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Luis Ottoni

Luis Ottoni

Jornalista formado pela Universidade Mackenzie e pós-graduando em negócios pela Fundação Getúlio Vargas. Atuou nas editorias de economia nos portais G1, da Rede Globo, e iG.

Guia do Seu Dinheiro

Ganhando em dólares: um passo a passo de como investir em ações direto nos EUA

Saiba quais os requisitos para começar a investir no mercado americano e no que você deve ficar atento na hora de transferir os rendimentos de volta ao Brasil

Luis Ottoni
Luis Ottoni
13 de outubro de 2018
6:30 - atualizado às 10:03
Imagem: shutterstock

Já pensou em investir diretamente em ações da Apple, Amazon, Disney e outras gigantes americanas? Apesar de burocrático, como você deve pensar que é, esse processo está longe de ser impossível.

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Fui atrás de corretoras e bancos nacionais e internacionais para entender como funciona abrir uma conta em corretoras e bancos em território americano e quais cuidados você tem que ter na hora de transferir os rendimentos de volta. Tudo o que descobri nesse processo vou compartilhar com você neste guia.

Antes de mais nada, você precisa saber que nos EUA:

  • A maioria das corretoras solicita um depósito mínimo, que varia de US$ 500 a US$ 2000, para aprovar a abertura de contas. A tarifa média por aplicação em ações varia de zero a US$ 6,95.
  • Já os bancos pedem que você comprove residência nos EUA, inviabilizando o processo a distância. As taxas de custódia nesse caso variam de US$ 2,95 a US$ 100
  • Além do Imposto de Renda, o investidor brasileiro deve estar disposto a arcar com IOF nas remessas ao exterior
  • Investidores estrangeiros têm vantagens financeiras como redução de impostos após preenchimento do formulário W-8BEN

Por onde começo?

Comparando as taxas e os documentos necessários para abrir uma conta nas corretoras ou bancos. A maioria deles vai te pedir um depósito inicial para abrir a conta e o preenchimento de diversos documentos, entre eles o W-8BEN, uma espécie de certificado que te isenta de pagar taxas ao governo americano sobre seus rendimentos.

A lógica por lá é a mesma daqui do Brasil. É possível investir no mercado de ações por corretoras ou bancos e você fica sujeito a taxas de custódia e corretagem. O processo de abrir conta nos bancos costuma ser mais difícil se você não tem um visto de residência temporária ou permanente além de ser necessário estar no país para isso. Na maioria das corretoras, como a TD Ameritrade e a Interactive Brokers, o processo é todo digital.

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We Speak Português

Um outro caminho a trilhar é tentar abrir conta nas filiais das instituições brasileiras lá fora. A grande vantagem é que elas dispõem de atendimento e assessoria em português nesses casos. O ponto negativo é que esses serviços costumam ser limitados a clientes de planos premium. Dias atrás entrei em contato com os bancos e fui informado que as tarifas referentes a esses serviços são personalizadas e, portanto, variam de acordo com “a necessidade do cliente”.

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De forma mais direta, o preço que você pagaria para comprar uma ação americana pelo seu banco nos EUA vai depender de diversos fatores, como o quanto você está disposto a manter no balanço de sua conta internacional. Nenhuma instituição bancária que conversei aceitou abrir o jogo em relação aos preços das operações (desconfio que sejam altos). Portanto, se for falar com seu gerente e encontrar uma proposta bacana, compartilhe comigo nos comentários, ok?

Quais corretoras e bancos aceitam brasileiros?

Separei uma lista das instituições com o valor de depósito inicial (em agosto de 2018) e os documentos necessários para você abrir uma conta. Nas corretoras, o processo de abertura é intuitivo: clique em “open an account” e siga os procedimentos de cada uma. Já no caso dos bancos, se você não reside nos EUA ou possui um Social Security Number (o CPF americano), não é possível fazer o processo on-line.

TD Ameritrade

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  • Aporte inicial: não há. Mas é necessário um “depósito de segurança” no valor de US$ 2.000 antes de começar a negociar ações ou fundos
  • Documentos necessários: passaporte, comprovante de residência, CPF, visto americano, W-8 BEN e informações sobre seu empregador

Interactive Brokers

  • Aporte inicial: US$ 10.000
  • Documentos necessários: passaporte, comprovante de residência (de até 60 dias), W-8 BEN, CPF e informações sobre seu empregador

Tradestation

  • Aporte inicial: US$ 500
  • Documentos necessários: passaporte, comprovante de residência (de até 60 dias), W-8 BEN, CPF e informações sobre seu empregador

First Trade

  • Aporte inicial: não há
    Documentos necessários: passaporte, comprovante de residência (de até 60 dias), W-8 BEN, CPF e informações sobre seu empregador

Bank of America

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  • Aporte inicial: não há
  • Documentos necessários: passaporte, Social Security Number (‘CPF’ americano), comprovante de residência nos EUA, histórico de emprego e informações financeiras
  • Observação: não atende pessoas físicas no Brasil e é necessário abrir em uma conta em agência nos EUA

