Menu
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Vídeo

O que é regime de capitalização da Previdência, afinal?

Neste vídeo eu explico direitinho o que é o regime de capitalização e como ele poderia ser adotado na Previdência Social após uma reforma

6 de fevereiro de 2019
12:56 - atualizado às 10:23

O regime de capitalização é uma das propostas na mesa do governo Bolsonaro para a reforma da Previdência. Já adotado na Previdência Social de alguns países, o sistema prevê que as contribuições previdenciárias dos trabalhadores sejam direcionadas a uma poupança, que deve ser rentabilizada e sustentá-los na aposentadoria.

Mas a adoção de um regime de capitalização na Previdência Social normalmente se dá de maneira um pouco diferente do que acontece, por exemplo, na previdência privada. No vídeo a seguir eu explico direitinho o que é o regime de capitalização, a diferença para o atual regime de repartição e como o novo sistema poderia funcionar na previdência pública após uma reforma.

Veja a seguir a transcrição do texto do vídeo

Uma das propostas aventadas para a Reforma da Previdência, e promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro, é a implantação de um regime de capitalização na Previdência Social. Mas que bicho é esse, afinal?

A Previdência Social brasileira funciona hoje segundo o regime de repartição, também chamado de regime solidário. Nele, os trabalhadores da ativa sustentam os inativos. Ou seja, aquelas contribuições previdenciárias que os trabalhadores formais mais jovens fazem todo mês são direcionadas a pagar os benefícios de quem já se aposentou. É uma espécie de taxação.

No regime de capitalização, as contribuições dos trabalhadores são direcionadas a contas individuais e investidas em aplicações financeiras para gerar uma rentabilidade. É formada uma poupança. O valor da aposentadoria, portanto, depende de quanto o trabalhador conseguiu poupar e do retorno dos investimentos.

O regime de capitalização já é utilizado nos planos privados de previdência complementar, como os fundos de pensão, os PGBL e os VGBL. Mas a ideia do governo atual é adotar esse sistema também na Previdência Social.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Essa medida poderia contribuir para solucionar a atual insustentabilidade do regime de repartição. Conforme a população jovem diminui e a idosa aumenta, a gente tem cada vez menos trabalhadores ativos para bancar os inativos, o que vem demandando mais gastos do governo para fechar a conta.

Só que a adoção do regime de capitalização pode trazer alguns problemas. Um deles ficou evidente na reforma da Previdência feita no Chile nos anos 1980. A adoção da capitalização pura pode deixar os trabalhadores informais totalmente sem renda na velhice. Além disso, os valores dos benefícios podem cair muito em relação ao regime de repartição.

Por conta disso, outros países que adotaram a capitalização preferiram um sistema híbrido em três pernas: uma renda mínima universal, paga até para quem não contribuiu; uma parte do benefício paga segundo o regime de repartição; e uma terceira parte proveniente da capitalização. O modelo adotado no Brasil provavelmente iria nessa linha.

Outra questão em torno da capitalização é a transição do regime de repartição puro para o regime híbrido. Num primeiro momento, essa transição geraria um custo enorme para o governo, já que parte das contribuições deixariam de ir para os aposentados para alimentar as contas individuais dos trabalhadores ativos.

Uma possível solução seria adotar um sistema de contas virtuais, como já acontece em alguns países. As contribuições continuam bancando as aposentadorias dos inativos, mas quando o trabalhador se aposenta, o seu benefício depene de quanto ele conseguiu contribuir e de qual teria sido a rentabilidade se esses valores tivessem sido aplicados. O efeito é similar ao das aplicações financeiras, sem que as contribuições precisem ser investidas de fato.

Gostou do vídeo? Então deixa aqui no campo de comentários as suas dúvidas e sugestões para outros vídeos, e não se esqueça de se inscrever no nosso canal de YouTube.

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

Poder

Congresso impõe agenda própria a Bolsonaro

Já são seis as iniciativas traçadas pelo Congresso para garantir maior influência e poder político após o abandono do presidencialismo de coalizão

Aviação

Segundo NYT, outro jato da Boeing pode ter problemas de segurança: o 787 Dreamliner

Segundo reportagem do New York Times, na fábrica do 787 na Carolina do Sul são comuns os casos de resíduos metálicos e ferramentas esquecidos dentro de aeronaves, além de peças defeituosas instaladas; até chiclete segurando o acabamento de uma porta já foi encontrado

O LEMA DE SÃO TOMÉ

Por que os gringos estão com o pé atrás em relação ao Brasil e à bolsa?

Apesar de o Ibovespa acumular alta em 2019, o fluxo de recursos estrangeiros para a bolsa no mercado à vista está negativo. Com a reforma da Previdência avançando aos trancos e barrancos, os gringos estão como São Tomé: só acreditam vendo

Transparência

Guedes defende mesma transparência do Copom para política de preços da Petrobras

Em entrevista, ministro voltou a defender que a estatal é livre para definir os preços

Petróleo

ANP nega mais prazo à Petrobras; campos terrestres irão para oferta permanente

Agência reguladora negou mais prazo para a estatal apresentar um plano de desativação de campos terrestres que não estão em produção há mais de seis meses

BOMBOU NA SEMANA

MAIS LIDAS: Siga o dinheiro

A vida dos milionários costuma fascinar as pessoas que ainda não chegaram e talvez nunca cheguem lá. Esse é o tipo de tema que costuma despertar as paixões humanas: admiração, inveja, raiva ou simplesmente a questão aspiracional. Quem não nasceu em uma família endinheirada certamente já pensou em como seria a sua vida se fosse […]

Atualização

Avianca cancela mais de 1.300 voos até dia 28

Guarulhos, Brasília e Galeão são os aeroportos mais prejudicados pelos cancelamentos. Já Congonhas e Santos Dumont parecem ter sido poupados

Piora nas contas

Déficit estrutural do setor público chega a 0,7% do PIB em 2018

Devido à deterioração das contas dos Estados e municípios, movimento de melhora das contas públicas pelo resultado oficial não aconteceu no estrutural, que apresentou piora no ano passado

Preço do diesel

Em áudio, Onyx diz que governo deu uma ‘trava na Petrobras’

Ministro da Casa Civil diz que os caminhoneiros podem ficar sossegados que o governo tem trabalhado para resolver o problema deles

Na mira de quem tem grana

Para que cidades os milionários estão se mudando?

Estudo mostra que Dubai, Los Angeles, Melbourne, Nova York, Sydney, Miami e São Francisco caíram nas graças dos endinheirados

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

GUIA GRATUITO

Como declarar seus investimentos no IR 2019