Menu
2019-04-05T15:49:08-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Vídeo

Juro baixo é bom ou ruim?

Com a taxa Selic no seu menor patamar histórico, muitos investidores de renda fixa conservadora estão chateados com o retorno das suas aplicações. Mas juros baixos, na verdade, não são tão maus assim…

22 de março de 2019
9:32 - atualizado às 15:49

O juro básico, no Brasil, está no seu menor patamar histórico. Na data em que eu escrevo, a meta para a taxa Selic esta em 6,50% ao ano. Isso tem deixado os investidores que gostam da renda fixa mais conservadora meio desanimados, pois o retorno dessas aplicações, atrelado às taxas básicas de juros, está bem minguado.

Mas afinal, juro baixo é bom ou ruim? Eu respondo a esta questão no vídeo a seguir:

Confira abaixo a transcrição do vídeo:

Juro baixo é bom ou ruim?

Com a Selic nos seus menores patamares históricos, os juros nominais no país nunca estiveram tão baixos. E em se tratando de Brasil, esse fato costuma ser noticiado de forma positiva. Só que o investidor brasileiro, que é muito conservador e acostumado com a renda fixa, não está tão contente assim com o retorno das suas aplicações. Afinal, juro baixo é bom ou ruim?

De uma forma bem genérica, quanto menores os juros, menos arriscada a economia. Os juros só podem cair em economias onde a inflação não é elevada e está sob controle, e onde o governo não está à beira da bancarrota.

Além disso, juros baixos tornam as dívidas mais baratas, o que é ótimo para quem toma crédito. Endividados podem renegociar os seus empréstimos e financiamentos, e o custo da dívida pública também cai. Esse aspecto incentiva a tomada de crédito para consumo e investimentos, estimulando a economia.

Agora, para quem empresta - como o investidor de renda fixa - realmente a rentabilidade pode não ser lá grande coisa. No Brasil, até a poupança paga menos quando os juros caem abaixo de um certo patamar, porque o retorno da caderneta passa a ficar atrelado à Selic. Por outro lado, como juros mais baixos estimulam a economia, surgem oportunidades em investimentos de mais risco.

Então, de uma maneira geral, juro baixo é bom. Tanto que as nações mais desenvolvidas do mundo têm taxas básicas de juros beeeem mais baixas que o Brasil. Mesmo com os nossos menores juros históricos, a gente ainda está longe das taxas do mundo rico. Afinal, o juro caiu pra estimular nossa economia deprimida, mas apesar da expectativa de retomada, os problemas fiscais continuam por aí. Em outras palavras, em se tratando de Brasil, juro baixo geralmente é coisa boa sim, mesmo que a nossa renda fixa tranquilinha fique menos rentável.

Mas juros baixos também podem significar que o desemprego está alto, e que a economia está em recessão, precisando de estímulo. Se o crescimento reagir conforme os juros vão caindo, ótimo! Os investimentos de mais risco também vão ter uma performance positiva. Mas se o marasmo econômico continuar, mau sinal! Tanto para os investidores quanto para a sociedade em geral.

Só que mais importante do que olhar o juro nominal é olhar o juro real, que é a diferença entre a taxa básica de juros e a inflação. Se a Selic está baixa, mas ainda é muito maior que a inflação, o estímulo à economia não é assim tão eficiente, porque ainda continua muito vantajoso aplicar na renda fixa. Por outro lado, juros reais elevados sinalizam que a inflação está relativamente baixa, então ainda tem espaço para a taxa básica cair mais.

Do ponto de vista do investidor, mesmo que o retorno da renda fixa tenha diminuído, se você ainda está ganhando bem acima da inflação, a vantagem continua grande. Porque o que realmente te deixa mais rico é essa diferença entre o seu ganho e a alta dos preços.

Se você gostou do vídeo, não se esqueça de se inscrever no nosso canal de YouTube. E pode deixar sugestões e dúvidas nos comentários.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

Contas analisadas

CMN aprova balanço do Banco Central no 2º semestre de 2019, com lucro de R$ 64,5 bilhões

Com os R$ 21,04 bilhões de lucro no primeiro semestre, o resultado total do ano para a instituição em 2019 foi de R$ 85,57 bilhões

Novidade na área

Caixa confirma parceria om Visa em cartões

Acordo marca o primeiro negócio fechado pelo banco público para constituir um braço de meios de pagamentos

Ano trágico

Vale tem prejuízo de US$ 1,7 bilhão em 2019; provisões e despesas por Brumadinho chegam a US$ 7,4 bilhões

A Vale fechou 2019 com um prejuízo bilionário, fortemente pressionada pelas provisões relacionadas ao rompimento da barragem em Brumadinho — efeitos que superaram em muito os ganhos relacionados à valorização do minério de ferro no ano

Gigante do varejo

Carrefour registra lucro líquido a controladores de R$ 636 milhões no 4º trimestre de 2019

Resultado representa uma alta de quase 20% na comparação com o mesmo período do ano anterior

Adiou de vez

Bolsonaro confirma envio de reforma administrativa só depois do carnaval

Presidente disse que a reforma administrativa está “madura”, embora ainda não esteja pronta

Na ponta do lápis

Vale, SulAmérica, Carrefour e B2W: os balanços que movimentam o mercado no pré-Carnaval

Na maratona de balanços anuais de 2019, novos peso-pesados do mercado anunciaram seus números

Retorno maior com juro baixo

Menos liquidez, mais diversificação: como os clientes ricos do Itaú andam investindo

Com juro baixo, clientes private do Itaú vêm reduzindo alocação em renda fixa pós-fixada e migrando para ativos com mais risco de mercado ou liquidez, como ações, multimercados e investimentos de baixa liquidez.

Seu Dinheiro na sua noite

Hoje tem recorde do dólar?

Tem, sim senhor. Em mais um dia sem a presença do Banco Central no mercado, a moeda do país de Donald Trump tirou tinta dos R$ 4,40, mas perdeu um pouco de força e fechou aos R$ 4,391, alta de 0,60%. A alta recente do dólar, um movimento que na verdade começou lá em agosto […]

Sem alívio

Mais uma sessão, mais um recorde: dólar segue em alta e chega pela primeira vez aos R$ 4,39

O mercado de câmbio continuou pressionado pelo coronavírus e pela fraqueza da economia doméstica. Nesse cenário, o dólar à vista ficou a um triz de bater os R$ 4,40, enquanto o Ibovespa caiu mais de 1% e voltou aos 114 mil pontos

Ele fica

Ministro chama de ‘maior mentira’ história de pedido de saída de Guedes

Ruído sobre eventual saída do titular da Economia do governo se espalhou pelos mercados nesta semana

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements