Menu
2019-12-03T19:13:23-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Jogo truncado

No duelo entre Trump no ataque e PIB na defesa, o Ibovespa ficou no zero a zero

Apesar da cautela vista nos mercados globais, o Ibovespa conseguiu equilibrar a partida e fechar em leve alta de 0,03%. Por aqui, o otimismo em relação ao resultado do PIB no terceiro trimestre serviu para neutralizar o pessimismo vindo de fora

3 de dezembro de 2019
18:39 - atualizado às 19:13
Futebol tática Ibovespa
Imagem: Shutterstock

As equipes dos mercados brasileiros entraram em campo com estratégias bem definidas nesta terça-feira (3). De um lado, o time do exterior iria partir para cima desde o início do dia, disposto a tirar pontos do Ibovespa; por outro, o selecionado dos investidores locais ficaria na defesa, apostando na força do PIB do país no terceiro trimestre para afastar o perigo.

E, como numa típica partida de ataque contra defesa, parecia que o time mais agressivo conseguiria, cedo ou tarde, furar o bloqueio e sair vencedor. Depois de um início de jogo mais lento, o pessimismo externo começou a amassar o otimismo local.

O Ibovespa, assim, passou boa parte do dia no campo negativo — sem nunca marcar perdas volumosas, é verdade, mas, ainda assim, dava pinta de que ficaria no vermelho no apito final. Na mínima da sessão, o índice chegou a cair 0,68%, aos 108.190,46 pontos.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Só que, minuto após minuto, a equipe que estava fechada lá atrás conseguia se segurar, sem nunca perder o controle. E, conforme o tempo foi passando, o Ibovespa foi amenizando as perdas. Tanto é que, ao fim da partida, o placar mostrava um empate — ou quase isso.

No fechamento do pregão, o Ibovespa marcava 108.958,94 pontos, em leve alta de 0,03% — uma espécie de 'vitória moral' da corrente otimista. Afinal, no exterior, as bolsas americanas tiveram perdas expressivas: o Dow Jones caiu 1,01%, o S&P 500 teve baixa de 0,66% e o Nasdaq recuou 0,41%.

E o dólar à vista? Bem, a partida no mercado de câmbio foi bem menos disputada: a divisa passou boa parte do dia em baixa, encerrando em queda de 0,15%, a R$ 4,2056.

Trump no ataque

O grande tema de influência para os mercados globais nesta terça-feira foi o reaquecimento da guerra comercial: o presidente dos EUA, Donald Trump, tem assumido uma postura mais agressiva nos últimos dias e sinalizado que um acerto com a China pode demorar mais que o esperado.

Mais cedo, Trump disse em entrevista que não há previsão para o término da guerra comercial com os chineses, afirmando ainda que talvez seja melhor esperar até as eleições de 2020 para chegar a um consenso. A declaração não foi bem recebida pelos investidores, embora essa retórica de "aproximação e afastamento" seja característica do republicano.

Além disso, o presidente dos EUA fez ameaças à França, sinalizando com a possibilidade de sobretaxas todas às importações do país – uma quantia de cerca de US$ 2,4 bilhões em produtos. Vale lembrar que, ontem, Trump anunciou a taxação das importações de aço e alumínio da Argentina e Brasil.

PIB na defesa

Mas, apesar de toda essa tensão no exterior, os mercados domésticos também repercutiram o crescimento de 0,6% do PIB brasileiro no terceiro trimestre, resultado ligeiramente superior às expectativas dos analistas. O dado reforçou a crença de que a economia local começa a dar sinais de recuperação, ainda que tímidos – fator que já foi suficiente para animar os investidores.

Os dados do PIB, assim, serviram para amortecer a cautela vinda do exterior. Pelo segundo dia consecutivo, o Ibovespa conseguiu sustentar um desempenho positivo, mesmo com as bolsas americanas operando em baixa — na semana, o índice brasileiro acumula ganho de 0,67%.

Calmaria nos juros

Por mais que os sinais de fortalecimento econômico emitidos pelo resultado do PIB no terceiro trimestre impliquem, teoricamente, numa menor necessidade de cortes na Selic para estimular a atividade doméstica, as curvas de juros fecharam em baixa nesta terça-feira.

Os DIs aproveitaram o tom negativo do dólar à vista e passaram por um movimento de correção das altas recentes. Veja abaixo como se comportaram as principais curvas:

  • Janeiro/2021: de 4,74% para 4,71%;
  • Janeiro/2023: de 5,96% para 5,90%;
  • Janeiro/2025: de 6,56% para 6,49%;
  • Janeiro/2027: de 6,88% para 6,81%.

Falando em PIB...

As ações do setor de construção civil apareceram entre os destaques positivos da bolsa brasileira nesta terça-feira (3). O mercado mostrou entusiasmo com o segmento: segundo o IBGE, a indústria da construção cresceu 4,4% no trimestre e foi um elemento importante na expansão de 0,6% do PIB do país.

