PetroRio: de patinho feio a cisne, petroleira de Nelson Tanure teve valorização de 90% na bolsa desde o início do ano
Ainda que os papéis da empresa tenham obtido grande alta nos últimos meses, o investidor deve tomar cuidado com algumas posturas da empresa
À primeira vista, pode não parecer. Mas a trajetória da petroleira PetroRio e o conto infantil que narra a história de um patinho que desde cedo é rejeitado pela mãe e irmãos por conta de sua aparência tem muita coisa a ver.
Isso porque desde que a antiga HRT virou PetroRio, a empresa mudou de forma drástica não só internamente como também aos olhos dos gestores. Em uma reviravolta, a companhia passou de patinho feio para cisne e isso refletiu no preço de suas ações, que tiveram alta de 90% desde o início do ano.
Mas o que teria ocorrido? Cerca de quatro anos atrás, a mudança começou com a troca de gestão. Na época, a PetroRio passou a ter como um dos principais acionistas o empresário Nelson Tanure, que é conhecido por adquirir empresas que estão com problemas financeiros graves e até mesmo em recuperação judicial.
Além das alterações no comando, ela deixou de investir em campos em que antes não existia a comprovação de petróleo e adotou uma visão bastante agressiva de entrega de resultados.
Depois de tanto "bafafá" e especulações sobre a possibilidade de ser ou não uma bolha, fui conversar com algumas pessoas do mercado para entender melhor o que mudou na empresa e saber se ações podem subir ainda mais. Apenas para deixá-lo curioso, já te adianto que ainda há potencial de alta para o preço dos papéis.
Estranheza à primeira vista
Para quem cobre mercado financeiro, uma das primeiras coisas que um jornalista busca antes de fazer uma pauta sobre empresas de capital aberto é conversar com analistas que fazem a cobertura da empresa. Ao contrário das empresas em geral, não há nenhuma casa responsável por analisar as ações da PetroRio, pelo menos segundo o portal de relações com investidores.
Leia Também
As ações ordinárias da companhia (PRIO3) fazem parte hoje do índice de small caps (empresas de menor valor de mercado), mas a liquidez ainda restrita leva as corretoras a deixarem a empresa fora da cobertura.
Diante das dificuldades, fui bater um papo com dois gestores de fundos que investem um pequeno percentual da carteira na petroleira. Por conta da posição que possuem na companhia, eles falaram sob a condição de não serem identificados.
Da água pro vinho
A primeira pergunta que todo investidor costuma fazer é: como a PetroRio passou de patinho feio para cisne? A empresa chegou a passar por maus bocados e quase quebrou, mas desde a entrada da nova gestão e da mudança de estratégia de investimentos, ela se transformou e para melhor.
Na opinião de um dos gestores com os quais eu conversei, o botão de crescimento da empresa começou a ser pressionado quando ela voltou-se para a exploração de campos maduros. Ou seja, passou a investir em campos que já foram bastante desenvolvidos por outras companhias. Isso é positivo porque a empresa consegue reduzir os riscos ao trabalhar com mais dados históricos sobre os locais de exploração.
Até 2014, a companhia trabalhava apenas com campos novos. Ao mudar a estratégia, uma das primeiras aquisições foi a do campo de Polvo, localizado na Bacia de Campos. Segundo um dos especialistas, durante a primeira fase, a empresa refez alguns contratos, melhorou processos e com isso, os custos passaram de cerca de R$ 240 milhões para próximo de R$ 100 milhões ao ano.
Na segunda fase, por conta da queda de produção - que é natural depois de um tempo de exploração -, a companhia optou por ativar poços que estavam abandonados e assim, estendeu a vida útil do campo e fez com que a sua produção não tivesse uma redução tão brusca.
Mas a maior mudança veio quando a PetroRio verificou a presença de potenciais prospectos (reservatórios) que poderia explorar e que poderiam fazer com que ela retomasse a produção no campo de Polvo, com duas perfurações adicionais bem-sucedidas. Com isso, a vida útil do campo foi postergada até 2030.
Quando o jogo virou
Mas os investimentos não pararam por aí. Com uma boa quantidade de caixa disponível para investir, a empresa aproveitou o interesse da petroleira americana Chevron em vender a sua participação no campo de Frade - também na Bacia de Campos - para adquiri-la. E foi a partir dessa aquisição que o jogo mudou pra valer com a diversificação do portfólio e o potencial do campo.
Segundo um dos gestores consultados, a vantagem do negócio é que, por conta de um vazamento de petróleo no local em 2011, a Chevron havia abandonado a exploração do campo por um tempo.
"Como esse campo parou no meio do seu processo de desenvolvimento, a PetroRio vai ter a oportunidade de explorá-lo com risco próximo de zero, porque ela possui mais dados históricos sobre o poço. Na minha visão, isso deve aumentar em cerca de 20% a operação", destacou um dos especialistas.
