TotalPass e Wellhub não são ameaça para a SkyFit; rede explica estratégia para faturar R$ 800 milhões
Em relatório do BTG Pactual, analistas dizem qual é a ameaça atual para o setor de academias. Rede de franquias mira faturamento de R$ 800 milhões

“Os agregadores vieram para ficar. A oportunidade está em usá-los melhor”. É isso que defendem os analistas do BTG Pactual após conhecerem a operação da academia SkyFit, controlada por Caio Peres, ex-executivo da XP. Com 370 franquias espalhadas por 22 estados brasileiros, a empresa é a segunda maior rede dentro do aplicativo Totalpass, atrás somente da Smart Fit.
A SkyFit também está no Wellhub e é considerada a maior rede do país a aceitar ambos os agregadores.
Há uma discussão no setor fitness desde o surgimento dessas plataformas: vale a pena para as academias estarem nesses aplicativos ou eles podem canibalizar a clientela direta das redes?
Para a Skyfit, em relatório do BTG, os agregadores são uma tendência irreversível e funcionam como o iFood para restaurantes e o Uber para o mercado de taxistas. O CEO da rede diz que a estratégia é se juntar a eles e tentar utilizar da melhor forma para os resultados da companhia.
Na visão da rede e dos analistas, há outros vilões que estão no radar da SkyFit e devem ser monitorados em todo o setor de academias — e não são o TotalPass e o Wellhub.
Fundada em Americana e com crescimento acelerado
A SkyFit foi fundada em Americana, no interior de São Paulo, em 2020. Inicialmente, a operação da empresa era apenas cinco academias próprias, mas foi o modelo de franquias que possibilitou o crescimento acelerado da rede.
Leia Também
Atualmente, SkyFit conta com 1 milhão de alunos, 370 unidades em 22 estados, além de outras 120 em desenvolvimento e cerca de 160 locais aprovados à espera de franqueados. O ritmo de inauguração é de 10 a 15 unidades mensais e a expectativa é de que, em 2026, a receita seja de R$ 800 milhões.
Em março deste ano, um ex-sócio da XP e um grupo de investidores compraram a SkyFit dos fundadores e Peres assumiu a operação como CEO.
Embora o valor de compra não tenha sido divulgado publicamente, o relatório do BTG cita uma cifra de R$ 400 milhões.
Como a SkyFit surfa os agregadores?
Enquanto parte do setor fitness enxerga os agregadores como uma ameaça, a SkyFit prefere olhar por outra perspectiva.
“Apesar de certa canibalização de membros do segmento B2C, a administração considera o impacto líquido positivo, uma vez que os agregadores também atraem usuários que, de outra forma, poderiam não ingressar no ecossistema da academia”, afirmam os analistas do BTG.
A SkyFit tem o tíquete médio de R$ 149 e está entre as redes consideradas low cost. Porém, a empresa não quer necessariamente ser a opção mais barata entre as academias.
Com o TotalPass e o Wellhub, alunos podem acessar a rede com planos mais em conta.
No TotalPass, algumas unidades podem ser acessadas a partir do TP1, por R$ 59,90. No Wellhub, a partir do plano Basic, de R$ 69,99, também já é possível visitar algumas franquias da SkyFit, a depender da localização.
De acordo com o BTG, a SkyFit tem aproveitado o fluxo de alunos de aplicativos para tentar convertê-los para a rede.
Por meio de dados dos agregadores, empresa diferencia usuários que frequentam várias academias diferentes daqueles visitam repetidamente a mesma unidade da SkyFit. A estratégia é tentar tornar esse segundo grupo membros diretos da rede por meio de benefícios adicionais e ofertas personalizadas.
Outro argumento da SkyFit a favor dos aplicativos é que os usuários de agregadores costumam frequentar as academias com menos regularidade do que alunos que contratam planos diretamente.
Na prática, isso faz com que a receita gerada por treino fique mais próxima da observada nos clientes tradicionais, o que, na visão da rede e do banco, reduz o impacto negativo dos repasses para o TotalPass e Wellhub.
- LEIA TAMBÉM: TotalPass para pessoa física: parceria com dr.consulta libera planos de academia sem vínculo com empresa
Academia vê outras ameaças
Segundo a academia, o principal adversário no setor atualmente é o brasileiro que não pratica exercícios. Somente 7% da população brasileira está matriculada ou frequenta uma academia regularmente.
Esse percentual também ajuda a entender por que, mesmo com a concorrência crescente no setor fitness, a SkyFit não percebe o mercado de academias como saturado.
No relatório do BTG, a rede diz que a maior competição é entre redes já consolidadas e academias de bairro independente. De acordo com a SkyFit, a estratégia de crescimento por franquias é especialmente importante nessa equação porque permite que a rede entre em cidades menores.
Além disso, Peres enxerga uma ameaça relevante para o setor de academias: a reforma tributária.
Segundo o CEO, o impacto das novas regras sobre o modelo de franquias ainda é subestimado pelo mercado.
A preocupação é que uma carga tributária potencialmente maior e mudanças operacionais, como o split payment, pressionem o capital de giro dos franqueados.
Na visão de Peres, academias menores e operações menos profissionalizadas podem encontrar dificuldades para se adaptar ao novo cenário.
Ainda assim, a SkyFit afirma que já estuda alternativas para reduzir os impactos das mudanças, incluindo novos modelos de financiamento de equipamentos e estruturas voltadas ao suporte financeiro dos franqueados.
Qual é a avaliação dos analistas?
Para os analistas do BTG Pactual, a SkyFit está entrando em uma fase mais madura com um CEO que traz a experiência do mercado financeiro na bagagem.
Na visão do banco, a rede de academias já possui uma escala significativa já consolidada, mas ainda tem um amplo espaço para crescimento.
“À medida que a rede se expande, a administração se concentra cada vez mais na qualidade dos dados, bem como na qualidade e no suporte aos franqueados, mantendo uma visão construtiva sobre o potencial de crescimento do setor e o papel dos agregadores no ecossistema.”
SD ENTREVISTA
C6 Bank compra Alymente e entra na briga pelo vale-refeição; executivo revela o plano por trás da jogada para atrair empresas
3 de setembro de 2026 - 15:51MOMENTO DE DECIDIR
Simples Nacional Híbrido: o que é e quem pode se beneficiar da nova regra
3 de setembro de 2026 - 11:23ECONOMIA NA CONTA
Conta de luz pode cair para pequenas e médias empresas em 2027; veja quem terá direito
3 de setembro de 2026 - 9:01FRAUDES DIGITAIS
Golpe do Pix: como funciona a nova regra do Banco Central que ajuda a proteger pequenos negócios?
2 de setembro de 2026 - 17:08GESTÃO DE PESSOAS
O que uma empresa que deve faturar R$ 1 bilhão neste ano aprendeu sobre emoções das pessoas e como contratar melhor
2 de setembro de 2026 - 16:02REFORMA TRIBUTÁRIA
Prazo para adesão ao Simples Nacional começou; confira as regras e o passo a passo para não ficar de fora
1 de setembro de 2026 - 11:58VENDER PROS GRINGOS?
Como pequenas e médias empresas podem faturar em dólar sem dar um passo maior que a perna
1 de setembro de 2026 - 6:15FRANCHISING DE DIETA
Pratos leves e com mais proteína: canetas emagrecedoras já mudaram cardápios de 53% das franquias de food service
28 de agosto de 2026 - 17:06DÍVIDA MILIONÁRIA
Caso Habib’s: o que a recuperação judicial de uma franqueadora muda para os franqueados?
27 de agosto de 2026 - 12:23MAIS CHANCES DE VENDAS
MEI agora pode vender para Banco do Brasil, Caixa, Correios e Petrobras; confira como aproveitar
26 de agosto de 2026 - 15:04FUNDADOR É EX-BOIA-FRIA
Como esta cachaçaria de R$ 110 milhões aposta em bebidas sem álcool para crescer com público mais saudável
26 de agosto de 2026 - 9:45NÃO É O MEI
O que é nanoempreendedor? Veja quem pode se enquadrar na categoria criada pela reforma tributária
25 de agosto de 2026 - 15:05HORA DE PEDIR DINHEIRO?
Precisa de crédito para o seu negócio? Veja o que você deve analisar e como preparar a operação para contratar um empréstimo
25 de agosto de 2026 - 12:30UMA SOBRA LUCRATIVA
As bordas de pizza que sobravam no prato inspiraram a criação de uma rede de franquias de R$ 60 milhões
24 de agosto de 2026 - 19:04HERÓIS OU VILÕES?
Wellhub e TotalPass: vale a pena para as academias estar nos aplicativos?
20 de agosto de 2026 - 16:22EMPREENDEDORISMO FEMININO
Ela investiu R$ 100 para construir um negócio de roupas online que deve faturar R$ 30 milhões neste ano
20 de agosto de 2026 - 12:08GESTÃO
Split payment: antecipação de impostos atingirá em cheio o caixa das empresas; veja como preparar o seu negócio
20 de agosto de 2026 - 6:04CAIXA EM BOA FORMA