Da fartura à ressaca: Ibovespa cai e dólar sobe acompanhando mais um dia indigesto em Wall Street
Bolsas voltam do feriado prolongado ainda sob o peso dos questionamentos ao nível dos preços de algumas ações, em especial as do setor de tecnologia

Passado o susto inicial da pandemia, os mercados financeiros globais fartaram-se na liquidez colossal despejada pelos bancos centrais a partir de março. A liquidez é tamanha que o banquete aparentemente não vai terminar tão cedo.
Diante de tanta fartura, porém, não tem antiácido que resolva. De tempos em tempos uma ressaca vai acabar cobrando a conta.
Hoje foi um pouco assim. Terminado o feriado prolongado nas bolsas de São Paulo e Nova York, o indigesto desfecho da semana passada foi sucedido por uma desagradável ressaca nesta terça-feira.
Aversão ao risco domina volta do feriado
O Ibovespa retornou do feriado para mais uma sessão na qual os temores relacionados com a velocidade da retomada da atividade econômica global e os preços dos ativos inibiram o apetite por risco.
O recuo acentuou-se depois da abertura em Nova York, mas a bolsa brasileira acomodou-se perto da faixa dos 100 mil pontos e passou a oscilar em torno dela até fechar em queda de 1,18%, aos 100.050,43 pontos, sem sucumbir aos piores momentos da NYSE.
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Em Wall Street, os índices Dow Jones, S&P-500 e Nasdaq fecharam em queda acentuada (-2,25%, -2.78% e -4,11%, respectivamente) pelo terceiro pregão seguido, dando continuidade ao declínio iniciado na semana passada em meio a uma aparente correção nos preços das ações do setor de tecnologia.
O recuo em Nova York continua sendo capitaneado pelo setor de tecnologia. Na semana passada, as cinco maiores empresas do mundo - Apple, Amazon, Microsoft, Google e Facebook - perderam cerca de US$ 392 bilhões em valor de mercado em apenas cinco dias.
A correção nos preços dos papéis das gigantes de tecnologia prossegue em um momento no qual participantes do mercado questionam se esses ativos não estariam caros demais. Em princípio, porém, o movimento é visto como uma realização de lucros à qual os preços ainda estão se ajustando.
Ações ligadas a commodities sob pressão
No Ibovespa, as ações ligadas a commodities passaram o dia sob o impacto da queda pronunciada dos contratos futuros de petróleo nos mercados internacionais em meio a temores de um novo avanço da pandemia de covid-19 sobre os Estados Unidos.
Logo em sua estreia no Ibovespa, os papéis ON da PetroRio (PRIO3) amargaram o pior desempenho do índice, recuando mais de 6%.
Os papéis do setor financeiro também cederam.
Na direção oposta, as ações do setor de telefonia subiram depois de a Oi ter confirmado Tim, Claro e Vivo com principais proponentes da compra de sua rede móvel.
Os papéis da Hapvida também se descolaram da tendência de queda depois de a operadora de saúde ter anunciado um pacote bilionário de aquisições.
Confira a seguir as maiores altas e baixas do dia entre os componentes do Ibovespa.
MAIORES ALTAS
- Azul PN (AZUL4) +6,79%
- Localiza ON (RENT4) +5,87%
- Iguatemi ON (IGTA3) +4,55%
- BR Malls ON (BRML3) +4,34%
- Multiplan ON (MULT3) +4,04%
MAIORES BAIXAS
- PetroRio ON (PRIO3) -6,08%
- Via Varejo ON (VVAR3) -3,97%
- Petrobras ON (PETR3) -3,47%
- IRB Brasil ON (IRBR3) -3,31%
- Petrobras PN (PETR4) -2,88%
Dólar e juro
O dólar subiu ante a maior parte das moedas nesta terça-feira em mais um momento de forte aversão ao risco nos mercados financeiros globais.
Em meio a este cenário, o desempenho do real ante a divisa norte-americana figurou entre os piores do dia entre as moedas emergentes.
O dólar fechou em alta de 1,77%, cotado a R$ 5,3650.
Já os contratos de juros futuros acompanharam a alta do dólar ao mesmo tempo em que refletiram a percepção deixada pelo IGP-DI de alta nos preços do atacado bem acima do registrado no restante da economia.
Na avaliação do economista-chefe da Necton Corretora, André Perfeito, tais dados reforçam a percepção de que o Banco Central deve finalmente encerrar o ciclo de cortes na taxa Selic. Atualmente, a taxa de juro oficial no Brasil encontra-se no nível mais baixo da história.
Ainda de acordo com Perfeito, a disparidade entre os preços no atacado e para o consumidor "mostram a queda generalizada das margens de lucro da economia, o que por sua vez diminui o apetite empresarial por investimentos".
Confira as taxas negociadas de alguns dos principais contratos negociados na B3:
- Janeiro/2022: de 2,740% para 2,830%;
- Janeiro/2023: de 3,900% para 4,040%;
- Janeiro/2025: de 5,690% para 5,840%;
- Janeiro/2027: de 6,640% para 6,790%.
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