Tensão com vacina e otimismo com dados chineses se chocam; investidores locais monitoram IGP-M
O cenário de cautela e otimismo se chocam no exterior. De um lado, a China parece se recuperar do coronavírus, de outro, a pandemia ainda parece longe de um fim. Com feriado nos Estados Unidos, liquidez deve seguir baixa

Depois da euforia das últimas semanas, o último pregão da semana promete ser de movimentos mais contidos, refletindo a baixa liquidez do mercado, já que Wall Street irá operar apenas por meio período.
No exterior, temos um choque de cenários. De um lado o otimismo com os últimos números da economia chinesa e a expectativa por estímulos, de outro, a cautela com o noticiário corporativo na Europa, a preocupação com a segunda onda da pandemia e a dúvida sobre a eficácia da vacina da AstraZeneca.
Ao contrário do exterior, a agenda cheia no Brasil pode influenciar os negócios. Para hoje temos a divulgação do IGP-M, a 'inflação do aluguel', e a taxa de desemprego do terceiro trimestre.
[captacao]
Sem emoção
Com as bolsas americanas fechadas por conta do feriado do Dia de Ação de Graças, o Ibovespa seguiu subindo, mas sem o fôlego visto nos últimos dias.
Na sessão de ontem, o principal índice acionário da B3 apresentou leve alta de 0,09%, aos 110.230 pontos. Das 18 sessões que tivemos em novembro, 14 delas terminaram no azul.
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Com o baixa liquidez do mercado, devido ao feriado nos Estados Unidos, o dólar passou por um movimento de realização e terminou o dia com avanço de 0,3%, a R$ 5,3352.
Mal-entendido
O clima de tensão entre o ministro da Economia Paulo Guedes e o Presidente do Banco Central, Roberto Campos Netos, não pegou bem entre os investidores.
Ontem, as duas autoridades correram para tentar desfazer o 'mal-entendido'. Segundo informações, os dois conversaram por telefone. Em declaração ao Estadão, Guedes disse que "não existe eu no Ministério da Economia e o Campos Neto não estar no BC", enquanto RCN disse ao SBT que o assunto já está superado.
Choque de cenários
Para o mercado está cada vez mais claro: a China foi o primeiro país a sofrer com as consequências do coronavírus, mas também o primeiro a sair. Segundo a divulgação que impulsionou a continuidade do rali na região durante a madrugada, o lucro das grandes empresas industriais da segunda maior economia do mundo acelerou 28,2% em outubro se comparado ao mês anterior. As bolsas asiáticas fecharam em alta.
Outros fatores que dominaram o noticiário durante a semana também influenciaram o resultado. É o caso da expectativa de que uma vacina esteja disponível em breve ao público e de que governos e bancos centrais devem seguir atuando para minimizar os impactos da segunda onda do coronavírus na economia.
No entanto, no Velho Continente, fatores locais limitam a alta das bolsas. A muito comentada fusão do Banco Sabadell com o BBVA, que poderia criar um dos maiores bancos da Europa, não irá mais acontecer, a AstraZeneca fará novos testes com a sua vacina contra a covid-19 — após admitir que houve erro na dosagem de parte dos voluntários na fase 3 —, as negociações entre União Europeia e o Reino Unido em torno do Brexit serão retomadas e o continente segue apresentando um número alarmante de novos infectados com o novo coronavírus.
O bom humor asiático se choca com a tensão no continente, o que limita a alta das principais bolsas europeias, que operam em leve alta nesta manhã.
Nos Estados Unidos, as bolsas só irão abrir para meia sessão e fecham mais cedo, o que segue limitando a liquidez e fôlego dos negócios globais. Os índices futuros em Wall Street operam em alta moderada.
Agenda
No Brasil, a semana chega ao fim com a inflação mais uma vez em primeiro plano. Nesta sexta-feira, a Fundação Getulio Vargas divulga o IGP-M de novembro (8h). O índice é conhecido como a 'inflação do aluguel' e é a referência para a atualização da grande maioria dos contratos de locação.
Depois dos números do Caged de ontem mostrarem recuperação, hoje é a vez do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgar a taxa de desemprego do terceiro trimestre (9h).
No exterior, o destaque fica com o índice do sentimento econômico e da confiança do consumidor na zona do euro de novembro (7h).
Fique de olho
- O Itaú aprovou a criação da Newco, empresa que deve centralizar a participação de 41,05% na XP Investimentos. O banco também anunciou o pagamento de juros sobre capital no valor de R$ 0,0639 por ação.
- A Wiz criou um comitê para apurar as denúncias da Polícia Federal. A Caixa Seguridade, que tem participação indireta na companhia, informou que irá acompanhar o desenrolar das investigações.
- O Grupo Fleury anunciou um programa de recompra de ações. Com duração de um ano, o programa pode adquirir até 1% das ações ON em circulação.
- A Oi vendeu, em leilão, torres pelo valor de R$ 1,06 bilhão.
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