Menu
2018-12-04T18:28:36+00:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Mercados

A tal da curva invertida no mercado americano

Juros de curto prazo estão acima dos de longo prazo nos EUA fenômeno que vem chamando atenção e trazendo turbulência aos mercados

4 de dezembro de 2018
17:38 - atualizado às 18:28
Grafico-curvas-
Imagem: Shutterstock

O alívio trazido pela trégua na guerra comercial entre Estados Unidos e China parece ter durado pouco e os mercados externos tiveram uma acentuada piora no decorrer desta terça-feira, com reflexo sobre os negócios no mercado local.

Entre os motivos, dúvidas sobre os termos desse acordo de paz entre Donald Trump e os chineses, incertezas sobre o Brexit e também uma movimentação pouco usual no mercado de títulos dos Estados Unidos.

Vamos centrar atenção sobre a curva de juro americana, que vem dando sustos por diferentes motivos ao longo do ano. Em outubro, a preocupação era com a alta da taxa do título do Tesouro (Treasury) de 10 anos, que estava acima dos 3,2%, fazendo máximas não vistas desde 2011. No momento, a preocupação era com uma atuação mais forte do Federal Reserve (Fed), banco central americano, na elevação dos juros.

Agora, o quadro é diferente. As taxas estão recuando, e o papel de 10 anos tem um retorno (yield) de 2,9%. O que está subindo é a taxa dos papéis de curto prazo, como os de dois, três e cinco anos.

O fenômeno é conhecido como inversão da curva de juros e é temido, pois antecede recessões na economia americana. As últimas sete recessões foram precedidas desse movimento da curva. Vale lembrar que a temida curva invertida não seria a causa da recessão, mas um sintoma do que está por vir.

O gráfico abaixo mostra as taxas dos títulos de dois anos e de 10 anos. As áreas cinzas são recessões na economia americana. A ferramente (FRED) é do Federal Reserve de St.Louis e o gráfico é interativo.

O fenômeno pode ser lido como uma questão de expectativas. Antevendo uma desaceleração da economia ou tempos mais difícil pela frente, os investidores tentam se proteger e fazem isso aumentando a demanda por papéis mais longos do Tesouro americano. Quanto maior a demanda, menor a taxa de retorno (yield). No outro lado, a demanda pelos papéis de curto prazo cai, o que eleva a taxa de retorno (yield) desses ativos.

Nesta terça, a diferença entre a taxa do papel de 10 anos e o de dois anos caiu para apenas 13 pontos-base, menor distância dos últimos 11 anos. Essa a relação mais acompanhada pelo mercado.

Outra relação que entrou no radar foi a do papel de cinco anos, que registrou uma taxa de retorno cerca de 1,4 ponto, menor que a dos títulos de três anos. Reforçando a preocupação com esse fenômeno de inversão da curva de juros.

Se teremos uma recessão nos EUA ninguém sabe com certeza. O que pode estar acontecendo é um novo ajuste nas expectativas com relação ao ciclo de alta de juros pelo Fed. As apostas eram de até quatro elevações ao longo de 2019.

Mas as avaliações começaram a ser revistas depois que do presidente do Jerome Powell falou que a taxa já estaria próxima do considerado neutro e o colegiado do BC americano deixou de falar em deixar a política monetária restritiva para conter o ritmo da atividade e segurar eventual pressão inflacionária.

O Fed tem sua última reunião de 2018 no dia 19 de dezembro, quando pode dar melhor orientação sobre sua avaliação prospectiva ao mercado.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

ninguém mais embarca

Anac anuncia suspensão das operações da Avianca Brasil

Com a medida, estão suspensos todos os voos até que a empresa comprove capacidade operacional para manter as operações com segurança.

Calma, gente

Fala de Guedes sobre eventual saída do cargo não tem tom de ameaça

Ministro Paulo Guedes fez as colocações à “Veja” de forma tranquila, como se disse que: “se não querem meu trabalho, vou-me embora”. Não tem alarme nenhum para ele sair.

Mercado de capitais

Bancos têm R$ 40 bilhões “contratados” em ofertas de ações de empresas na bolsa

Número considera tanto ofertas públicas iniciais de ações (IPO) como de empresas já listadas (follow ons) e pode ser ainda maior, dependendo da aprovação da reforma da Previdência

Deu ruim

Venda da Braskem à Lyondell emperra e complica a situação da Odebrecht

Fator número um para a reticência da Lyondell em comprar a Braskem seria a incerteza gerada pelo projeto de extração de sal-gema em Alagoas

será que ele acertou?

De volta para o futuro: as previsões de George Soros para a política e a economia

Amado e odiado por diferentes grupos, o investidor é o tipo de figura que, ao longo do tempo, adquiriu ares míticos; confira o que Soros já “previu” ao longo do tempo — e o que ele acertou

Próxima etapa do Minha Casa Minha Vida

União doará terrenos para construtoras

Empresa interessada num imóvel do governo terá de se comprometer a bancar a administração condominial de um Minha Casa Minha Vida por 20 ou 30 anos

bateu o martelo!

Cade aprova fatia maior da CaixaPar no Banco Pan

A operação corresponde ao exercício de opção de compra; o BTG, que antes tinha 50,6%, passa a deter também o mesmo porcentual de 41,7%; outros 16,6% do Banco Pan estão distribuídos entre acionistas minoritários.

uma queda atrás da outra

Confiança do comércio cai 54 pontos em maio ante abril, revela FGV

Sondagem do Comércio da FGV também identificou o ambiente político como principal problema a atrapalhar o ambiente de negócios

Exile on Wall Street

Você compraria o seu passado? Ou um portfólio para qualquer maio; ou, ainda, cadê Tereza?

Todos nós sabemos que retornos passados não são garantia de retorno futuro. Um único erro e a gente pode explodir esse negócio — o que, inclusive, me dá um medo avassalador

Idas e vindas

Ibovespa fica perto da estabilidade, em linha com bolsas de NY; dólar cai a R$ 4,02

Os mercados globais começaram o dia animados, mas o otimismo logo deu lugar à cautela. O Ibovespa acompanhou esse movimento e passou a oscilar perto da estabilidade

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements