Saiba quais são as cinco maiores altas do Ibovespa às 14h50:

CÓDIGONOME PREÇO (R$)VARIAÇÃO
CRFB3Carrefour Brasil ON20,06 +13,98%
BRFS3BRF ON14,88 +12,30%
BBSE3BB Seguridade ON26,77 +11,17%
MULT3Multiplan ON20,55 +11,02%
HYPE3Hypera ON31,35 +10,70%

Confira também as maiores baixas do índice no momento:

CÓDIGONOME PREÇO (R$)VARIAÇÃO
AZUL4Azul PN14,45 -7,37%
CVCB3CVC ON9,66 -7,12%
SBSP3Sabesp ON45,88 -3,41%
SMLS3Smiles ON17,39 -3,12%
VVAR3Via Varejo ON7,40 -2,12%
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