Para ele, o interessante da aquisição é que, como a empresa já tem a expertise necessária para explorar esses campos, ela pode fazer uma "espécie de copia e cola" com o que já foi em Polvo. Além disso, como ambas têm sinergia e compartilham da mesma base logística, seria possível criar uma estrutura entre os dois campos e compartilhar o conhecimento que adquiriu ao longo do tempo.
Na visão do gestor, nos próximos meses, se a empresa for bem-sucedida na perfuração de quatro poços de Frade, as estimativas apontam que a vida útil do poço poderá ser estendida até depois de 2040.
Tchau Petrobras, olá PetroRio
Outro gatilho que pode impulsionar bastante as ações da empresa é justamente o fato de que a Petrobras vem fazendo cada vez mais desinvestimentos. E isso impacta diretamente na PetroRio, que é uma candidata natural a comprar os ativos da estatal.
Segundo me explicaram os gestores, para a PetroRio os negócios interessam porque ela consegue reduzir os custos de produção e de abandono do poço justamente por ser menor e ter maior agilidade para mudar.
Ao infinito e além
Apesar da alta que a ação já teve, um dos gestores ainda me apontou que os papéis ainda não capturaram o potencial do campo de Frade. Segundo ele, o mercado ainda não entendeu o potencial desse ativo.
"Se hoje ele produz 20 mil barris por dia, com as intervenções no campo, ele deve produzir cerca de 16 mil barris adicionais por dia. Isso fora a produção de Polvo", destacou o especialista.
Além das perspectivas positivas, a empresa divulgou um balanço positivo. No ano passado, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ultrapassou os 20% e a margens operacionais ficaram por volta de 32%.
A geração de caixa ajustada (Ebitda, que é o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da empresa fechou o ano em R$ 278,811 milhões e a empresa terminou 2018 com lucro líquido de R$ 204,875 milhões, uma alta de 302% em relação ao ano anterior. Por conta da forte posição de caixa e do baixo volume de dívidas, ela poderá aproveitar oportunidades deixadas especialmente pelo programa de desinvestimentos da Petrobras.
Olhos bem abertos
Mas é claro que tudo tem o seu preço. Um dos maiores riscos que o investidor corre ao apostar nesse tipo de empresa é o fato de ela ser uma petroleira. A razão é que ela está atrelada aos altos e baixos do preço da commodity.
Outro ponto é que a empresa tem como um dos principais acionistas o polêmico empresário Nelson Tanure, que é conhecido por investir em empresas que estão em recuperação judicial e com graves problemas financeiros. O CEO da companhia é Nelson Queiroz Tanure, filho do empresário.
Na opinião de um dos gestores com o qual eu conversei, a governança é justamente um dos fatores que mais amedrontar alguns investidores. Isso porque os controladores já usaram uma parte do caixa para comprar ações da Oi, o que mostrou um conflito de interesses entre os controladores e a companhia.
Não é à toa que ambos os fundos possuem apenas pequenos percentuais investidos na empresa.
Uma das razões "é que é uma tese nova e há os riscos relacionados a quem está no controle da companhia. Tomamos muito cuidado depois de ver a questão da Qualicorp", mencionou um dos gestores, em referência à polêmica decisão da companhia de pagar R$ 150 milhões a José Seripieri Filho, presidente e principal acionista da empresa.
Outro ponto de atenção é a questão do campo de Frade. O problema é que ainda não é possível ter certeza sobre o volume de produção que será extraído de lá.
De qualquer forma, acredito que o investimento nas ações da PetroRio mostra-se interessante do ponto de vista dos resultados que a empresa entregou até agora e das perspectivas futuras.
Mas é preciso ressaltar que o investidor deve prestar atenção e estar disposto a correr riscos. O melhor é montar uma posição pequena na ação e se proteger com os famosos seguros como fundos de ouro e de dólar contra as possíveis variações cambiais que esse ativo possa ter ao longo do tempo.
Com invasão dos EUA na Venezuela, como fica o preço do petróleo e o que pode acontecer com a Petrobras (PETR3) e junior oils
Empresas petroleiras brasileiras menores, como Brava (BRAV3) e PetroRio (PRIO3), sofrem mais. Mas a causa não é a queda do preço do petróleo; entenda
Pão de Açúcar (PCAR3) tem novo CEO depois de meses com cargo ‘vago’. Ele vai lidar com o elefante na sala?
Alexandre Santoro assume o comando do Grupo Pão de Açúcar em meio à disputa por controle e a uma dívida de R$ 2,7 bilhões
Nem banco, nem elétrica: ação favorita para janeiro de 2026 vem do canteiro de obras e está sendo negociada com desconto
Com um desconto de 27,18% no último mês, a construtora recebeu três recomendações entre os nove bancos e corretoras consultados pelo Seu Dinheiro
Ação da Azul (AZUL54) em queda livre: por que os papéis estão sendo dizimados na bolsa, com perdas de 50% só hoje (2)?
