Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2020-04-22T13:07:02-03:00
Estadão Conteúdo
consequências da crise

Aumentam os pedidos de revisão dos planos de recuperação judicial

Nas últimas semanas, algumas empresas já seguiram esse caminho, como é o caso da Livraria Saraiva e da Biofast Medicina e Saúde

22 de abril de 2020
13:06 - atualizado às 13:07
Fachada da Saraiva
Imagem: Divulgação

Um efeito imediato do novo cenário econômico decorrente do coronavírus tem sido o aumento dos pedidos de revisão dos planos de recuperação judicial e de ações para adiar pagamentos. Nas últimas semanas, algumas empresas já seguiram esse caminho, como é o caso da Livraria Saraiva e da Biofast Medicina e Saúde. O movimento deve crescer bastante nas próximas semanas, afirmam especialistas.

No caso da Saraiva, os advogados informaram ao juiz a impossibilidade de cumprir as obrigações firmadas com os credores e pediram 90 dias para apresentação de um novo plano. Na petição feita pelo escritório Thomaz Bastos, Waisberg, Kurzweil, os advogados destacam que o plano da Saraiva foi aprovado em agosto de 2019 e, desde então, a empresa vinha cumprindo o acordo.

Mas, com a crise do coronavírus, houve uma queda drástica do faturamento. Isso afetou a capacidade de pagamento das dívidas e colocou em risco o pagamento de salários dos 1,8 mil funcionários diretos, afirmaram os advogados no documento.

Por isso, eles argumentam que há necessidade de rever o plano para adequar os números à nova realidade. Em nota, a empresa afirma que precisa de prazo por causa da falta de visibilidade sobre as datas de reabertura de lojas e sobre as condições futuras para a projeção da retomada das vendas.

A Biofast, além de pedir revisão do plano, também entrou com algumas ações para adiar o pagamento de tributos. Na esfera estadual, o pedido não foi aceito, mas na federal a empresa conseguiu uma liminar para postergar o pagamento dos impostos, afirma o advogado Gustavo Taparelli, da Abe Giovanini Advogados. Ele conta que várias empresas estão adotando a mesma estratégia para preservar o caixa, uma vez que estão produzindo muito pouco.

O professor da PUC e juiz da segunda vara de recuperação e falência da capital paulista, Marcelo Sacramone, diz que tem percebido aumento dos pedidos de revisão dos planos. Mas, segundo ele, as mudanças têm de ser negociadas com os credores e só depois submetidas à Justiça. Para o professor, porém, muitas empresas não têm condição nem de propor um novo plano. Ou seja, se antes era difícil sair de uma recuperação judicial, agora será pior.

O advogado Alexandre Faro, do escritório FASV Advogados, diz que o Código Civil já estabelece a possibilidade de reequilíbrio de contratos e que a premissa da lei é que, em situações como essa, credor e devedor compartilhem prejuízos, buscando soluções equilibradas.

Efeito cascata

O problema da crise atual é que ela afeta toda a cadeia de negócios. No caso de um shopping center, por exemplo, o lojista deixa de vender e para de pagar o shopping que tem recebíveis com fundos de investimentos. É um efeito em cascata, diz o advogado do escritório Barbosa, Müssnich, Aragão, Eduardo Wanderley, sócio das áreas de Reestruturação e Recuperação de Empresas e Contencioso e Arbitragem. Na avaliação dele, a situação atual requer injeção de dinheiro novo para amenizar os problemas.

Isso pode ocorrer, por exemplo, por meio de fusões e aquisições. "Fundos que trabalham com empresas em dificuldade têm muita liquidez, então acho que esse será o caminho." Apesar de acreditar que haverá cooperação dos credores para renegociação de dívidas, ele também vê o avanço de recuperações. "Podemos ter uma combinação de reestruturação da dívida e entrada de um sócio novo."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

ÚLTIMO ADEUS?

De malas prontas para deixar a B3, Banco Inter (BIDI11) reverte prejuízo em lucro líquido de R$ 19,2 milhões no terceiro trimestre

O banco digital também celebrou a marca de 14 milhões de clientes no período, um salto de 94% na comparação com o terceiro trimestre de 2020

Tecnologia em foco

As big techs na balança: veja como foi o trimestre de Google, Microsoft e Twitter

Três das principais big techs americanas reportaram seus balanços nesta noite; veja como se saíram Alphabet/Google, Microsoft e Twitter

SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

Pressão nos juros, Elon Musk mais rico e o brilho das ações das elétricas

As projeções de bancos e economistas para a alta da Selic não param de subir. É possível ver essa tendência semanalmente no boletim Focus, divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central, em relatórios de diversas casas de análise e na curva dos juros futuros — que não param de ser revisados para patamares cada vez mais […]

ACIONISTAS FELIZES

Farra dos dividendos: Santander (SANB11), Klabin (KLBN11) e Porto Seguro (PSSA3) anunciam proventos; banco espanhol vai pagar R$ 3 bilhões aos acionistas

Confira mais detalhes sobre os valores por ação, previsão para o pagamento e a data-limite para entrar na festa de cada uma das três empresas

MERCADOS HOJE

Ibovespa volta a cair mais de 2% na véspera da decisão do Copom; inflação salgada e fiscal deteriorado comandaram o dia

O mercado financeiro aguarda ansioso pelas palavras do BC, que devem pesar a recente deterioração do cenário fiscal e a elevação dos preços. O Ibovespa teve novo dia de perdas

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies