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Os fundos da Novus, que possuem R$ 1,6 bilhão em patrimônio, mantêm a bolsa como principal aposta em meio aos efeitos do novo ciclo de queda da taxa básica de juros (Selic) na economia
O Brasil precisa voltar a crescer. A afirmação até poderia partir de algum político em Brasília, mas veio de Luiz Eduardo Portella, sócio da gestora de fundos Novus Capital. Na visão do gestor, a reação da economia é importante tanto para estimular novas altas da bolsa (com a entrada do capital estrangeiro) como para dar sustentação à agenda liberal implementada pelo governo Bolsonaro.
O sócio da gestora carioca que nasceu da união da Modal Asset e da Flag visitou a redação do Seu Dinheiro na semana passada. Quem está cadastrado na nossa newsletter já teve acesso a uma palhinha da conversa.
Os fundos da Novus, que possuem R$ 1,6 bilhão em patrimônio, mantêm a bolsa como principal aposta em meio aos efeitos do novo ciclo de queda da taxa básica de juros (Selic) na economia. Nos últimos 12 meses, o Novus Capital Institucional acumula um retorno de 125% do CDI. O Novus Macro, também disponível nas plataformas de investimento, vai ainda melhor, com uma rentabilidade de 228% do CDI.
A boa notícia é que, segundo Portella, a recuperação da economia está a caminho. Depois do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) acima do esperado no segundo trimestre, ele me disse que espera mais sinais de retomada até o fim do ano. A projeção é que o crescimento atinja 3,5% “na ponta” no quarto trimestre, ou seja, na comparação com o mesmo período de 2018.
Para o gestor da Novus, a confirmação da recuperação da economia deve ser o gatilho para novas altas da bolsa. A valorização virá, entre outros fatores, da entrada do investidor estrangeiro, que ao contrário das previsões ainda não trouxe um grande volume de recursos para a bolsa brasileira neste ano.
A aprovação da reforma da Previdência, que tem tudo para acontecer nesta semana no Senado, é muito importante, mas por si só não é o suficiente para fazer a bolsa decolar.
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"A reforma veio para o país não quebrar. O gringo quer ver crescimento", afirmou Portella.
Além de atrair o dinheiro gringo, Portella diz que uma retomada mais consistente do crescimento traz uma maior tranquilidade do ponto de vista político para a continuidade das medidas liberais do governo. A agenda de privatizações e concessões ao setor privado também favorece os investimentos na bolsa.
A "paciência política" deve ficar bem menor se a economia continuar patinando até o segundo trimestre do ano que vem, ainda que esse não seja o cenário com o qual os fundos da Novus trabalham.
Dentro da bolsa, Portella vê boas perspectivas para as ações dos setores que se beneficiam da melhora do PIB, como as empresas ligadas a bens consumo e imobiliário, além da área de infraestrutura.
Até mesmo os bancos, que vêm sofrendo com o ataque das novas empresas de tecnologia financeira (fintechs), devem se beneficiar com o avanço do crédito em decorrência da queda de juros.
Sobre as incertezas no cenário externo, que preocupam 11 em cada 10 analistas no mercado financeiro, Portella afirmou estar mais otimista do que no começo do ano.
Entre as razões do otimismo está a percepção de que a guerra comercial entre Estados Unidos e China deve passar por alguma acomodação, ainda mais com as eleições presidenciais na maior economia do mundo se aproximando.
De fato, pouco depois da nossa conversa, o presidente dos EUA, Donald Trump, deu declarações bem mais animadoras sobre a disputa com os chineses.
Os estímulos dos Bancos Centrais globais na tentativa de evitar uma recessão da economia também devem contribuir para que o dinheiro volte a fluir para os mercados emergentes, incluindo o Brasil, segundo o sócio-gestor dos fundos da Novus.
Por tudo isso, Portella não vê muito fôlego na alta recente do dólar. Para ele, a moeda norte-americana está no fim de um ciclo de valorização que já dura uma década. Os fundos da Novus não estão vendidos no câmbio, mas o gestor diz que pode se posicionar assim que houver sinais mais claros dessa virada no ciclo.
Com a decisão do Banco Central de reduzir os juros em 0,5 ponto percentual e sinalizar novos cortes, a Selic caminha para encerrar o ano abaixo dos 5%, segundo Portella.
"Mas não vejo muita graça na renda fixa hoje", diz. Ele considera, porém, que a rentabilidade dos títulos públicos atrelados à inflação (Tesouro IPCA) pode ser interessante para o investidor pessoa física.
Do lado dos riscos, o gestor da Novus prevê uma onda de grande volatilidade no mercado ao longo do ano que vem, ainda mais dependendo de quem for o adversário democrata de Trump. Os mais temidos pelos investidores hoje entre os pré-candidatos democratas são os senadores Elizabeth Warren e Bernie Sanders.
O montante considera o período de janeiro até a primeira semana de março e é quase o dobro do observado em 2025, quando os gringos injetaram R$ 25,5 bilhões na B3
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