Mercado Livre bate de frente com iFood, Rappi e 99Compras e libera entregas em até 1 hora. Como funciona para o vendedor?
Plataforma também anuncia que vai vender medicamentos com retenção de receitas, aceitar outras farmácias no marketplace e oferecer novas linhas de crédito para PMEs

As entregas rápidas do Mercado Livre (MELI34), que chegam em até 24 horas na porta do cliente, ficaram defasadas com aplicativos de delivery ultrarrápido, como 99Compras, iFood e Rappi. Agora, a plataforma quer bater de frente com esses players e liberar entregas em até 60 minutos para os empreendedores que vendem no marketplace.
Outros gigantes do e-commerce como a Amazon (AMZO34) e a Shopee já fizeram apostas semelhantes.
A Amazon possui o Amazon Now, que realiza entregas em até 15 minutos para itens essenciais como comidas, bebidas e produtos de limpeza, por exemplo. Já a plataforma cingapurense tem o Shopee Turbo, com entregas em até quatro horas.
Com a modalidade Envios Agora, empreendedores que vendem na Mercado Livre poderão realizar entregas em até uma hora com a logística do marketplace.
A funcionalidade foi divulgada nesta quinta-feira (24) durante o evento Mercado Livre Experience 2026.
Além das entregas ultrarrápidas, a empresa também anunciou uma expansão no segmento de farmácia própria, a entrada de outras varejistas farmacêuticas no marketplace e novas linhas de crédito para pequenas e médias empresas (PMEs) no Mercado Pago.
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Como funcionam as entregas em 60 minutos?
Os produtos autorizados na modalidade de Envio Agora são os que possuem até 15 quilos. Portanto, vendedores que comercializam itens de grande porte na plataforma não entram nas entregas ultrarrápidas.
Segundo Fernando Yunes, líder do Mercado Livre no Brasil, a modalidade por enquanto está em fase de testes em quatro bairros de São Paulo e, em breve, deve se expandir para toda a capital paulista.
No entanto, a plataforma não informou sobre o cronograma de funcionamento.
Yunes explica que, nesta modalidade de entrega, se beneficiam os produtos de conveniência, aos quais o consumidor quer ter acesso de forma rápida.
“O cliente pode comprar até um celular e receber em uma hora. Também pode comprar um tênis, um vestido, um brinquedo, um presente de última hora, remédios, itens de supermercado... uma diversidade de categorias”, diz.
As entregas serão realizadas pela logística do Mercado Livre, principalmente por meio de motoboys que se cadastrarão na plataforma, da mesma forma que se cadastram em outros aplicativos de entregas rápidas, como o iFood.
De acordo com a empresa, o entregador vai diretamente ao estoque do vendedor, recolhe o produto e realiza o trajeto até o endereço de entrega.
Em relação à malha logística, o Mercado Livre também destaca o crescimento dos centros de distribuição neste ano.
Até o final do ano, os centros logísticos devem saltar de 52 para 72 unidades, com alta de 10 centros de fulfillment — onde o estoque dos vendedores fica armazenado no modelo no qual o Meli cuida de toda a entrega.
Expansão das farmácias no app
A companhia também vai expandir a frente de farmácias na plataforma. Em setembro do ano passado, o Mercado Livre comprou a Cuidamos Farma para poder atuar no segmento.
Porém, desde março quando entrou em operação, a farmácia do Meli só vende remédios que não precisam de receita, como analgésicos.
Agora, a companhia quer expandir o negócio e, a partir de sexta-feira (25), começa a comercializar medicações que precisam de retenção de receita, como é o caso de antibióticos e as canetas emagrecedoras Ozempic e Mounjaro.
Mas para além de aumentar a participação da farmácia própria, o Mercado Livre quer abrir a plataforma para outras redes.
Companhias do setor poderão entrar no marketplace do Meli. Inicialmente, serão três empresas, que começam a vender a partir de outubro e, até o fim do ano, 20 farmácias devem estar disponíveis na plataforma. No entanto, o Mercado Livre ainda não divulga os nomes das parcerias.
Mais crédito para pequenos e médios negócios
Já na frente do Mercado Pago, que é o banco digital e a unidade de pagamentos do grupo, a companhia anunciou novas linhas de crédito com foco nos clientes da Conta Negócio, voltada para empreendedores que faturam a partir de R$ 10 mil por mês.
Segundo Daniel Davanço, diretor sênior de pequenas e médias empresas do Mercado Pago, a principal novidade é um crédito de curto prazo com juros zero por até sete dias.
A linha foi criada para atender necessidades pontuais de caixa dos empreendedores, como a compra de estoque ou o pagamento de despesas inesperadas.
"O empreendedor pode pegar o crédito e devolver em sete dias sem pagar juros. Dependendo do perfil e do histórico de relacionamento conosco, o limite pode chegar a até duas semanas de faturamento mensal da empresa", afirmou o executivo.
De acordo com o Mercado Pago, o produto começou a ser disponibilizado nesta quinta-feira (24) para parte da base de clientes e deve chegar gradualmente a todos os usuários elegíveis.
A companhia também lançou uma linha de crédito em parceria com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Socia) e o Sebrae por meio do FGI (Fundo Garantidor para Investimentos).
Nesse caso, os financiamentos podem chegar a R$ 700 mil, com prazo de pagamento de até 48 meses. Ou seja, dois anos.
Segundo a empresa, a modalidade oferece taxas entre 30% e 40% menores do que as praticadas em linhas tradicionais para pequenas e médias empresas dentro do Mercado Pago.
Hoje, segundo o Mercado Pago, nove em cada 10 clientes da Conta Negócio já recebem alguma oferta de crédito dentro da plataforma.
Meli vê espaço para continuar crescendo no Brasil
Para o Mercado Livre, há espaço para o e-commerce crescer no Brasil, e a empresa quer abocanhar esse mercado. A estimativa é de que a penetração das vendas online chegue a 25% até 2030. Atualmente, é de 17%.
Para Yunes, o avanço da logística, dos meios de pagamento e o aumento de costume dos consumidores nas compras online devem continuar impulsionando o crescimento do varejo na internet.
"O potencial segue enorme. A gente vê o comércio eletrônico ganhando participação e acredita que esse crescimento ainda está longe de acabar", afirmou.
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