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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

Oferta hostil

Acionistas da IMC aprovam “pílula de veneno”, e Sapore deve ficar sem Frango Assado

Cláusula aprovada hoje na assembleia da dona das redes de restaurantes Frango Assado e Viena deve inviabilizar proposta do empresário Daniel Mendez, dono da Sapore, que pretende promover uma fusão entre as empresas

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
13 de dezembro de 2018
17:55 - atualizado às 10:02
frango assado IMC MEAL3
Daniel Mendez, dono da Sapore - Imagem: Facebook/Divulgação

O empresário Daniel Mendez, dono da empresa de refeições coletivas Sapore, deve ficar mais uma vez sem Frango Assado no cardápio.

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Os acionistas da IMC, empresa listada na bolsa que controla as redes de restaurantes Frango Assado e Viena, aprovaram na tarde de hoje uma mudança no estatuto que deve inviabilizar os planos do empresário, que pretende promover uma fusão da IMC com a Sapore.

Com a cláusula incluída hoje no estatuto, qualquer investidor que atingir uma participação de pelo menos 30% na IMC terá agora de fazer uma oferta a todos os acionistas.

Esse tipo de condição estabelecida em estatuto é chamada no mercado de "poison pill" (pílula de veneno). O objetivo é justamente dificultar a tomada do controle em companhias com o capital pulverizado na bolsa, como é o caso da IMC.

A disputa

Mendez lançou no mês passado uma oferta para comprar 40% das ações da IMC diretamente na bolsa. Esse processo é chamado de "oferta hostil", porque não passou por uma negociação prévia com a administração da companhia. O empresário ofereceu R$ 8,63 por ação da dona do Viena e Frango Assado na operação, marcada para o dia 19 de dezembro.

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Posteriormente, Mendez promoveria uma fusão entre a Sapore e a IMC. Juntas, elas formariam uma empresa com faturamento de R$ 3 bilhões e 1,4 mil pontos de venda em cinco países, com aproximadamente 25 mil funcionários.

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Com as novas regras aprovadas hoje, Mendez terá de desembolsar R$ 1,357 bilhão para estender a oferta a todos os acionistas. Bem acima dos R$ 600 milhões que ele se dispôs a pagar para ficar com os 40% da empresa. Mas o dono da Sapore afirmou que desistiria do negócio se a pílula de veneno fosse aprovada.

A assembleia de hoje contou com quórum de 82% dos acionistas, acima do mínimo necessário de dois terços da base acionária para ser instalada. Desse total, pouco mais de 99% votaram pela inclusão da cláusula no estatuto da IMC, segundo duas fontes que estiveram na reunião.

Antes da assembleia, o dono da Sapore convidou os acionistas da IMC para reuniões em uma tentativa de diminuir a resistência à oferta e aos planos de união entre as duas empresas. Uma tentativa de adiar a reunião dos acionistas foi barrada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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Lado a lado

O resultado da votação mostrou que os acionistas da IMC preferiram ficar do lado do conselho da empresa, que se posicionou contra a investida de Mendez.

Do lado da Sapore, a decisão dos acionistas deve sepultar de vez o projeto de fusão. "O voto é soberano", me disse uma fonte a par do assunto.

Depois de todo esse clima bélico, a possibilidade de as partes se sentarem para uma nova rodada de conversas também é tida como improvável.

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