Menu
2019-10-10T06:20:14+00:00
Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula do Mercado

EUA e China buscam acordo, em meio a controvérsias

Relatos conflitantes de que Pequim poderia antecipar retorno e de que a Casa Branca busca um acordo parcial elevam vaivém no mercado financeiro

10 de outubro de 2019
5:38 - atualizado às 6:20
dizquemedisse
Por aqui, investidores devem comemorar acordo sobre cessão onerosa do pré-sal

Estados Unidos e China reúnem-se a partir de hoje para tratar da questão comercial, pela décima terceira vez desde que a disputa tarifária começou, no início do ano passado. De lá para cá, as idas e vindas nas negociações entre as duas maiores economias do mundo só adiaram um desfecho, deixando os mercados cada vez mais sensíveis ao tema.

Ontem à noite, a notícia de que a delegação chinesa teria antecipado o retorno para Pequim, encurtando a estadia em Washington, causou forte vaivém nos ativos financeiros. Apesar do desmentido, a ausência de progresso nos preparativos para a rodada de negociações em alto nível com os EUA minou as esperanças por um acordo mais amplo.

Tampouco se sabe se procedem informações de que a Casa Branca planeja um pacto cambial com a China, como parte de um acordo mais amplo, pois o assunto já foi colocado à mesa em fevereiro e, depois, abandonado. Fala-se também sobre a possibilidade de os EUA autorizarem empresas norte-americanas de fazerem negócios com a chinesa Huawei.

O mais provável ainda é que apenas questões paliativas, como àquelas ligadas a compra de produtos agrícolas, sejam discutidas, em meio a negociações programadas até amanhã à noite. Temas relacionados à propriedade intelectual e à transferência de tecnologia, além dos subsídios do governo chinês a empresas estatais, nem devem ser tratados.

Com isso, crescem as chances de as tarifas dos EUA sobre US$ 250 bilhões de produtos chineses subir de 25% para 30% na próxima terça-feira. Um imposto adicional de 15% sobre outros US$ 160 bilhões de mercadorias feitas na China deve entrar em vigor às vésperas do Natal. Mas há quem diga que o governo Trump pode suspender a taxação...

Relatos conflitantes

Em meio a tantos relatos conflitantes, os investidores não sabem o que esperar do encontro, o que eleva a volatilidade dos negócios, que ficam sem um rumo definido. Os mercados estão preparados para mais notícias confusas sobre as negociações entre EUA e China ao longo dos próximos dias, o que tende a reduzir a exposição ao risco.

Com isso, enquanto as bolsas asiáticas apagaram as quedas, diante de sinais de suavização na guerra comercial, os índices futuros das bolsas de Nova York e as bolsas europeias seguem no vermelho. Entre as moedas, o yuan chinês (renminbi) se fortalece em com relatos de um acordo parcial, ao passo que o euro ganha terreno em relação ao dólar.

Aliás, a moeda norte-americana têm fortes perdas em relação às demais moedas rivais, com destaque também para os ganhos do xará australiano. Já o petróleo recua, mas o minério de ferro subiu quase 3%. O ouro também avança, juntamente com o juro projetado pelos títulos norte-americanos (Treasuries).

Política em cena

Por aqui, os investidores devem comemorar a aprovação da divisão de recursos entre estados e municípios sobre o excedente de petróleo da camada pré-sal ontem na Câmara. A medida não só abre caminho para o megaleilão, em 6 de novembro, como também para a votação, em segundo turno, da reforma da Previdência no Senado, antes do fim do mês.

O governo espera arrecadar R$ 106,5 bilhões com o megaleilão de petróleo e economizar perto de R$ 800 bilhões com as novas regras para aposentadoria. A proposta sobre a distribuição de recursos do pré-sal segue agora para o Senado, onde deve ser apreciada antes da Previdência.

Com o avanço da pauta econômica no Congresso, o mercado doméstico ignora os ruídos envolvendo o presidente Jair Bolsonaro e o PSL. Porém, se confirmada a possibilidade de o presidente sair do partido, pode haver algum impacto nos ativos locais, já que se trata da maior bancada na Câmara, o que pode dificultar o andamento de outro projetos do governo.