Nesse cenário, as ações ON da MRV (MRVE3) dispararam 7,16% e tiveram o melhor desempenho do Ibovespa nesta tarde, enquanto Cyrela ON (CYRE3), subiu 2,33%. Fora do índice, EZTec ON (EZTC3) teve alta de 5,43%, Direcional ON (DIRR3) avançou 4,08% e Tenda ON (TEND3) valorizou 5,58%.

Você pode encontrar mais detalhes sobre as maiores altas e baixas da bolsa brasileiranesta matéria especial.

Desconfiança no Ibovespa

Na ponta oposta do Ibovespa, atenção para Smiles ON (SMLS3), que despencou 8,85% e teve o pior desempenho do índice. A empresa divulgou projeções bastante fracas para 2019 e 2020, o que desagradou o mercado e gerou desconfiança em relação ao futuro da companhia.

Em relatório, o analista Vitor Mizusaki, do Bradesco BBI, cortou o preço-alvo dos papéis do Smiles ao fim de 2020, de R$ 44,00 para R$ 35,00, mantendo a recomendação neutra para os ativos.

Top 5

Veja as cinco ações de melhor desempenho do Ibovespa nesta terça-feira:

  • MRV ON (MRVE3): +7,16%
  • Gol PN (GOLL4): +4,01%
  • BB Seguridade ON (BBSE3): +3,88%
  • Marfrig ON (MRFG3): +3,87%
  • Via Varejo ON (VVAR3): +3,60%

Confira também as cinco maiores perdas do índice:

  • Smiles ON (SMLS3): -8,85%
  • CSN ON (CSNA3): -3,77%
  • Metalúrgica Gerdau PN (GOAU4): -2,48%
  • Gerdau PN (GGBR4): -2,29%
  • Hypera ON (HYPE3): -2,05%
Comentários
Leia também
INVISTA COMO UM MILIONÁRIO

Sirva-se no banquete de investimentos dos ricaços

Você sabe como ter acesso aos craques que montam as carteiras dos ricaços com aplicações mínimas de R$ 30? A Pi nasceu para colocar esses bons investimentos ao seu alcance

Exile on Wall Street

Nota triste — a XP quer mesmo democratizar os investimentos no Brasil?

A XP seguiu os mesmos passos da Vitreo e lançou, depois, dois fundos próprios para investir em suas ações, com direito a matéria no InfoMoney. Matéria da XP, sobre fundos da XP, para comprar ações da XP.

Injeção de otimismo

Ibovespa abre em alta e dólar cai; mercados reagem bem ao Copom e à S&P

O Ibovespa sobe e recupera os 111 mil pontos, impulsionado pelos sinais do BC em relação à Selic e à visão positiva da S&P Global quanto ao Brasil

Mercado de capitais

IPO de empresas brasileiras no exterior deixa gosto amargo, diz presidente da B3

Com o avanço da tecnologia, o Brasil precisa ter uma regulação flexível senão corre o risco de perder o bonde, segundo Gilson Finkelsztain

sem negócio fechado?

Venda de ativos de dona da Ambev na Austrália é questionada por regulador

Órgão avaliou de maneira preliminar que a venda vai reduzir a concorrência no mercado de cidra e, possivelmente, no de cerveja

Títulos públicos

Veja os preços e as taxas do Tesouro Direto nesta quinta-feira

Confira os preços e taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra e resgate

em busca de recursos

Eneva emite R$ 650 milhões em debêntures

Os recursos obtidos pela empresa vão ser usados para investimento, pagamento futuro ou reembolso relacionados ao projeto Parque dos Gaviões

arrumando as contas

País paga dívida com ONU e banco do Brics

Não pagamento à ONU poderia fazer com que o Brasil, pela primeira vez, perdesse o direito a voto no órgão a partir de 1.º de janeiro

Tudo que vai mexer com seu dinheiro hoje

Selic a 4,5%: como ficam seus investimentos?

O Banco Central derrubou a taxa básica de juros brasileira para 4,5% ao ano, a nova mínima histórica. Isso mexe com a rentabilidade de aplicações da renda fixa e favorece os investimentos em ações, imóveis e fundos imobiliários. O que você precisa saber hoje: Mercados • A taxa básica de juro brasileiro renovou sua mínima histórica […]

fim do impasse?

Câmara aprova MP que transfere Coaf para o BC; texto segue para Senado

Outra mudança foi a retirada, com a aprovação de um destaque, da atribuição do Coaf de produzir informação para combate ao financiamento do terrorismo

Dinheiro no bolso do acionista

CVC paga R$ 62 milhões em juros sobre capital próprio aos acionistas

Para o pagamento, que será realizado no dia 8 de janeiro, será considerada a posição acionária em 23 de dezembro de 2019, respeitando a negociação realizada no dia

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements