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2020-10-09T16:07:40-03:00
Jasmine Olga
Jasmine Olga
É repórter do Seu Dinheiro. Cursa jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
Felipe Saturnino
Felipe Saturnino
Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.
Mercados hoje

Descolado de NY, Ibovespa mantém queda; dólar recua a R$ 5,53

Índice acionário local continua a operar em baixa e dólar sofre desvalorização global com o aumento da tomada de risco

9 de outubro de 2020
10:33 - atualizado às 16:07
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Sem ímpeto em meio à indefinição fiscal, o Ibovespa opera em queda na tarde desta sexta-feira (9), apesar do cenário positivo no exterior. Em Nova York, o clima é de animação, com os investidores continuando a avaliar as perspectivas de estímulos para a economia dos Estados Unidos.

A bolsa brasileira já tinha aberto o dia em queda, depois que os agentes financeiros locais repercutiram o resultado surpreendente do IPCA de setembro, optando por um movimento de realização de lucros, após a forte alta de 2,5% observada nesta quinta-feira.

Oscilando entre a baixa pela manhã, na contramão dos mercados internacionais, e o movimento de alta iniciado por volta do 12h, por volta das 16h o Ibovespa tem leve queda de 0,51%, aos 97.420,22 pontos.

"O problema fiscal continua no radar, e, enquanto não tivermos posição clara sobre o Renda Cidadã, o mercado tende a apresentar bastante volatilidade", diz Igor Cavaca, analista da Warren.

Ele também cita discurso do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, em que o banqueiro disse que o cenário das contas públicas conta como fator de turbulência no mercado.

Segundo Cavaca, com o adiamento da discussão sobre o Renda Cidadã, o mercado fica à espera da definição sobre a posição fiscal do país.

O dólar, por sua vez, segue um movimento em escala global de desvalorização em razão do aumento da busca por risco e tem perda firme.

Otimismo externo

No exterior, as bolsas americanas exibem altas firmes. Em meio a idas e vindas, os investidores avaliam as possibilidades de um pacote de estímulos à economia do país, ponderando se este será amplo ou parcial e se virá à tona antes da eleição de 3 de novembro.

Depois de tantas reviravoltas nos últimos dias em torno dos pacotes de estímulos à economia americana, o mercado busca sinais de novas esperanças. No fim da tarde de ontem, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, retomaram a conversa sobre o pacote de estímulos por telefone.

Neste momento, o S&P registra ganhos de 0,73%, o Dow Jones, 0,47%, e a Nasdaq, 1,15%.

A novidade repercutiu bem nas bolsas asiáticas durante a madrugada, com a maioria delas fechando a sessão em alta.

Na Europa, os índices acionários em Londres (FTSE100) e em Paris (CAC-40) fecharam em alta superiores a 0,65%, enquanto em Frankfurt (DAX) a sessão foi encerrada próxima da estabilidade.

Aliança pelas reformas

Sinal local positivo para os investidores é a aparente aliança entre o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, em torno da PEC Emergencial, que dispõe a respeito de medidas permanentes e emergenciais de controle do crescimento das despesas obrigatórias e o reequilíbrio fiscal.

Os dois esperam acelerar o processo de aprovação da medida, que é essencial para conter despesas e servirá de base para a criação do programa Renda Cidadã.

Em entrevista, Maia afirmou que se tiver que escolher uma prioridade número um para ser aprovada ainda em 2020, seria a PEC Emergencial. Guedes, por sua vez, agradeceu o apoio de Maia. "Estamos juntos pelas reformas. O Brasil está acima de quaisquer diferenças que possamos ter, e elas são pequenas”, disse o ministro.

Top 5

Confira as principais altas do Ibovespa nesta sexta-feira. A MRV é impulsionada pelas prévias operacionais divulgadas pela companhia e que agradou o mercado:

CÓDIGOEMPRESAPREÇOVARIAÇÃO
MRVE3MRV ONR$ 18,16 8,03%
CYRE3Cyrela ONR$ 26,19 4,43%
CVCB3CVC ONR$ 15,51 3,82%
MGLU3Magazine Luiza ONR$ 96,19 4,70%
GOLL4Gol PNR$ 19,17 3,57%

Confira também as maiores baixas do dia:

CÓDIGOEMPRESAPREÇOVARIAÇÃO
IRBR3IRB ONR$ 7,08 -8,53%
JBSS3JBS ONR$ 19,33 -3,93%
RAIL3Rumo ONR$ 17,84 -3,41%
PETR3Petrobras ONR$ 19,93 -3,21%
MRFG3Marfrig ONR$ 14,23 -3,07%

Dólar tem perdas firmes

A moeda americana opera toda a sessão em queda firme, não tendo apresentado alta em nenhum momento do dia.

O desempenho reflete a busca ao risco nos mercados globais, exemplificado pela altas de bolsas americanas e também das europeias, o que fez o dólar se desvalorizar globalmente.

O Dollar Index, que compara a divisa a uma cesta de moedas como euro, libra e yen, recua 0,56%, para 93,08, nível próximo das mínimas de 52 semanas.

No mesmo horário, a moeda americana recua 0,94% frente ao real, cotada a R$ 5,5359. Frente a moedas pares, como o peso mexicano, o rublo russo e o rand sul-africano, o dólar perde ao menos 0,2%.

"Tem muita expectativa de estímulo e isso anima o investidor, deixando o dólar fraco", diz Roberto Padovani, economista do banco BV. "A gente se beneficia disso hoje."

Juros acompanham, ignorando IPCA

Enquanto a expectativa dos analistas apontava para uma alta de 0,54%, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta manhã que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve uma alta de 0,64% no mês passado, o maior resultado para o período desde 2003.

Apesar da alta, a visão disseminada entre analistas é que a inflação permanece em um nível comportado para manter o atual patamar da política monetária.

"Apesar das recentes pressões sobre os preços dos alimentos, o núcleo e a inflação de serviços significativamente abaixo da meta devem continuar dando conforto ao banco central no curto e médio prazo", escreveu o economista-sênior para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, em relatório.

Ramos diz ainda que a elevada ociosidade do mercado de trabalho deve ser um dos fatores a contribuir para manter a inflação bem ancorada, na avaliação do banco.

"Sem dúvida, a queda do dólar frente ao real e aos nossos pares traz os prêmios de risco para baixo", diz Paulo Nepomuceno, operador de renda variável da Terra Investimentos.

  • Janeiro/2021: 2,00% para 1,98%
  • Janeiro/2022: 3,23% para 3,21%
  • Janeiro/2023: 4,70% para 4,64%
  • Janeiro/2025: 6,61% para 6,53%
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