Papéis derretem na bolsa após o mercado precificar os efeitos do Chapter 11 nos EUA, que envolve conversão de dívidas em ações, emissão massiva de novos papéis, fim das preferenciais e forte diluição para os atuais acionistas
Dasa (DASA3): vender ativos por metade do preço pago foi um bom negócio? Analistas respondem
Papéis chegaram a disparar com a venda de ativos, mas perderam força ao longo do dia; bancos avaliam que o negócio reduz dívida, ainda que com desconto relevante
Minerva (BEEF3) e MBRF (MBRF3) caem forte com tarifas da China sobre a carne bovina brasileira
País asiático impôs uma tarifa de 55% às importações que excederem a cota do Brasil, de 1,1 milhão de toneladas
FIIs de galpões logísticos foram os campeões de 2025; confira o ranking dos melhores e piores fundos imobiliários do ano
Entre os destaques positivos do IFIX, os FIIs do segmento de galpões logísticos vêm sendo beneficiados pela alta demanda das empresas de varejo
Petrobras (PETR4): por que ação fechou o ano no vermelho com o pior desempenho anual desde 2020
Não foi só o petróleo mais barato que pesou no humor do mercado: a expectativa em torno do novo plano estratégico, divulgado em novembro, e dividendos menos generosos pesaram nos papéis
As maiores quedas do Ibovespa em 2025: o que deu errado com Raízen (RAIZ4), Hapvida (HAPV3) e Natura (NATU3)?
Entre balanços frustrantes e um cenário econômico hostil, essas companhias concentraram as maiores quedas do principal índice da bolsa brasileira
Ouro recua quase 5% e prata tomba quase 9% nesta segunda (29); entenda o que aconteceu com os metais preciosos
Ouro acumula alta de 66% em 2025, enquanto a prata avançou cerca de 145% no ano
Na reta final de 2025, Ibovespa garante ganho de 1,5% na semana e dólar acompanha
A liquidez reduzida marcou as negociações na semana do Natal, mas a Selic e o cenário eleitoral, além da questão fiscal, continuam ditando o ritmo do mercado brasileiro
Apetite por risco atinge o maior nível desde 2024, e investidores começam a trocar a renda fixa pela bolsa, diz XP
Levantamento com assessores mostra melhora no sentimento em relação às ações, com aumento na intenção de investir em bolsa e na alocação real
Perto da privatização, Copasa (CSMG3) fará parte do Ibovespa a partir de janeiro, enquanto outra ação dá adeus ao índice principal
Terceira prévia mostra que o índice da B3 começará o ano com 82 ativos, de 79 empresas, e com mudanças no “top 5”; saiba mais
3 surpresas que podem mexer com os mercados em 2026, segundo o Morgan Stanley
O banco projeta alta de 13% do S&P 500 no próximo ano, sustentada por lucros fortes e recuperação gradual da economia dos EUA. Ainda assim, riscos seguem no radar
Ursos de 2025: Banco Master, Bolsonaro, Oi (OIBR3) e dólar… veja quem esteve em baixa neste ano na visão do Seu Dinheiro
Retrospectiva especial do podcast Touros e Ursos revela quem terminou 2025 em baixa no mercado, na política e nos investimentos; confira
Os recordes voltaram: ouro é negociado acima de US$ 4.450 e prata sobe a US$ 69 pela 1ª vez na história. O que mexe com os metais?
No acumulado do ano, a valorização do ouro se aproxima de 70%, enquanto a alta prata está em 128%
LCIs e LCAs com juros mensais, 11 ações para dividendos em 2026 e mais: as mais lidas do Seu Dinheiro
Renda pingando na conta, dividendos no radar e até metas para correr mais: veja os assuntos que dominaram a atenção dos leitores do Seu Dinheiro nesta semana
R$ 40 bilhões em dividendos, JCP e bonificação: mais de 20 empresas anunciaram pagamentos na semana; veja a lista
Com receio da nova tributação de dividendos, empresas aceleraram anúncios de proventos e colocaram mais de R$ 40 bilhões na mesa em poucos dias
Musk vira primeira pessoa na história a valer US$ 700 bilhões — e esse nem foi o único recorde de fortuna que ele bateu na semana
O patrimônio do presidente da Tesla atingiu os US$ 700 bilhões depois de uma decisão da Suprema Corte de Delaware reestabelecer um pacote de remuneração de US$ 56 bilhões ao executivo
Maiores quedas e altas do Ibovespa na semana: com cenário eleitoral e Copom ‘jogando contra’, índice caiu 1,4%; confira os destaques
Com Copom firme e incertezas políticas no horizonte, investidores reduziram risco e pressionaram o Ibovespa; Brava (BRAV3) é maior alta, enquanto Direcional (DIRR3) lidera perdas
