Menu
2019-04-04T13:56:55+00:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Mantenha o foco

Esqueça o PIB, continue acompanhando a reforma da Previdência

O fator determinante para nossos investimentos é o que vai acontecer aqui em Brasília envolvendo o andamento da agenda de reformas. PIB de 2019 já está sendo revisado para baixo

28 de fevereiro de 2019
10:35 - atualizado às 13:56
Keep-Going-siga-placa
Imagem: Shutterstock

Quando comentamos o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre dissemos que o resultado tinha pouca importância para os investimentos em renda fixa ou renda variável. A avaliação segue a mesma para o resultado de 2018, mesmo ele sendo decepcionante.

O PIB “passado” tem pouca relevância na formação de preço dos ativos, pois o mercado antecipa o resultado final com grande acurácia por meio das divulgações dos demais indicadores de atividade, como vendas no varejo, produção industrial, arrecadação de impostos e o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br).

O que era e ainda é determinante para nosso dinheiro é o que vai acontecer aqui em Brasília envolvendo o andamento da agenda de reformas, notadamente a reforma da Previdência.

Toda a formação de expectativas está colocando na conta que o governo Jair Bolsonaro vai conseguir aprovar a reforma, dando sustentabilidade às contas públicas.

Cenário que seria propício para um “bull market” histórico no preço dos ativos brasileiros, com retomada de investimentos domésticos e externos e transformação da melhora da confiança já vista em PIB efetivo.

O contrário também é válido. A não reforma seria desastrosa para o país, com a forte reversão de expectativas batendo primeiro no mercado e depois se espalhando de forma consistente para o lado real da economia, que como o PIB e, notadamente, a taxa de desemprego, mostram, está em ritmo de recuperação bastante gradual.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

O PIB e o BC

O crescimento de 1,1% em 2017 e 2018 deve promover uma intensificação nos debates em torno do espaço para novas redução da taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 6,5% ao ano.

Estamos participando desse debate desde o fim do ano passado e voltando ao tema agora em fevereiro. Basicamente, para parte do mercado e da academia, essa falta de reação consistente da atividade aliada à inflação comportada e projeções em linha com as metas mostra que o BC já poderia estar praticando juros ainda menores. Em termos acadêmicos, a política monetária poderia estar mais estimulativa, com juro real, que está na casa dos 2,3%, ainda menor.

O BC responde a essas críticas falando que o estímulo monetário está adequado e que o crescimento depende da redução das incertezas, que depende das reformas. O BC acompanha tanto o cenário externo com o andamento da agenda de reformas, que é essencial para manutenção da inflação e das expectativas ancoradas.

Ilan Goldfajn vem insistindo na “cautela, serenidade e perseverança” na condução da política monetária e seu sucessor, que tomou posse hoje de manhã, Roberto Campos Neto, acenou que vai seguir na mesma linha.

Por ora, o que se pode dizer é que se a Selic não cai, também não deve subir dos atuais 6,5%, até que esteja mais clara qual reforma da Previdência vai sobreviver às negociações políticas que ocorrem no Congresso. O que não deixa de ser boa notícia para os ativos de risco.

Cenário binário e revisões para baixo

De acordo com o gestor de fundos da SRM, Vicente Matheus Zuffo, o dado que surpreendeu na divulgação do PIB foi a revisão do crescimento do terceiro trimestre de 0,8% para 0,5%, o que fez com que o resultado do ano ficasse no 1,1%.

Segundo o especialista, isso terá impacto no chamado carrego estatístico de 2018 para 2019. O crescimento “contratado” deste ano será um pouco menor. Com isso, vamos observar um movimento de revisões nas projeções de crescimento do ano.

As projeções médias estavam oscilando ao redor dos 2,5%, e já começam a cair para algo mais próximo dos 2%.

Falando de perspectivas, Zuffo afirma que a visão da SRM é binária, pois tudo depende das reformas. Se a aprovação da reforma da Previdência ocorrer dentro de um quadro de razoável economia fiscal, que sinalize estabilidade e posterior redução da dívida, poderemos ver um crescimento um pouco melhor no fim de 2019.

“Se tiver frustração ou reforma muito aguada é possível que a economia continue patinando”, avalia.

O desempenho da economia segue muito abaixo do potencial. Segundo Zuffo, só para recompor o que foi perdido em 2015 e 2016, o PIB poderia estar crescendo 2,5% a 3% todo ano.

Ainda sobre as reformas, a aprovação não precisa ser rápida, o que precisa acontecer o quanto antes é que tipo de reforma será aprovada para tirar o mercado e os empresários do “modo de espera”.

De acordo com o gestor, esse fraco desempenho da economia reforça a opinião de quem defende um corte da Selic no curto prazo. Mas a SRM não avalia esse corte como necessário.

No lado dos preços, há um choque de alimentos que deve se manifestar na inflação de fevereiro. Não deve ser nada preocupante, diz Zuffo, mas deve ser suficiente para tirar essa pressão de parte do mercado por corte de juros.

Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

Seu Dinheiro na sua noite

Insiste em zero a zero e eu quero um a um

Você disse que não sabe se não. Mas também não tem certeza que sim. Se Djavan fosse um analista de mercado, representaria o sentimento dos investidores sobre o que vai acontecer com as taxas de juros no país. Para muita gente, não é mais uma questão de “se”, mas de “quando” a Selic vai cair. […]

Tá liberado!

Governo amplia setores autorizados a trabalhar aos domingos e feriados

A partir de hoje, 78 setores estão autorizados a funcionar nesses dias. Entre os novos segmentos está o comércio em geral

Agora vai?

Leilão de ativos da Avianca Brasil acontecerá no dia 10 de julho

Colegiado de desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo liberou a decisão sobre a na manhã de ontem

Preenchendo a vaga

À espera de aprovação do nome de Montezano, BNDES nomeia presidente interino

Nome do atual diretor de finanças da instituição, José Flávio Ferreira Ramos, foi indicado para ocupar o posto provisoriamente

O rombo em forma de dados

Mansueto: dos 26 Estados mais DF, 14 gastam acima do limite de 60% com pessoal

Percentual abordado pelo secretário o Tesouro Nacional foi estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal

Olha eles aí outra vez

Deputados favoráveis à reforma da Previdência defendem volta da capitalização e de Estados

Sessão para debates sobre o relatório na comissão especial da reforma da Previdência na Câmara contou com várias defesas dos pontos retirados

negócio fechado

Embraer assina cooperação estratégica com a Elta para desenvolver P600 AEW

Com o acordo, as duas empresas criam um novo segmento de mercado, o de AEW; aeronave de última geração foi concebida para atuar em um novo segmento do mercado

acelerou! (um pouquinho)

Preço médio dos imóveis residenciais sobe 0,29% em maio em 10 capitais, diz associação

A Abecip avaliou, em nota, que as altas nos preços dos imóveis residenciais na maioria das capitais ainda não resultam em uma recomposição dos valores dos imóveis em termos reais.

temos um impasse

Virtualmente demitido, presidente dos Correios diz que só deixa o cargo com pedido formal

Bolsonaro disse na última sexta-feira que demitiria o presidente dos Correios pelo comportamento “sindicalista”; mas ele não deixou o cargo: ontem foi trabalhar normalmente e disse, em palestra, que só sai com formalização da demissão

Blog da Angela

Nativos e gringos soltam o verbo e mercados comemoram

Discurso afinado de relator sobre capitalização na Previdência anima; Draghi levanta a bola e Trump corta com categoria – para o Federal Reserve

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements