Sem surpresas com o Fed, dólar cai a R$ 4,11 e Ibovespa fecha em leve alta
A primeira parte do script imaginado pelos mercados foi cumprida à risca: o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) manteve a taxa de juros no país na faixa de 1,50% e 1,75% ao ano, conforme era esperado pelos agentes financeiros. E, sem nenhuma surpresa, o dólar à vista encontrou espaço para continuar caindo, enquanto […]

A primeira parte do script imaginado pelos mercados foi cumprida à risca: o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) manteve a taxa de juros no país na faixa de 1,50% e 1,75% ao ano, conforme era esperado pelos agentes financeiros. E, sem nenhuma surpresa, o dólar à vista encontrou espaço para continuar caindo, enquanto o Ibovespa teve leve alta.
A moeda americana passou toda a sessão desta quarta-feira (11) no campo negativo, encerrando em baixa de 0,72%, a R$ 4,1190 — é a menor cotação de fechamento desde 7 de outubro (R$ 4,0930). A divisa, contudo, foi apenas marginalmente afetada pelo Fed, já que era negociada na faixa de R$ 4,12 antes da decisão.
O Ibovespa apresentou comportamento semelhante: terminou o pregão em leve alta de 0,26%, aos 110.964,27 pontos — o índice passou o dia flutuando perto da estabilidade, em "stand by" antes do Fed e do Copom — e a postura do BC americano quase não provocou alterações na bolsa brasileira.
Há duas informações principais a serem colhidas na decisão de juros dos Estados Unidos: em primeiro lugar, há a taxa em si, mantida na faixa de 1,50% a 1,75% ao ano — o que interrompeu a sequência de três cortes consecutivos promovidos pelo Fed. Mas, como já foi dito, a estabilidade era amplamente aguardada pelo mercado e não foi recebida com turbulência.
Um pouco mais surpreendente foi a sinalização de que os juros devem permanecer nos níveis atuais em 2020 — a maioria dos integrantes do Fed enxerga que as taxas encerrem o ano que vem no mesmo patamar de hoje. Essa indicação, contudo, também não gerou grandes dramas nos mercados financeiros.
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Tanto é que as bolsas americanas apresentaram um comportamento muito parecido com os ativos brasileiros — ou seja, pouco reagiram à decisão do Fed. O Dow Jones (+0,11%) o S&P 500 (+0,28%) e o Nasdaq (+0,44%) tiveram uma ligeira melhora, mas nada muito expressivo.
Falta agora a segunda metade do script — a decisão de juros no Brasil, que será reportada pelo Copom apenas depois do fechamento dos mercados. A expectativa é elevada, embora os agentes financeiros também tenham um cenário bem claro em mente: um novo corte de 0,5 ponto nas taxas.
Assim, considerando a confiança dos mercados em relação à postura do Copom e a ausência de surpresas no Fed, o tom foi de tranquilidade nos ativos brasileiros, com o dólar caindo e o Ibovespa subindo.
Dados econômicos
Enquanto aguardava as novidades no front da Selic, o mercado doméstico digeriu os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que reportou mais cedo a sexta alta consecutiva para as vendas no varejo.
Apesar do resultado favorável, o desempenho das ações das varejistas não foi homogêneo. Magazine Luiza ON (MGLU3) subiu 2,10% e Via Varejo ON (VVAR3) teve ganho de 1,18%, mas Lojas Americanas PN (LAME4) caiu 0,60%.
O destaque positivo da sessão ficou com o setor educacional: Cogna ON (COGN3) fechou em alta de 7,08%, enquanto Yduqs ON (YDUQ3) avançou 4,25%, liderando os ganhos do Ibovespa. O mercado reagiu positivamente à portaria do MEC que permite que até 40% da carga horária dos cursos superiores seja ofertada na modalidade de ensino a distância — o limite anterior era de 20%.
Top 5
Confira abaixo os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa nesta quarta-feira:
- Cogna ON (COGN3): +7,08%
- Yduqs ON (YDUQ3): +4,25%
- Weg ON (WEGE3): +3.44%
- Cosan ON (CSAN3): +3,27%
- Ecorodovias ON (ECOR3): +3,11%
Veja também as ações com as maiores perdas do índice:
- BRF ON (BRFS3): -2,50%
- Raia Drogasil ON (RADL3): -2,31%
- JBS ON (JBSS3): -2,12%
- Telefônica Brasil PN (VIVT4): - 1,41%
- B3 ON (B3SA3): -1,26%
Disputa comercial
Também continuou como foco de atenção do mercado o desenrolar da disputa entre Estados Unidos e China. Na reta final para o deadline de Washington, no próximo domingo (15), a falta de progresso em relação à primeira fase de um acordo comercial eleva a preocupação entre os investidores.
Apesar disso, na Europa as principais bolsas fecharam no campo positivo. Na Ásia, a maioria das bolsas subiram, em uma reação cautelosa, mas animada, à notícia de que o presidente do EUA, Donald Trump, pode adiar o aumento da tarifa em US$ 160 bilhões em produtos chineses populares, como smartphones e laptops.
Juros estáveis
As curvas de juros ignoraram a queda no dólar à vista e flutuaram ao redor da estabilidade, tanto na ponta curta quanto na longa, à espera da decisão do Copom. Veja como fecharam os principais DIs:
- Janeiro/21: de 4,61% para 4,62%;
- Janeiro/23: de 5,73% para 5,74%;
- Janeiro/25: estável em 6,35%;
- Janeiro/27: de 6,71% para 6,70%.
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