J.P. Morgan (Chase)

  • Aporte inicial: não há
  • Documentos necessários: passaporte, Social Security Number (‘CPF’ americano), comprovante de residência nos EUA, histórico de emprego e informações financeiras

Citibank

  • Aporte inicial: não há
  • Documentos necessários: passaporte, Social Security Number (‘CPF’ americano), comprovante de residência nos EUA, histórico de emprego e informações financeiras
  • Observação: não atende pessoas físicas no Brasil e é necessário abrir em uma conta em agência nos EUA

Tarifas de Operação

Assim como no Brasil, as tarifas de operações variam muito de uma corretora para outra. Para se ter uma ideia, a Tradestation cobra US$ 5 por operação enquanto na TD Ameritrade é necessário desembolsar US$ 6,95. A Firstrade não cobra tarifas para operação em ações enquanto a Interactive Brokers cobra US$ 1.

Tá, mas e os bancos?

Têm taxas relativamente parecidas às das corretoras. O valor por operação em ações e ETFs no J.P. Morgan, por exemplo, é de US$ 2,95 enquanto no Bank Of America essa taxa chega a US$ 6,95. Já no Citibank, o investidor paga 0,01% de comissão sobre o rendimento mensal de seus investimentos, sendo que essa taxa de custódia não pode passar dos US$ 100 a cada 6 meses.

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Será que é pra mim?

Depende do quanto você está disposto a pagar e se arriscar. Mas para te ajudar, fui buscar com especialistas na área qual é o perfil desses investidores em terras americanas. O chefe analista de mercados da Interactive Brokers, Andrew Wilkson, me disse que é bem variado, pois muitos brasileiros encontram uma grande variedade de fundos e ações.

Ele citou a diversidade de Exchange-traded Funds (ETFs) - fundos que replicam um índice como o Ibovespa - como um exemplo. Enquanto lá os investidores contam com 2 mil opções de ETFs no catálogo, no Brasil temos 15. 

Já o chefe global de investimentos do Itaú, Nicolas McCarthy, me disse que é necessário ter experiência para se aventurar nesse mercado de renda variável, principalmente por conta dos encargos em dólar, o que faz o investidor precisar de um “colchão de liquidez”, ou seja, uma reserva de emergência maior para se arriscar.

Na visão do Rafael Panonko, da Toro Investimentos, é válido lembrar que existe a possibilidade de se investir em papéis que representam ações de empresas americanas direto na Bovespa, como os BDRs. Para quem está começando, essa é uma ótima opção pois é menos arriscada e as transações ocorrem todas em reais.

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Cuidados com o Leão

De fato, há um processo burocrático para investir fora, principalmente na hora de transferir de volta os rendimentos. Mas isso não deve te desencorajar. Primeiro, saiba que para mandar as remessas ao exterior, você terá de arcar com Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 0,38% sobre o valor.

Além disso, para qualquer tipo de investimento no exterior, o leão comerá 15% de seus ganhos na volta ao Brasil. A tributação sempre incide na diferença entre o valor inicial que você enviou dos ganhos que você transferir de volta. Seu rendimento em dólares americanos deve ser convertido em reais de acordo com a cotação atual do Banco Central. Além disso, você deve pagar o imposto emitindo DARF em até um mês depois do resgate da aplicação utilizando o programa Ganhos de Capital em Moeda Estrangeira (GCME).

  • Origem dos recursos: em reais (renda obtida no Brasil e enviada aos EUA)
  • Ganho: com compra e venda de ativos, como ações, títulos de renda fixa e imóveis
  • Declaração no IR: tributação sobre ganho no momento da venda da aplicação

 

  • Origem dos recursos: em reais (renda obtida no Brasil e enviada aos EUA)
  • Ganho: por meio de um fundo de fundos (cotas)
  • Declaração no IR: tributação sobre ganho apenas no momento do resgate do fundo principal

Desconto Progressivo

Os rendimentos que você ganhará com dividendos também deverão ser declarados até o último dia do mês posterior em que eles foram disponibilizados. Para essa modalidade, deve-se seguir a seguinte tabela de desconto progressivo no pagamento de IR com o Carnê-Leão. Claro, também será necessário converter o valor em dólar com o da cotação atual do BC.

  • Valor do rendimento: até R$ 1.903,98
  • Alíquota: isento
  • Parcela a deduzir: R$ 0,00
  • Valor do rendimento: de R$ 1.903,99 a R$ 2.826,65
  • Alíquota: 7,50%
  • Parcela a deduzir: R$ 142,80
  • Valor do rendimento: de R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05
  • Alíquota: 15%
  • Parcela a deduzir: R$ 354,80
  • Valor do rendimento: de R$ 3.751,05 a R$ 4.664,68
  • Alíquota: 22,50%
  • Parcela a deduzir: R$ 636,13
  • Valor do rendimento: acima de R$ 4.664,68
  • Alíquota: 27,50%
  • Parcela a deduzir: R$ 869,36

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