BTG lança maquininha de duas telas para cliente conferir valor da compra na hora do pagamento
Solução faz parte de uma estratégia para ampliar a atuação do banco nos pagamentos entre empresas e pode multiplicar por dez o mercado endereçável da instituição

Se você já pagou uma compra por aproximação, talvez já tenha batido a dúvida: será que o valor que apareceu na maquininha estava mesmo certo?
Quando a aproximação do cartão é feita pela parte de trás da máquina, é preciso pedir para quem está atendendo virar o equipamento para conferir o preço.
Mas às vezes, bate aquela vergonha de perguntar e parecer que você está desconfiando de um trabalhador honesto — e a solução acaba sendo abrir o aplicativo do banco depois para checar se a cobrança foi feita corretamente.
É uma dessas pequenas fricções na relação entre empresas e clientes que o BTG Pactual Empresas quer atacar com uma das novidades do BTG Pay: uma maquininha com duas telas, uma voltada para o atendente e outra para o consumidor.
O equipamento faz parte de um ecossistema de produtos que o banco está lançando para atender diferentes necessidades das pequenas e médias empresas (PMEs).
A plataforma também inclui o Cartão BTG Pay, voltado para pagamentos entre empresas, o Link de Pagamento BTG Pay, que reúne diferentes meios de cobrança em uma mesma jornada, além de dashboard de recebíveis, conciliação em tempo real sem custo adicional e atendimento especializado 24 horas por dia.
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Parte dessas soluções já havia sido apresentada em 2025 e estava em fase de testes. Nesta sexta-feira (11), durante um evento para jornalistas na sede da instituição, o banco anunciou o início da expansão para toda a sua base de clientes.
Por que o BTG está entrando no mercado de maquininhas agora?
Pode parecer contraintuitivo apostar em uma máquina de adquirência em 2026, quando pagamentos pelo celular e pelo Pix ganham cada vez mais espaço. Para o BTG, porém, a maquininha é apenas parte de uma estratégia maior.
A ideia é usar a estrutura de pagamentos para ampliar a participação do banco na vida financeira das empresas.
“Muitos clientes reclamavam que só não tinham toda a vida financeira hoje dentro do BTG porque o banco não tem adquirência”, disse Rogério Stallone, sócio de crédito corporativo e responsável pelo BTG Pactual Empresas.
O movimento também está relacionado ao mercado de pagamentos entre empresas. Segundo Gabriel Motomura, co-head do BTG Pactual Empresas, o Pix resolve apenas parte dos pagamentos.
“Embora o Pix tenha crescido muito, ele funciona primordialmente como pagamento à vista. A adquirência aliada ao cartão B2B permite a concessão de crédito, flexibilidade de prazos de pagamento entre empresas e gestão de risco”, afirmou.
De R$ 4,5 trilhões a R$ 50,5 trilhões: onde o BTG quer chegar
Segundo os executivos, a nova estrutura amplia em dez vezes o potencial de mercado endereçável da instituição. O mercado tradicional de adquirência, formado principalmente pelas compras feitas por pessoas físicas no varejo, movimenta cerca de R$ 4,5 trilhões.
Já o mercado que o BTG pretende endereçar com a combinação de adquirência e pagamentos B2B chega a R$ 50,5 trilhões. Desse total:
- R$ 4,5 trilhões correspondem à adquirência tradicional (B2C);
- R$ 11 trilhões são pagamentos de boletos entre empresas (B2B);
- R$ 35 trilhões correspondem a transferências por TED e Pix entre empresas (B2B).
A estratégia é migrar parte dessas transações corporativas, hoje feitas por boletos, duplicatas ou transferências bancárias, para o cartão B2B e a maquininha integrada.
Como funciona a maquininha de duas telas do BTG
A novidade mais visível para quem está no balcão é a Smart POS de duas telas. Uma fica voltada para o atendente e a outra para o cliente.
A ideia é tornar o pagamento mais simples, evitando que o consumidor precise virar a maquininha para conferir o valor. A tela também busca reduzir erros de digitação, combater fraudes e dar mais transparência à operação.
A máquina é multibandeira e aceita débito, crédito e cartões de benefício, como vale-refeição e alimentação. Ela pode ser usada tanto nas transações tradicionais de varejo quanto nas operações entre empresas.
Outro ponto é a integração com a conta corrente e com sistemas de gestão e ERPs. Dessa forma, a venda pode ser registrada e conciliada automaticamente, sem a necessidade de checagens manuais.
E o cartão B2B do BTG?
A outra parte da estratégia está no cartão B2B, que funciona em um arranjo fechado e dentro do ecossistema de pagamentos do BTG.
Segundo os executivos, a opção pelo arranjo fechado é para que a relação entre as empresas tenha mais flexibilidade de prazos para pagamento e recebimento, que podem ser negociadas.
A solução é voltada exclusivamente para transações entre empresas e tenta atacar um problema comum nessas operações: o descasamento entre o prazo que o comprador precisa para pagar e o momento em que o vendedor quer receber.
Com o cartão, é possível estabelecer prazos diferentes para cada lado da operação. Um comprador pode, por exemplo, pagar em até 60 ou 180 dias, enquanto o vendedor recebe à vista, em D+0. Nesse caso, o BTG financia o capital de giro da operação.
Outra mudança está no risco de crédito
Os executivos explicaram que, quando um vendedor aceita um pagamento com cartão, o risco de crédito da operação fica com o banco emissor. Ou seja, mesmo que o comprador não pague a fatura depois, o vendedor recebe o valor da venda.
Ao estudar como esse modelo funcionaria nas transações entre empresas, porém, eles perceberam que essa proteção não existia em outras formas de pagamento.
No caso de uma venda parcelada no boleto, por exemplo, o vendedor continua exposto ao risco de o comprador não pagar.
Segundo os executivos, essa falta de segurança pode acabar impedindo algumas vendas.
Com o cartão, esse risco pode ser transferido para o BTG, o que libera os limites comerciais e operacionais entre fornecedor e cliente.
A promessa de reduzir fraudes — e o custo do crédito
Um dos argumentos do banco para a nova estrutura está justamente na possibilidade de reduzir problemas históricos do mercado de duplicatas, como a existência de títulos fictícios ou o desconto da mesma duplicata em mais de uma instituição.
Como as operações feitas pelo cartão B2B são registradas dentro da infraestrutura de registradoras de cartão, o BTG afirma que passa a ter mais visibilidade sobre a operação.
Essa quantidade maior de informações também pode ajudar na precificação do crédito, segundo os executivos.
“Temos um nível de informação que nos permite precificar melhor a operação, porque ela nasceu dentro do ecossistema do BTG. Ao reduzir fraudes, eliminar problemas como a duplicidade de duplicatas e simplificar o processo, conseguimos oferecer um preço muito mais razoável para o crédito”, disse Motomura.
Split de pagamentos: outra aposta do BTG de olho na Reforma Tributária
A estrutura de pagamentos do banco também mira uma mudança que vai afetar a rotina financeira das empresas: a Reforma Tributária.
Hoje, ao vender um produto ou serviço, o comerciante recebe o valor integral da compra no momento da transação, enquanto os tributos são recolhidos posteriormente.
Esse intervalo entre a venda e o pagamento dos impostos representa um float financeiro que pode ser usado pelas empresas como capital de giro.
Com as novas regras do split payment, a arrecadação passará a ocorrer de forma instantânea, no próprio momento da transação. A mudança tende a reduzir esse espaço de tempo e, consequentemente, o capital de giro disponível para o varejo no curto prazo.
A solução do BTG automatiza a divisão dos valores no momento do pagamento.
Funciona assim: quando o cliente faz a transação, o sistema separa os diferentes destinatários do dinheiro.
A ferramenta já permite, por exemplo, dividir o pagamento entre um estabelecimento e seus parceiros ou prestadores de serviço e também foi desenvolvida para fazer a retenção da parcela correspondente aos impostos conforme o novo modelo de arrecadação.
Imagine uma conta de R$ 1.100 em um restaurante. O sistema pode fazer a divisão da operação no mesmo instante, destinando R$ 900 ao estabelecimento, R$ 110 ao garçom e R$ 90 aos impostos.
A mesma lógica pode ser aplicada a outros negócios, como pet shops, com a divisão da receita entre a loja e profissionais como tosadores ou veterinários, além de redes de franquias.
BTG diz que não vai afrouxar análise de crédito
Embora a nova estrutura permita que o banco assuma o risco de crédito de determinadas operações comerciais, isso não significa um afrouxamento.
“A política de crédito segue as políticas já tradicionais do banco. O que muda é a forma de você tomar, que é uma forma muito mais simples, muito mais rápida e muito mais flexível. O limite, o preço do crédito, o prazo e as garantias vão seguir as políticas atuais vigentes no BTG", disse Stallone.
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