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QUEM VAI NOS SUBSTITUIR?

A IA pode até fazer mais, mas são as pessoas que continuam no centro dos negócios 

Durante o Fórum Empreendedor, organizado pelo BTG Pactual Empresas, executivos do TikTok, Salesforce, Microsoft e AWS defendem cultura, capacitação e relacionamento com o cliente como vantagem competitiva

A mão de um robô humanóide quase toca na mão de um ser humano
A IA pode até fazer mais, mas são as pessoas que continuam no centro dos negócios Imagem: iStock/EvgeniyShkolenko

A inteligência artificial (IA) já consegue automatizar tarefas, analisar grandes volumes de dados e até identificar sinais de intenção de compra. Mas, em meio a tanta tecnologia, uma coisa continua dependendo das pessoas: saber o que fazer com tudo isso.

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Essa foi uma das principais mensagens do Fórum Empreendedor, realizado nesta quinta-feira (10) pelo BTG Pactual Empresas.

Em diferentes debates, executivos do TikTok, Salesforce, Microsoft e Amazon Web Services (AWS) destacaram que, embora a tecnologia permita levar operações a uma escala cada vez maior, pessoas, cultura e relacionamento com o cliente continuam no centro da estratégia.

Para quem empreende, a discussão vai além de escolher qual ferramenta de inteligência artificial adotar.

A questão é entender como usar esses recursos sem deixar de lado justamente aquilo que diferencia uma empresa: as pessoas que trabalham nela e a relação construída com o cliente que deseja atrair.

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O consumidor mudou — e a forma de vender também

A transformação digital também mudou a maneira como marcas e consumidores se encontram.

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Marcello Vieira, Head de Vendas do TikTok na América Latina, diz que não basta mais simplesmente colocar uma mensagem de produto ou de marca na frente do consumidor e esperar a conversão.

“O consumidor mudou. Ele espera uma relação de troca com a marca, quer participar. O comercial ou aquele vídeo de 30 segundos, em que a gente só entrega uma mensagem de produto ou de marca, principalmente nas redes sociais ou em uma plataforma como o TikTok, não funciona mais”, afirmou.

Isso também muda a lógica das campanhas. Para o executivo, as marcas precisam entender que o consumidor não aparece apenas quando uma campanha está no ar.

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“O consumidor está ali o tempo inteiro consumindo conteúdo”, afirma.

A ideia é manter uma presença constante e criar formatos que permitam interação e relacionamento, em vez de apenas transmitir uma mensagem.

A tecnologia ajuda a escalar, mas não faz tudo sozinha

No ambiente corporativo, a inteligência artificial e a automação já permitem lidar com volumes de informação e de contatos que seriam difíceis de administrar apenas com equipes maiores.

Rodrigo Bessa, SVP e Gerente Geral da Salesforce Brasil, deu um exemplo durante o debate sobre a nova jornada do consumidor. A empresa consegue lidar com dezenas de milhares de potenciais clientes no topo do funil contando com apenas 20 Sales Development Representative (SDRs) — ou seja, profissionais que atuam na etapa de pré-vendas do processo comercial.

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“A gente tem no topo do funil dezenas de milhares de clientes. Então, são 20 pessoas para lidar com dezenas de milhares de potenciais clientes. Tudo isso é feito com muita automação e muita inteligência artificial”, disse Bessa.

Com os agentes de IA, a tecnologia também passou a identificar sinais de intenção em escala e executar ações automáticas de acompanhamento, como o follow-up de propostas pendentes.

Agora que a barreira tecnológica foi resolvida, ele diz que o desafio é alinhar a cultura da empresa para que todos entendam que o cliente é o foco de tudo.

“Quando você combina a ferramenta, a metodologia e a cultura da empresa, essa equação não tem como dar errado”, afirmou.

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Ou seja, a tecnologia pode ajudar a empresa a fazer mais, mas ainda é preciso definir como e por que fazer.

O fator humano também aparece na relação das marcas com criadores de conteúdo e comunidades. Vieira alerta que tentar padronizar demais essa comunicação pode produzir justamente o efeito contrário ao desejado.

“A gente ainda vê muitas marcas passando um texto pronto para um criador de conteúdo, sem levar em consideração a essência ou o estilo que ele tem de produzir conteúdo. O que as pessoas esperam das marcas é que elas criem uma conexão real com as pessoas e com as comunidades”, disse.

As pessoas da própria empresa também importam

Essa preocupação com o fator humano também apareceu nos debates com lideranças da Microsoft Brasil e da AWS.

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Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil, comentou sobre o uso de tecnologia pelos próprios colaboradores, e recomendou um equilíbrio entra máquina e humanos. O caminho, ela diz, é a capacitação.

“Eu não vejo nenhuma barreira de tecnologia em inteligência artificial. Vejo todas as barreiras culturais e de adaptação humana. E, para que exista adaptação humana e para que o humano se sinta à vontade, tem que ter capacitação”, afirmou.

Na visão da executiva, a tecnologia deve potencializar a atuação profissional e ampliar a capacidade humana. Ela também defendeu que a evolução digital promova “inclusão e não exclusão”.

Como parte dessa estratégia, a Microsoft estabeleceu a meta de capacitar 5 milhões de pessoas no Brasil até o final de 2026.

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Cleber Morais, diretor-geral da AWS no Brasil, segue na mesma linha. “Pessoas são a base de qualquer formação para montar uma empresa”, disse.

Para ele, colocar as pessoas no centro também passa por fomentar o empreendedorismo interno e dar autonomia para que a equipe possa se desenvolver.

Essa lógica inclui, ainda, estar aberto ao erro como parte do processo de aprendizado — desde que a organização consiga aprender rapidamente com ele.

Na visão do executivo, a tecnologia e as empresas devem, em última instância, ajudar a realizar os sonhos das pessoas, seja no desenvolvimento de suas carreiras ou no impacto que o empreendedorismo pode gerar no país.

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