Menu
Alexandre Mastrocinque
Que Bolsa é essa?
Alexandre Mastrocinque
É economista, contador e especialista em investimento em ações
2018-10-25T17:12:34+00:00
Análise

Vale – caixa a dar com pau

Em linha com as expectativas do mercado, os números da Vale foram bem fortes; expectativa de distribuição de dividendos é de US$ 4,2 bi em 2018

25 de outubro de 2018
16:13 - atualizado às 17:12
Navio da Vale
Imagem: Agência Vale

US$ 3,1 bilhões. O valor, que ao câmbio de hoje dá a bagatela de R$ 11,5 bilhões, é o que a Vale (VALE3) gerou de caixa livre (FCF) no terceiro trimestre do ano.

Se o montante chama a atenção, pense que foram US$ 13,9 bilhões gerados nos últimos 12 meses – 18% do valor de mercado da companhia. Como esse dinheiro todo já é líquido de juros e do investimento em capital fixo (Capex), isso é o que sobra para a companhia remunerar seus acionistas.

Não à toa, a distribuição de dividendos tem aumentado: a expectativa é que sejam distribuídos US$ 4,2 bilhões em dividendos em 2018 – um yield de cerca de 5,5% dados os preços atuais.

Mais interessante ainda é saber que a distribuição de proventos acontece mesmo durante um longo processo de redução do endividamento – o fechamento do trimestre apontou uma dívida líquida de US$ 10,7 bilhões (já praticamente na meta do management de US$ 10 bilhões) e uma alavancagem pra lá de confortável – 0,65x dívida líquida/Ebitda.

O que possibilitou essa geração toda de caixa foi uma produção recorde – pela primeira vez a produção em um trimestre ficou acima da marca de 100 milhões de toneladas – foram 105 milhões de toneladas de minério de ferro. Melhor ainda, 79% da produção foi de produtos premium, com maior teor de ferro e, portanto, com maior valor agregado.

Esse mix é particularmente positivo porque, dadas as políticas de redução de emissão de poluentes na China, as siderúrgicas do país têm dado preferência pelo insumo mais eficiente: o prêmio por qualidade atingiu a marca recorde de US$ 11 por tonelada, o que compensou o menor preço do minério no período.

Os números mostram que a estratégia da Vale de priorizar extração e venda de minério de maior qualidade tem rendido frutos. Porém, mesmo com o aumento de volume e a receita recorde, as margens ficaram ligeiramente abaixo do que vimos no 3T17 – o menor custo caixa, fruto da eficiência do S11D e da diluição de custos fixos, foi mais do que compensado pelo aumento dos custos com frete – a alta do petróleo não afeta só o preço do gás de cozinha.

Quem também derrubou as margens foi o fraco desempenho da divisão de metais básicos (níquel, cobre e cobalto, dentre outros), que sofreu com preços mais baixos do níquel e menor volume de produção, fruto de paradas programadas para manutenção em Sudbury (Canadá). Mesmo assim, no acumulado do ano, o Ebitda de metais básicos veio 35% acima do que vimos nos primeiros nove meses de 2017.

O lucro do trimestre foi bastante impactado por despesas financeiras – a alta do dólar, que ajuda nas receitas, acaba impactando o estoque da dívida e os derivativos cambiais – e pela despesa de impostos diferidos no trimestre. Nenhum dos efeitos é recorrente e, portanto, não preocupam.

Em linha com as expectativas do mercado, os números foram bem fortes e mostram que o processo de maturação de S11D, em Carajás, deve gerar muitos frutos para a Vale e seus acionistas. A forte demanda por minério na China tem sustentado o preço da commodity, e a Vale está particularmente bem posicionada para surfar o momento.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

O CLIMA ESQUENTOU

Bolsonaro ameaça demitir Levy por nomeação de diretor que trabalhou no governo PT

Na sexta-feira, 14, durante café da manhã com jornalista, Bolsonaro demitiu o presidente dos Correios, general Juarez Cunha

RALI

Nada de Bitcoin: criptomoeda que valorizou 330% em 2019 tem outro nome

Segundo analistas, há pelo menos duas razões claras para o movimento de alta do Litecoin. Entenda o que está causando esse fenômeno

ENTREVISTA

“Não vou impor uma solução e destruir a reforma”, diz Samuel Moreira

Relator da proposta conta ter abdicado inclusive de convicções próprias em favor da construção de um texto com apoio suficiente das lideranças

NOS TRILHOS

Rumo avaliará participar de Fiol e Ferrogrão

Ferrovias estão entre os mais importantes projetos ferroviários para o escoamento de commodities, como grãos e minério de ferro, do Brasil

BOMBOU NA SEMANA

MAIS LIDAS: Sai da minha aba, Estado

O Estado é aquele gigante metido que mais atrapalha do que ajuda. Os empreendedores precisam tirar ele do seu caminho. Confira as mais lidas da semana no Seu Dinheiro

O FRUTO DA CANNABIS

Cofres cheios de verde: Colorado atinge US$ 1 bilhão em arrecadação com maconha

Pioneiro na legalização do comércio da erva, estado americano comemora cifra e quer atrair empresas para expandir e lucrar ainda mais com o setor

MAIS UM PRA CONTA

Bolsonaro demite terceiro militar em uma semana

Segundo o presidente, Cunha “foi ao Congresso e agiu como sindicalista” ao criticar a privatização da estatal e tirar fotos com parlamentares da oposição

"Cash is king"

O risco “oculto” que deixa até famílias ricas sem dinheiro para pagar as contas

Já pensou ter milhões em imóveis, mas nem um tostão para o dia a dia? A falta de liquidez é um vilão até para os mais ricos. Saiba como fugir dessa armadilha

Olha ele aí

Michael Klein confirma compra de 1,6% de ações da Via Varejo em leilão da B3

Com o movimento, Klein agora se torna o maior acionista de referência da companhia de varejo

De costas para o ministro

Ramos: não nos contaminaremos pela fala de Guedes num momento bom da reforma

Ministro da Economia, Paulo Guedes, fez críticas nesta sexta-feira, 14, aos deputados depois da apresentação do relatório da reforma

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements