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Papéis das processadoras de carnes lideravam as quedas do Ibovespa, com perda de mais de 4%

Após participarem de reunião no Ministério da Agricultura, diretores da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), confirmaram que a Arábia Saudita descredenciou 33 unidades habilitadas a exportar carne de frango para o país, de um total de 58. A informação foi antecipada pelo jornal Folha de S.Paulo. Segundo o presidente da ABPA e ex-ministro da Agricultura, Francisco Turra, nem todas essas unidades estavam de fato exportando para a Arábia Saudita. Ainda assim, elas representam 30% do volume que atualmente é vendido para o país.
A associação ainda está avaliando quem foi atingido, mas afirmou que na lista estão unidades da JBS e BRF. A lista foi enviada pelas autoridades da Arábia Saudita ontem à noite ao governo brasileiro.
Em nota, a entidade informou que as empresas autorizadas constam de uma lista divulgada pelos sauditas. "As razões informadas para a não-autorização das demais plantas habilitadas decorrem de critérios técnicos", acrescentou a ABPA. Até o momento, planos de ação corretiva estão em implementação para a retomada das autorizações, disse a associação.
Com a decisão, as ações ordinárias da Marfrig lideravam as quedas do Ibovespa, com perda de 4,31% às 16h30. Papéis da BRF vinham logo atrás, com queda de 4,16%. Já as ações ON da JBS recuavam apenas 1,09%, ajudadas pela informação de que a China teria aceitado a proposta de exportadores brasileiros de carne de frango para encerrar uma disputa antidumping.
A ABPA também afirma que está em contato com o governo brasileiro para que, em tratativa com o reino da Arábia Saudita, sejam solucionados os eventuais questionamentos e incluídas as demais plantas.
A reunião desta terça-feira estava agendada e fazia parte de encontros periódicos, mas ganhou importância e o tema dominante foi a decisão da Arábia Saudita. Estiveram presentes o secretário de Defesa Agropecuária José Guilherme Leal e o embaixador Orlando leite. A ABPA deve ter mais uma agenda no ministério, ainda esta tarde. Desta vez, o encontro será com a ministra Tereza Cristina.
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De acordo com o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, a decisão da Arábia Saudita de suspender a compra de carne de frango do Brasil seria uma retaliação à ideia estudada pelo governo Bolsonaro de mudar a embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém. A informação foi divulgada pelo executivo durante as reuniões do Fórum Econômico Mundial, em Davos.
Já o vice-presidente e diretor técnico da ABPA Rui Vargas disse que o documento enviado pela Arábia Saudita não revela os motivos do descredenciamento. Em sua avaliação, a decisão não estaria associada a questões envolvendo uma eventual mudança da embaixada do Brasil em Israel. Para Turra, esse é um movimento de proteção do mercado doméstico já que a Arábia Saudita vem incrementando a produção local de frangos.
*Com Estadão Conteúdo.
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