Varejo no Brasil e inflação nos EUA

A agenda econômica desta quinta-feira traz como destaque, no Brasil, o desempenho do varejo em agosto. A expectativa é de crescimento nas vendas em base mensal, de +0,2%, na quarta alta seguida, e no confronto anual (+2,00%), somando cinco resultados positivos consecutivos. Os números efetivos serão conhecidos às 9h.

No mesmo horário, sai um nova estimativa para a safra agrícola neste ano e, antes, às 8h, é a vez da primeira prévia deste mês do IGP-M. Já no exterior, destaque para o índice de preços ao consumidor nos Estado Unidos (CPI) em setembro, às 9h30. No mesmo horário, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos no país.

A previsão é de que a inflação no varejo norte-americano continue mostrando um cenário benigno. E em uma economia que começa a sentir os primeiros sinais da desaceleração da atividade global, ter a inflação comportada pode deixar o Federal Reserve mais confortável em promover novos cortes na taxa de juros.

O problema é que os bancos centrais no mundo estão gastando artilharia e podem ficar sem munição quando for preciso agir para evitar um cenário recessivo. Tanto o Fed quanto o Banco Central Europeu (BCE) vêm alertando sobre isso. Aliás, o BCE publica hoje (8h30) a ata da última reunião de política monetária, quando anunciou estímulos adicionais, mas também jogou a bola para a política fiscal - e a necessidade de elevar os gastos públicos.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
INVISTA COMO UM MILIONÁRIO

Sirva-se no banquete de investimentos dos ricaços

Você sabe como ter acesso aos craques que montam as carteiras dos ricaços com aplicações mínimas de R$ 30? A Pi nasceu para colocar esses bons investimentos ao seu alcance

Vitória do governo

Câmara aprova texto-base da MP que reformula estrutura do Executivo

No início da votação, o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro que vive uma crise interna, obstruiu a tramitação e tentou esvaziar o quórum do plenário

Investigação

CVM aplica R$ 82 milhões em multas em esquema intermediado por Cruzeiro do Sul

Inquérito aberto em 2010 pela xerife do mercado de capitais identificou prejuízos milionários a fundos de pensão de estatais como Copel, Eletronuclear, Correios e Cedae

Em meio à crise

Líder do PSL na Câmara diz que partido não vai expulsar nenhum parlamentar

Delegado Waldir negou também que vá haver qualquer retaliação do partido em relação ao governo do presidente Jair Bolsonaro

Perto do fim

CCJ do Senado marca reunião para analisar emendas do 2º turno da reforma da Previdência

Até o momento, senadores apresentaram nove sugestões de alteração, que mexem na redação da proposta

Seu Dinheiro na sua noite

Quando a realidade se impõe

Groucho Marx dizia que jamais faria parte de um clube que o aceitasse como sócio. Durante muito tempo os brasileiros trataram erroneamente a bolsa de valores como o tipo de clube desprezado pelo lendário comediante. Mas essa realidade começa a mudar. Quem decidiu ingressar no clube da renda variável no início do ano obteve um […]

De olho no gráfico

S&P vai, não vai, fez que vai…

Apesar da recente alta em um dos principais índices da bolsa de Nova York, Fausto Botelho ainda projeta um ciclo de queda

Dados do Tesouro

União honra R$ 442,6 milhões e dívidas de governos estaduais em setembro

Nos primeiros nove meses de 2019, o governo federal precisou desembolsar R$ 5,695 bilhões para honrar dívidas garantidas pela União de quatro Estados

Papo reto

Para Sabesp, metas definidas pelo relator no marco do saneamento são difíceis de atender

Entre os pontos tidos como difíceis de cumprir está o limite de 25% para subdelegações pelo prestador de serviços

Falando em projetos...

Na reforma da Previdência dos militares, contribuições devem aumentar mais rápido que o proposto pelo governo

Segundo relatório da Câmara, a cobrança que hoje é de 7,5% passará a 9,5% já no ano que vem, chegando a 10,5% em 2021

Gestoras

JGP lista 6 fatores que devem impulsionar a economia e empurrar a bolsa para cima em 2020

Gestora acredita que migração de renda fixa para ações vai continuar dando força ao Ibovespa. Carta de setembro também faz uma defesa do teto de gastos

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements