Ibovespa se mantém em alta, mas perde fôlego após ficar perto de máxima histórica com expectativa de estímulos nos EUA
Possibilidade de acordo iminente por ajuda à combalida economia americana no valor de US$ 900 bilhões anima tomada de risco, com bolsas no exterior apontando alta, e pesa no dólar, que se enfraquece globalmente; juros curtos e longos recuam após RTI

O Ibovespa opera em alta na sessão desta quinta-feira (17), em meio ao bom humor no exterior, onde os mercados acionários nos Estados Unidos sobem em meio à perspectiva de um acordo iminente por estímulos fiscais à combalida economia americana.
Por volta das 17h30, o principal índice acionário da B3, no entanto, já registrava ganhos mais moderados, avançando 0,25%, cotado aos 118.150 pontos. Ontem, o índice terminou o dia próximo dos 118 mil, no que foi o maior patamar de fechamento desde 24 de janeiro.
Com a operação de momento, o Ibovespa está a cerca de 1.400 pontos da sua máxima histórica intradiária — 119.593 pontos.
A sessão tem nova alta forte de papéis de siderúrgicas (Usiminas PN, CSN ON, Gerdau PN), que avançam refletindo o avanço de 1,3% do minério de ferro negociado no porto de Qingdao, na China.
Ações da Vale, por sua vez, ajudam a sustentar o índice por volta do mesmo horário, bem como as da Petrobras, refletindo o movimento do petróleo no mercado internacional.
Lá fora, o ambiente favorável à tomada de risco é sustentado pelas perspectivas de que um pacote de estímulos nos Estados Unidos será fechado dentro em pouco, após meses de vaivéns. Com isso, os índices acionários à vista em Nova York sobem ao menos 0,4%.
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Entre os principais índices à vista europeus, apenas o FTSE 100 fechou em recuo.
Os líderes do Congresso americano ficaram mais perto de firmar, na quarta (16), um acordo de cerca de US$ 900 bilhões. A proposta, há muito esperada pelo mercado para inundar de ainda mais liquidez a praça, inclui outra rodada de pagamentos às famílias.
Com isso, a perspectiva positiva de resolução de acordo se sobrepõe ao impasse recente, representando aos olhos dos investidores um avanço em um momento crítico da pandemia, já que o nível de hospitalizações no país atingiu níveis recordes.
Dólar cai com busca por risco
Se a figura é ótima para as bolsas de valores globais, é ruim para o dólar, ativo de segurança em situações de aumento de risco, que hoje continuou a se enfraquecer diante de rivais fortes, como o euro, a libra e o iene.
O Dollar Index (DXY), que compara a divisa a essas moedas, recua 0,7%, para abaixo do patamar de 90, nas mínimas desde abril de 2018.
O dólar também reage à sinalização de ontem do Federal Reserve, o banco central americano, de que os juros continuarão parados até 2023 e de que as compras de títulos do Tesouro do país e também os hipotecários continuarão ao mesmo ritmo até haver progresso na recuperação econômica.
Além disso, o número de pedidos de seguro-desemprego do país subiu 23 mil para 885 mil na semana passada, conforme indicado pelo Departamento do Trabalho do país. O dado veio acima da expectativa, que era de 808 mil solicitações — reforçando a perspectiva de retomada lenta do mercado de trabalho e da economia do país.
Frente a moedas emergentes, a toada é a mesma: dólar fraco. No fim da sessão, a moeda marcava queda de 0,5%, para R$ 5,0788.
Os juros futuros dos depósitos interbancários curtos predominantemente operaram em viés de baixa, por sua vez, com ajuste baixista de 2 pontos-base (0,02 ponto percentual). Enquanto isso, taxas intermediárias, como as para janeiro/2023, avançaram 0,04 ponto.
Juros longos, como os para janeiro/2025, fecharam estáveis.
Esses movimentos ocorrem também em dia de divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) do Banco Central, que apontou novamente conforto da autoridade monetária com a inflação para 2021.
Divulgado no começo desta manhã, o RTI mostrou que o BC manteve a sua estimativa para a inflação em 2020 em 4,3%.
Para o ano que vem, a projeção é de que o IPCA fique em 3,4%, uma "folga" em relação ao centro da meta de inflação definida para o ano, de 3,75% — o que volta a indicar a manutenção do juro básico no atual patamar de 2% ao ano ao longo dos próximos meses. As projeções foram feitas utilizando o cenário do Relatório de Mercado Focus e o câmbio atualizado.
Hoje, o Tesouro Nacional realizou leilão de até 22 milhões de LTNs (Letras do Tesouro Nacional), títulos prefixados curtos, 2,8 milhões de NTN-Fs (Notas do Tesouro Nacional série F), títulos prefixados longos, e até 1 milhão de LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), posfixados atrelados à variação da taxa Selic.
Foram vendidos 15 milhões de LTNs para janeiro de 2024, 6 milhões para outubro de 2022 e 1 milhão para abril de 2021; 2,5 milhões NTN-Fs para janeiro de 2027 e 200 mil para janeiro de 2031; além de 579,25 mil de LFTs para março de 2027 e 365 mil para março de 2022.
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