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RENDA FIXA

Tesouro Nacional reduziu o pânico, mas taxas dos títulos públicos devem continuar altas em resposta ao cenário global

Tesouro fez recompras de títulos públicos ao longo da semana para diminuir a pressão vendedora, mas volatilidade deve continuar com escala da guerra no Oriente Médio

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Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O que aconteceu no mercado de títulos públicos nesta semana foi uma situação em que "todo mundo tenta sair ao mesmo tempo, mas a porta é pequena demais”, afirma Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de macroeconomia e dívida pública da Warren. Segundo Vital, coube ao Tesouro Nacional resolver a crise e entrar em campo para recomprar os papéis que o mercado queria tanto vender.

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Desde segunda-feira (16), o Tesouro recomprou mais de R$ 47 bilhões em títulos públicos em leilões extraordinários, na maior intervenção desde 2013, segundo a Warren. Só na operação mais recente, realizada na quarta-feira (18), foram R$ 5,4 bilhões em papéis prefixados.

A pressão vendedora começou após uma mudança brusca de cenário.

Há poucos dias, investidores esperavam uma queda mais intensa da taxa Selic ao longo do ano. Mas a combinação escalada do conflito no Oriente Médio — com efeitos sobre o petróleo — e aumento de expectativa para a inflação no Brasil virou essa chave.

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“Ficou claro que a trajetória de juros precisava ser revista”, afirmou Vital.

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Com o novo cenário e a enxurrada de notícias internacionais, investidores institucionais começaram a desfazer posições nos títulos públicos de forma acelerada. O movimento ganhou força rapidamente e virou um efeito em cadeia.

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“Quando um fundo zerava posição, as taxas subiam. Isso forçava outros a fazer o mesmo. Virou uma espiral”, afirma o estrategista-chefe da Warren.

O mercado entrou em desequilíbrio, com vendedores superando compradores, e as taxas dispararam até 60 pontos-base em um único dia — uma abertura intensa para títulos de renda fixa.

O que cabe ao Tesouro Nacional

Esse tipo de situação é conhecida no mercado como “disfuncionalidade”, quando os preços deixam de refletir os fundamentos e são pressionados por movimentos técnicos e falta de liquidez.

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Diante deste contexto que o Tesouro Nacional decidiu agir.

Antes mesmo da abertura do mercado na segunda-feira (16), o órgão anunciou que suspenderia os leilões tradicionais e atuaria com operações extraordinárias de compra e venda de títulos píblicos.

“Quando o Tesouro recompra títulos, ele absorve o excesso de venda. Quando vende, supre excesso de demanda. Ele ajuda o mercado a voltar a funcionar”, afirma Vital.

Apesar da atuação, os títulos do Tesouro Direto continuam com taxas elevadas.

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“O Tesouro não está ali para baixar juros. Ele tira o excesso, o pânico, mas o nível da taxa continua respondendo ao cenário econômico”, afirmou o estrategista.

Resolução da guerra é a chave

O cenário segue pressionado. A guerra no Oriente Médio mantém o preço do petróleo em alta, reacendendo preocupações com a inflação global. Em paralelo, dados recentes do Brasil vieram mais fortes do que o esperado.

Esse contexto se soma à alta nos preços de combustíveis pela Petrobras e à retirada de impostos sobre o diesel.

Com esse plano de fundo, investidores e casas de análise passaram a rever as apostas para a trajetória da Selic, reduzindo a expectativa de cortes mais intensos nos juros.

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“A gente está com uma enxurrada de notícias. E o mercado brasileiro já é naturalmente mais volátil”, disse Vital.

Para o Tesouro recuar, o estresse no mercado precisa diminuir. Novas intervenções só devem ocorrer em caso de outro episódio de forte desequilíbrio.

Na prática, isso significa que a volatilidade deve continuar — especialmente em um ambiente ainda dominado por incertezas externas e revisões de expectativas para os juros no Brasil.

“Semana que vem podemos ter mais revisões nos cenários, após a ata do Copom, devemos esperar. Está tudo muito incerto”, afirma Vital.

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