Marca de suplementos para pets aposta em ‘Mounjaro para cachorro’ para alcançar receita de R$ 1 bilhão até 2029
Empresa foi criada no ano passado por ex-CEO da Alpargatas de olho no potencial de crescimento do mercado pet

A preocupação com o peso, saúde e o “boom” de canetas emagrecedoras como Ozempic e Mounjaro já não são mais novidade. Esse mercado movimenta bilhões de reais e afeta de supermercados a farmácias. Porém, uma marca agora expandiu esse tema para além dos humanos e chegou ao mercado de produtos para pets.
A Wigow, marca de suplementos para cães criada em 2025, lança nesta terça-feira (22) o Wigow Balance, que tem como proposta gerar um efeito semelhante em cachorros às canetas para controle de sobrepeso e obesidade.
A ideia, segundo a CEO da empresa, Georgiana Magacho, é ir na contramão da visão de animais gordinhos serem sinônimo de fofura, já que o pet pode ter problemas de saúde.
De acordo com a Wigow, a fórmula do produto gera saciedade para o cão e ajuda no processo de emagrecimento.
O “Mounjaro para cachorro” é um dos suplementos do portfólio da marca, que também reúne fórmulas para melhorar a saúde dos ossos e da pelagem dos cães, para ansiedade, saúde intestinal e multivitaminas.
Embora recém-nascida, a marca tem projeções otimistas para o crescimento. Com os produtos já existentes, o lançamento do petisco de emagrecimento e as próximas fórmulas no radar da empresa, Magacho tem a expectativa de que a Wigow fature R$ 1 bilhão em até três anos, em 2029.
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R$ 1 bilhão em 4 anos: de onde surgiu a Wigow?
A Wigow nasceu com nomes de peso por trás da marca. Ela faz parte da holding Viepet, fundada em 2025 pelas mãos de Roberto Funari, que foi CEO da Alpargatas entre 2019 e 2023. Magacho, CEO da Wigow há um mês, também tem histórico na empresa de calçados como líder de marketing.

A aposta do fundador na marca foi motivada pelo potencial do mercado de produtos para pets.
O setor deve crescer 10% e alcançar um valor de R$ 80 bilhões no país neste ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet).
“Um dos segmentos que mais cresce no setor pet é o mesmo que cresce entre humanos: saúde, longevidade e bem-estar. E é uma tendência cada vez maior o cão se tornar um integrante da família e a humanização do pet. Então existe esse movimento de transpor tudo que o tutor faz no dia a dia para a vida do animal também”, explicou Magacho em entrevista ao Seu Dinheiro.
Foi justamente de olho no potencial de avanço do setor que nasceu a Wigow, com foco no segmento de suplementação funcional para cães.
O mercado de alimentação animal já é bastante competitivo e tem players de peso, como Pedigree, Royal Canin, Premier e Golden, por exemplo.
Porém, o fundador da Wigow viu uma carência de marcas de suplementos e vitaminas para cachorros, e decidiu investir.
A cifra gasta para iniciar a operação foi de R$ 8 milhões desembolsados pela holding Viepet, usados para o desenvolvimento e licenças dos produtos.
O foco no sobrepeso
Cabe destacar que, diferentemente do Mounjaro e do Ozempic para humanos, o Wigow Balance para cães não é uma injeção e nem um remédio. Ele é comestível e se assemelha a um petisco comum.
Segundo Magacho, para ajudar no emagrecimento, o suplemento precisa ser oferecido diariamente em doses variáveis de acordo com o peso do animal: uma dose a cada 10 quilos por dia.
Cada embalagem com 30 unidades custa R$ 189,90. Portanto, quanto maior for o animal, maior o desembolso mensal.
Por exemplo, se o cão tiver entre 20 e 30 quilos, o ideal é consumir três barrinhas por dia, segundo indicação da marca. Para essa quantidade, o preço do Wigow por mês é de R$ 569,70.
A CEO da marca explica que o produto foi pensado após conversas com veterinários, tutores de cães e dados de sobrepeso e obesidade canina.
“A proposta da Wigow é ajudar em fatores que favorecem a longevidade e o bem-estar dos cachorros. O controle de peso era uma demanda existente e sem muitos produtos no mercado.”
A fórmula do produto é natural, diferente das canetas de GLP-1. Portanto, embora a empresa use o “Mounjaro” como uma estratégia de marketing, a única semelhança é a proposta de perda de peso.
Segundo Magacho, o principal componente da fórmula é a L-carnitina, um composto produzido naturalmente pelo corpo e presente em carnes vermelhas, aves, peixes e leite, por exemplo. Além disso, possui fibras para dar sensação de saciedade e proteína.
“É uma fórmula para a aceleração do metabolismo com ingredientes naturais”, explica a executiva.
A empresa também diz que, para chegar nesse tipo de produto, houve participação de médicas veterinárias e toda a regulação do suplemento é realizada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
De acordo com Magacho, o produto para emagrecimento dos animais levou 10 meses para ser desenvolvido e é fabricado em indústrias parceiras, assim como as outras linhas da marca.
Por não ser um medicamento, pode ser usado de forma contínua. A única ressalva é no caso de cães que possuem doenças preexistentes. Nesse caso, a marca recomenda se consultar com um veterinário antes.
Empresa mira marketing de influência
O Wigow Balance é o produto mais caro já lançado pela empresa. Enquanto 30 unidades do petisco para peso custam R$ 189,90, os outros suplementos são vendidos a R$ 59,90 no site da marca na mesma quantidade.
Além do canal próprio, os produtos da Wigow também são vendidos em varejistas como Petz e Cobasi e marketplaces como Mercado Livre, Shopee e TikTok Shop.
A CEO da empresa destaca que a principal estratégia da empresa desde que foi criada é investir em marketing de influência. A empresa tem parcerias com mais de 500 influenciadores digitais e quer dobrar esse número até o final deste ano.
“São pessoas que já se comunicam muito com o tutor pet. Também usamos o nosso Instagram e estamos aumentando a participação no TikTok”, explica.
Segundo a empresa, alguns afiliados da marca no TikTok Shop faturam mais de R$ 10 mil por mês com comissões de vendas no marketplace.
Outra estratégia é estreitar o relacionamento com veterinários para que apresentem o produto durante as consultas, diz Magacho.
O que está no radar da Wigow
O objetivo da marca de suplementos no curto prazo é aproveitar o lançamento do “Mounjaro para cachorros”. Embora não divulgue projeções de vendas de cada linha de suplementos, a CEO da empresa acredita que, até 2029, toda a operação alcance um faturamento de R$ 1 bilhão.
Para ela, a companhia tem capacidade produtiva para vendas em larga escala, que podem favorecer os resultados no longo prazo.
Magacho também comenta que, daqui para frente, o foco é desenvolver novas fórmulas, todas focadas em cães. No radar, está um produto para saúde cardiológica e outro para os dentes dos pets.
“Nosso olhar está sempre voltado para aquilo que é mais importante para a saúde e a qualidade de vida dos animais. Já estamos estudando outras necessidades e desenvolvendo novas soluções para esse mercado”, diz.
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