CrossFit, HYROX, Lagree: quanto custa para uma academia oferecer as modalidades fitness que viraram febre
Algumas das modalidades mais disputadas do mercado fitness funcionam com licenças, afiliações ou franquias; veja quanto custa entrar em cada ecossistema

O mercado fitness ganhou uma nova camada de sofisticação nos últimos anos. Além das academias tradicionais, estúdios especializados em modalidades como CrossFit, Lagree, HYROX, Pilates e spinning passaram a disputar espaço no mercado.
Em alguns casos, o empreendedor precisa pagar para utilizar uma marca ou metodologia reconhecida internacionalmente. Em outros, o modelo funciona por franquia, com investimento inicial que inclui estrutura, equipamentos, treinamento e direito de operação.
Mas não existe um preço único para “abrir um CrossFit” ou “ter uma academia de HYROX”. O custo da licença é apenas uma parte da conta, que ainda pode envolver aluguel, reforma, equipamentos, certificação de professores e capital de giro.
Ainda assim, os valores cobrados pelas próprias marcas ajudam a dimensionar quanto vale o negócio por trás dessas modalidades.

CrossFit: afiliação pode chegar a US$ 4,5 mil por ano
No CrossFit, o modelo não é de franquia tradicional. O empreendedor precisa solicitar uma afiliação e, depois de aprovado, pode operar utilizando a marca CrossFit. O Brasil, aliás, é o segundo maior mercado da CrossFit. O paós tinha 1.177 boxes afiliados, segundo dado divulgado pela própria empresa em 2019, hoje, este número pode ser ainda maior.
A empresa informa que a taxa anual de afiliação varia entre US$ 2.500 e US$ 4.500, de acordo com a localização. Considerando o dólar a R$ 5,125, cotação de fechamento de 11 de setembro, o valor equivale a aproximadamente R$ 12,8 mil a R$ 23,1 mil por ano.
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Essa, porém, está longe de ser a conta completa para colocar um box de pé. O empreendedor ainda precisa arcar com espaço, equipamentos, adequações, profissionais e demais custos operacionais.
A própria CrossFit trata o pagamento como uma taxa de afiliação, que permite ao estabelecimento utilizar a marca e fazer parte do ecossistema da companhia.

Lagree: até R$ 20 mil por ano só pela licença
Entre as modalidades mais recentes a ganhar espaço no Brasil está o Lagree, método criado pelo francês Sebastien Lagree e conhecido pelo uso de máquinas como o Megaformer. O primeiro estúdio de Kagree no país, a Nux House, abriu no ano passado na Vila Nova Conceição, bairro nobre de São Paulo.
Aqui, o modelo é ainda mais parecido com um licenciamento de marca do que com uma franquia. A Lagree Fitness afirma que não trabalha com franquias e permite que o dono mantenha a propriedade e o controle do negócio.
Para um estúdio que utiliza Megaformer ou EVO, a licença custa US$ 3.990 por ano, o equivalente a aproximadamente R$ 20,5 mil na cotação usada nesta reportagem. O valor é cobrado por estúdio e não inclui o treinamento dos profissionais.
Há opções mais baratas. A licença para operar com Miniformer, por exemplo, custa US$ 1.990 por ano, enquanto a modalidade com Microformer sai por US$ 990 anuais, cerca de R$ 10,2 mil e R$ 5,1 mil, respectivamente.
Ou seja, antes mesmo de comprar as máquinas, o empresário pode desembolsar alguns milhares de reais por ano apenas para ter o direito de operar oficialmente dentro do método.

HYROX: o modelo é de academia afiliada
O HYROX segue outra lógica. A modalidade combina corrida com exercícios funcionais e ganhou força como uma espécie de “corrida fitness”, com provas padronizadas realizadas em diferentes países.
Para oferecer treinamento oficial, academias precisam se tornar afiliadas da marca. O estabelecimento deve enviar documentação, pagar uma taxa e seguir os padrões determinados pela organização.
Um guia publicado pela Tecnofit em 2026 aponta que a filiação parte de US$ 130 por mês, ou cerca de US$ 1.560 por ano. Isso representa aproximadamente R$ 666 mensais ou R$ 8 mil por ano.
Mas, novamente, não representa o investimento total para oferecer a modalidade. A procura, por outro lado, vem crescendo rapidamente. Segundo a Tecnofit, o Brasil já tinha mais de 220 academias afiliadas ao HYROX no início de 2026.

Pilates: franquia pode exigir mais de R$ 100 mil
No Pilates, a conta muda de patamar porque o mercado brasileiro tem redes que trabalham com franquias completas, e não apenas com o licenciamento de uma metodologia.
A Pure Pilates, por exemplo, aparece no Portal do Franchising da Associação Brasileira de Franchising (ABF) com investimento total de R$ 135 mil a R$ 150 mil. Os dados foram atualizados pela própria franquia em setembro de 2026.
O valor contempla a estrutura necessária para a operação da franquia, e não apenas uma taxa pelo uso do nome. O mercado também tem opções mais robustas. Segundo a ABF, a VIPilates exige investimento de R$ 130 mil a R$ 190 mil.
Portanto, para quem pretende entrar no segmento de Pilates por meio de uma franquia, a conta pode começar em torno de R$ 130 mil e subir conforme o modelo escolhido.

Spinning: a licença da marca pode custar zero
No spinning, há uma particularidade que ajuda a explicar como esses modelos de negócio podem funcionar.
A Spinning, marca criada pela Mad Dogg Athletics, em 1987, informa que não cobra taxa de licenciamento para que uma academia se torne uma Official Spinning Facility.
Mas existe uma condição: o estabelecimento precisa utilizar bicicletas Spinner, ter instrutores certificados pela Spinning e assinar um contrato de uso da marca. Ou seja, a licença em si custa zero, mas isso não significa que abrir uma operação de spinning seja barato.
O investimento passa principalmente pelos equipamentos e pela formação da equipe. Para quem pretende abrir um negócio especializado, existem ainda modelos de franquia no Brasil. A ABF lista, por exemplo, a Spin'n Soul, com investimento de R$ 689.588, e o Studio Velocity, especializado em aulas de bike, com investimento entre R$ 760 mil e R$ 1,21 milhão.
Por trás das diferentes modalidades existe, portanto, uma mesma tendência: o consumidor deixou de procurar apenas uma academia e passou a comprar métodos, comunidades e experiências de treino e isso abriu espaço para um mercado em que marcas fitness também vendem modelos de negócio.
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