Renda fixa: LCAs mais rentáveis de fevereiro pagam até 94,5% do CDI, sem imposto de renda; veja prazos e emissores
As emissões com taxas prefixadas ofereceram 11,59% de juro ao ano — quase 1% ao mês isento de IR

Investimentos isentos de imposto de renda (IR) estão na mira dos brasileiros. No ano passado, esses títulos de renda fixa estiveram entre as principais alocações da alta renda, principalmente — mas com espaço na carteira do varejo tradicional.
As Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) estão entre as principais opções dos isentos de IR. Por serem títulos muito parecidos com os Certificados de Depósitos Bancários (CDB), se tornam uma opção de renda fixa mais acessível.
As LCAs são emitidas por bancos, têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a aplicação é muito simples, e os prazos são curtos.
A principal diferença em relação aos CDBs é o maior atrativo do investimento: a rentabilidade isenta de imposto de renda.
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No início, esses papéis estavam disponíveis apenas para investidores abastados. Com o tempo, as plataformas de investimento, bancos médios e corretoras passaram a oferecer versões mais acessíveis desses títulos.
Atualmente, é possível encontrar LCAs para a pessoa física até mesmo nos bancões.
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Retorno das LCAs
Como a rentabilidade das LCAs é isenta de imposto de renda, dificilmente a rentabilidade será de 100% do CDI, como é o caso dos CDBs de bancos médios. O mais comum é que os emissores busquem se equiparar aos títulos de renda fixa tributáveis.
Isso vale para qualquer indexador, seja um título pós-fixado (% do CDI), prefixado ou indexado ao IPCA (IPCA + x%).
No caso de um pós-fixado, a remuneração isenta de IR equivalente a 100% do CDI é 85% do CDI no prazo mais longo (acima de dois anos), em que a alíquota do imposto é de 15%.
Nos prefixados e nos atrelados à inflação esse valor é mais variado, mas fica em torno de 1,5 ponto percentual de diferença, seguindo a mesma lógica.
- SAIBA MAIS: LCI e LCA: entenda o que são, como funcionam e se vale a pena investir nesses títulos de renda fixa
As emissões mais rentáveis de fevereiro
Em fevereiro, os títulos mais rentáveis superaram bastante os valores médios da renda fixa tributável, de acordo com o levantamento da Quantum Finance.
A LCA pós-fixada com maior remuneração foi a do Banco Amazônia, com prazo de 24 meses. Um total de 201 títulos foram emitidos com retorno de 94,5% do CDI.
Para efeito comparativo, o CDB com maior remuneração emitido em fevereiro, com o mesmo prazo de vencimento, foi de 107% do CDI, pelo Banco Mercantil. Trazendo para a equivalência isenta de IR, a remuneração seria de 91% do CDI, abaixo da LCA do Banco Amazônia.
O Banco Amazônia dominou as maiores remunerações nos prazos mais curtos: seis, 12 e 24 meses. A instituição é uma das maiores emissoras de LCAs pós-fixadas, segundo os últimos levantamentos da Quantum.
| prazo (meses) | taxa máxima | número de títulos | emissor da maior taxa |
| 6 | 93,50% | 47 | BANCO DA AMAZONIA |
| 12 | 94,00% | 353 | BANCO DA AMAZONIA |
| 24 | 94,50% | 201 | BANCO DA AMAZONIA |
| 36 | 93,00% | 133 | BANCO ABC BRASIL |
Fonte: Quantum Finance.
Em outros indexadores, como prefixados e atrelados à inflação, o Banco ABC Brasil saiu na frente.
Nas LCAs indexadas à inflação, a maior remuneração do mês passado foi de IPCA + 6,98%, nos títulos com 12 meses de prazo. No entanto, diferentemente dos pós-fixados, na equivalência com os tributáveis, os títulos isentos ofereceram menos.
O CDB com vencimento em um ano, indexado ao IPCA, ofereceu 9,17% de juro real em fevereiro. O equivalente em um isento deveria oferecer 7,8% de taxa.
No entanto, aqui é importante considerar o risco do emissor. O Banco ABC Brasil, emissor da LCA mais rentável, tem o maior rating de crédito pelas três agências de risco, Moody’s, Fitch e S&P: AAA.
Já o Haitong, emissor do CDB mais rentável, só tem avaliação do S&P, de AAA, com perspectiva negativa.
Isso influencia na taxa de emissão das LCAs. Bancos com avaliações de risco menores tendem a oferecer taxas maiores para conseguir atrair o investidor. É o preço do risco.
| prazo (meses) | taxa máxima | número de títulos | emissor da maior taxa |
| 12 | 6,98% | 147 | BANCO ABC BRASIL |
| 24 | 6,33% | 76 | BANCO ABC BRASIL |
| 36 | 6,20% | 44 | BANCO ABC BRASIL |
Fonte: Quantum Finance.
Isso se mostra nas emissões dos prefixados também. O CDB prefixado com maior retorno em fevereiro foi o da Facta Financeira, com prazo de 36 meses e 15,6% de taxa. Os títulos não têm rating pelas agências de risco.
Neste mesmo prazo, as LCAs do ABC Brasil ofereceram 11,13% de remuneração isenta de IR.
| prazo (meses) | taxa máxima | número de títulos | emissor da maior taxa |
| 3 | 9,10% | 3 | BANCO BTG PACTUAL |
| 12 | 11,59% | 202 | BANCO ABC BRASIL |
| 24 | 10,97% | 45 | BANCO ABC BRASIL |
| 36 | 11,13% | 37 | BANCO ABC BRASIL |
Fonte: Quantum Finance.
Riscos dos títulos de renda fixa
As LCAs são consideradas aplicações conservadoras e de baixo risco, mas como todo investimento, elas têm riscos que o investidor deve conhecer.
Além do risco do emissor, já mencionado, as letras de crédito costumam ter baixa liquidez e em alguns casos período de carência para resgate.
Nos casos de carência, isso significa que o dinheiro do investidor ficará travado por um período definido. Já o resgate antecipado depende do vencimento do título e da política da plataforma.
Contudo, assim como a poupança e o CDB, a LCA também conta com a cobertura do FGC. As aplicações são garantidas em até R$ 250 mil — principal mais juros — por CPF e instituição financeira emissora do título.
Conteúdo Empiricus
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