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2020-11-17T19:20:38-03:00
Felipe Saturnino
Felipe Saturnino
Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.
descolado do exterior

Ibovespa fecha acima dos 107 mil pontos, em maior patamar desde fevereiro, e dólar cai forte com apetite de gringos

Principal índice acionário da B3 fecha em maior nível desde 21 de fevereiro, enquanto dólar tem forte queda; mercados refletem apetite de estrangeiros que têm ingressado com recursos na bolsa em novembro

17 de novembro de 2020
19:17 - atualizado às 19:20
apetite bolsa investimentos
Imagem: Shutterstock

Os gringos voltaram à bolsa brasileira. Não há indicações concretas de que eles permanecerão investindo nos ativos locais ao longo dos próximos meses como o fazem agora, ainda mais em um ambiente de deterioração fiscal e incerteza sobre os planos do governo quanto a trajetória das contas públicas.

No curtíssimo prazo, no entanto, é provável que eles continuem se aproveitando de algumas pechinchas e embolsem os lucros assim que suas ações, umas boas pechinchas, se valorizarem.

O mês de novembro tem mostrado o aumento da presença dos estrangeiros na B3. Só na segunda passada (10), vimos o recorde diário de R$ 4,9 bilhões de entrada de recursos estrangeiro na bolsa. No acumulado do mês, os estrangeiros ingressaram com aproximadamente R$ 18 bilhões na B3, resultado de R$ 160,8 bilhões em compras e R$ 143 bilhões em vendas.

No ano, a saída de estrangeiros no mercado secundário (ações já listadas, não se considerando ofertas primárias nem subsequentes) soma R$ 67 bilhões.

Esse fôlego de estrangeiro levou o Ibovespa a fechar a sessão em alta de 0,8%, cotado aos 107.248,63 pontos, no maior patamar de encerramento desde 21 fevereiro — há quem ache que o índice pode fechar o ano acima dos 110 mil. Com isso, em novembro, o Ibovespa já sobe mais de 14%.

A performance destoou dos índices acionários nos Estados Unidos.

Por lá, as bolsas fecharam em leve queda, refletindo alguma cautela de investidores quanto ao avanço da covd-19.

O número de novos casos do coronavírus registrados nos EUA saltou para mais de 166 mil na segunda em relação ao dia anterior. O número de hospitalizados, por sua vez, atingiu novo recorde. Por lá, autoridades locais por todo o país estão impondo novas restrições à atividade social para conter a disseminação do vírus, que pode prejudicar a economia nos meses de inverno.

Por aqui, as blue chips, ações de empresas com grande rentabilidade e de sucesso recorrente, como Petrobras e Vale — ações que tiveram o maior volume financeiro da sessão — se aproveitaram desse apetite estrangeiro.

"Gringos na compra e minério de ferro muito forte" explicam o desempenho do papel da Vale hoje, disse um gestor de uma gestora com mais de R$ 5 bilhões sob supervisão. Vale ON avançou 2,7% no Ibovespa, na esteira da alta da commodity no mercado chinês.

Ações da Petrobras, por sua vez, avançaram no mínimo 1%, sustentadas pela tomada de risco por parte dos gringos em bolsas de economias emergentes.

"Esse movimento de bom humor doméstico está correlacionado a esses estrangeiros entrando na bolsa brasileira que beneficiou, recentemente, empresas como Vale, Petrobras e bancos", diz Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos.

"O estrangeiro tirou recursos das economias mais fortes e veio para cá, nesse cenário de perspectiva de vacina", diz Paloma Brum, economista da Toro Investimentos, afirmando que isso significa uma migrações de setores de tecnologia para setores da economia tradicional. "A Petrobras, que está bem descontada, se aproveita desse fluxo e atrai esse investidor."

No ano, os papéis da estatal caíram ao menos 20%.

Quem sobe, quem cai

A maior alta percentual do índice veio das ações da CVC, ainda repercutindo a notícia a respeito da eficácia de 94,5% da vacina da Moderna. Os papéis da empresa estão muito depreciados, com queda de 61% em 2020.

Papéis da B2W, do setor de e-commerce, vencedor da crise da covid-19 no mundo corporativo, foram os que mais subiram na sessão de hoje entre os seus pares, avançando 2,7%.

Entre as aéreas, as ações da Azul foram as que mais se valorizaram, terminando a sessão em alta de 2,2%.

Veja as maiores altas percentuais do índice abaixo:

CÓDIGOEMPRESAPREÇOVARIAÇÃO
CVCB3CVC ON           16,01 9,21%
HYPE3Hypera ON           31,77 7,51%
EGIE3Engie ON           45,74 4,88%
BRFS3BRF ON           20,68 3,50%
BRAP4Bradespar PN           50,24 3,23%

Papéis da Totvs recuaram 1,3%. Há pouco, acionistas da Linx aprovaram venda para a Stone em assembleia. Papel que saltou na segunda, MRV foi o segundo maior recuo percentual do Ibovespa. Afetada pela queda do dólar, a ação da Suzano também caiu.

Confira as maiores quedas percentuais:

CÓDIGOEMPRESAPREÇO (R$)VARIAÇÃO
TAEE11Taesa units 32,26-4,02%
MRVE3MRV ON           20,13 -3,64%
SUZB3Suzano ON           51,30 -3,37%
GNDI3Intermédica ON           71,80 -2,95%
RADL3Raia Drogasil ON           26,47 -2,07%

Dólar cai forte e juros recuam

O dólar, por sua vez, intensificou a queda frente ao real ao longo da sessão e fechou perto das mínimas intradiárias, em baixa de 1,97%, aos R$ 5,3305.

A divisa adotou um comportamento misto em relação a divisas de países emergentes.

Em relação ao real, a moeda operou em baixa refletindo a entrada de divisas no país, em meio ao movimento de ingresso de recursos estrangeiros.

"Como mais divisa internacional entra, o dólar se enfraquece", diz Brum, da Toro. "Mas não creio que vá se sustentar nos próximos meses com a questão fiscal ainda não resolvida, vejo mais como um capital especulativo de curto prazo."

Além disso, contribuiu para o movimento a antecipação da rolagem do vencimento de swaps cambiais de 4 de janeiro de 2021 no total de US$ 11,8 bilhões e, também, a percepção de andamento da agenda econômica no Congresso.

No mercado de juros, as taxas dos contratos de depósitos interbancários, recuaram, embora tenham tido movimentos menores comparados à bolsa e ao dólar. Isto representa alguma cautela de investidores mais latente em relação ao risco fiscal e o atual patamar de taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 2% ao ano.

"Hoje foi modo "risk-on Brasil" ligado" diz Patricia Pereira, gestora de renda fixa da MAG Investimentos. "Mas os juros andaram menos do que os outros mercados, bolsa e dólar foram melhor."

Veja as taxas dos principais vencimentos:

  • Janeiro/2021: de 1,926% para 1,922%
  • Janeiro/2022: de 3,29% para 3,25%
  • Janeiro/2023: de 4,90% para 4,85%
  • Janeiro/2025: de 6,71% para 6,64%
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